<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797</id><updated>2012-02-16T10:55:29.873-08:00</updated><title type='text'>Devaneios</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>111</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-7436029048300128031</id><published>2011-05-29T07:50:00.000-07:00</published><updated>2011-05-29T07:53:40.611-07:00</updated><title type='text'>A Antropologia da “Pintelhice”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estava a ver as sondagens e achei estranho que o “engenheiro” se mantivesse ali taco a taco na frente do pelotão eleitoral. Por momentos veio-me à memória a discussão sobre a despenalização das drogas leves, isto porque apenas acredito que um tipo consiga colocar, de forma voluntária, a cruzinha no partido do homem, debaixo do efeito inebriante duma dose considerável de maconha no cérebro. Dei voltas a todas explicações racionais, que levam um indivíduo a gritar “Força Sócrates és o maior” sem uma Kalasnikov apontada às têmporas e cheguei à teoria do “pentelho”. Eu sei que muita gente ficou horrorizada com o pentelho libertado pela boca do economista aspirante a ministro das finanças. Como é possível uma figura pública ousar dizer “pentelho”?... pensarão os mais puritanos. Mas o tipo, limitou-se a usar um termo bem português, que coloca o pentelho no seu devido e insignificante lugar, ou seja, no meio de milhares de outros pentelhos. É isto que verdadeiro pentelho representa; um pêlo púbico perdido incógnito numa floresta repleta dos seus semelhantes. Eu próprio nutro um certo sentimento de compaixão pelo pobre do pentelho, que se encontra enclausurado todo o dia debaixo de umas cuecas, sonhando com uma súbita exposição solar na praia do Meco ou na casa de férias da Shakira. Catroga conseguiu libertar o pentelho do anonimato, quando disse “em vez de se discutirem as grandes questões do país, andam-se a discutir,…pintelhos…” . Conseguiu transformar o pentelho num facto de enorme relevância. Deu-se enorme importância aos pentelhos de Catroga quando se deveria dar importância à capacidade generalizada de se ter conseguido transformar factos importantes em pintelhices. A pintelhice não será mais do que a acção produzida pelo pentelho, ou seja, uma comichão quase imperceptível. De facto, muitos portugueses vêem a sua racionalidade assaltada, quando conseguem colocar a cruzinha no homem que os levou à bancarrota. Bancarrota?...isso são pintelhices. O primeiro ministro mente com alguma frequência quando fala do que vai fazer por Portugal?... pintelhices. Uma Juíza foi apanhada em contramão com taxa de alcoolemia de 3,08 e é libertada porque os polícias não a podem prender em flagrante delito, porque um magistrado só pode ser detido em delitos que levem a penas superiores a 3 anos…?....pintelhices. Alunas espancam de forma pré-histórica uma colega, puxando-a pelos cabelos, pontapeando a sua cabeça e gravando a acção como uma cena de cinema, são postas em prisão preventiva e o iluminado e defensor das minorias Marinho Pinto, vem dizer que a medida é exagerada, ou seja, que aqueles biqueiros são,… como haveremos de dizer,…pintelhices. E é, esta a capacidade selectiva e aguda do “portuga” para transformar um facto aparentemente grave numa insignificante pintelhice , que o leva a viver sem lhe pesar muito a consciência. E a derrota do Benfica contra o Braga?...Epá, isso é de um gajo ficar doido!!!...&lt;br /&gt;Continuo com alguma dificuldade em digerir que Sócrates, depois de toda a borrada que conseguiu produzir, apresente nas sondagens, uma percentagem acima dos 0,02%. Em qualquer país com um índice intelectual decente, com população pouco inebriada com pseudo-pintelhices o tipo seria mandado para o Botswana num barquinho a remos pneumático. Por cá , os comícios e arruadas estão cheios de apoiantes…Shiuuu,…parece que muitos deles são imigrantes do Paquistão e Guiné-Bissau que vieram em autocarros pagos pelo partido, para mandar os dentes à sandocha de fiambre, ao Sumol de ananás e ainda receberam uns bonés à borla. Vendo bem as coisas, apesar de não perceberem patavina de português e de não poderem votar, são os apoiantes mais adequados para Sócrates, uma vez que com esta governação nunca o país esteve tão próximo dos índices de desenvolvimento do Paquistão e da Guiné-Bissau. Mas isso…são pintelhices…&lt;br /&gt;Espero que os portugueses acordem rápido deste estado de letargia e que dêem finalmente ao pentelho o protagonismo que este merece. E no caso de nunca reparar na importância do pobre pentelho? Aí, teremos de esperar pela chegada de uma epidemia de chatos, de nome científico piolho-do-púbis para, de uma vez por todas, os obrigar a coçar vigorosamente onde as pintelhices fazem das suas… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-7436029048300128031?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/7436029048300128031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=7436029048300128031' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7436029048300128031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7436029048300128031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2011/05/antropologia-da-pintelhice.html' title='A Antropologia da “Pintelhice”'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-7327683561657955446</id><published>2011-04-12T07:24:00.000-07:00</published><updated>2011-04-12T07:28:34.819-07:00</updated><title type='text'>O ângulo da Ruína</title><content type='html'>&lt;iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/aSbpkBY5Pc4" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era com expectativa que todos os portugueses esperavam pela declaração do tipo a assumir finalmente que teria de pedir ajuda ao FMI, aquela espécie de doença venérea que, uns dias antes, garantia que  jamais viria assolar a nossa esplendorosa saúde financeira. Estávamos todos ansiosos para saber como o homem, mais uma vez, conseguiria descalçar essa botifarra do paraíso virtual que nos andou a calçar desde que aqui chegou. &lt;br /&gt;À hora marcada a televisão faz um directo ao palácio de São Bento e lá está o tipo,…sem o casaco vestido…?...Nem parece dele. O homem dos fatos Armani, surge em camisa branca…? Percebemos que ele ainda estava a ensaiar o discurso; a televisão transmitiu cedo demais. Seria a oportunidade de sabermos a agonia real que o Primeiro Ministro, estaria a sentir por ser forçado a contar a verdade aos portugueses. Antecipamos de forma imaginária o que o preocuparia durante o ensaio: “Quais as palavras mais correctas para assumir de forma frontal a minha genuína incompetência…”. No entanto somos surpreendidos por um “Óh Luís, vê lá como é que ficou a olhar p’rós…” e prossegue “…Assim fica melhor? …ou fica melhor assim ?” . O pivot regressa atrapalhado ao estúdio dizendo que entraram cedo demais. Desta vez fiquei mesmo impressionado com o nível do Primeiro Ministro. É preciso um homem ter ,…(não, não é falta de vergonha), …um enorme sangue frio, para numa altura em que deveria estar a suar convulsivamente, a tremer das mãos de forma descontrolada, com enorme vontade de correr para a casa de banho, com a voz seca de tanto nervosismo, brindar-nos com a sua grande preocupação “Oh Luís assim fica melhor? Ou fica melhor assim?”.  Não valia perder tempo com os seus inigualáveis feitos governamentais tais como a capacidade de ter conseguido levar o país à porta da bancarrota. Era tempo sim de passar à análise do melhor ângulo para falar aos portugueses. Ao menos o tipo vai assumir de uma vez por todas que fez asneira da grossa! Ficamos admirados, quando, já de fato vestido,  com o seu melhor ângulo e a sua melhor expressão de crise, anuncia que a tal doença venérea veio pela mão irresponsável do outro que não tem um ângulo assim tão bom. Quando se pensava que ele finalmente diria : “Peço desculpa aos portugueses por ter sido o Primeiro Ministro com maior descaramento que alguma vez passou pelo Palácio de S. Bento” ele, com enorme… descaramento e o seu melhor ângulo, consegue continuar na senda do recorde de resistência difícil de igualar do “Homem que consegue manter o seu melhor ângulo durante mais de 6 anos”.  Eu acho que o tipo teria feito uma carreira imaculada num qualquer estúdio de cinema, tal o seu perfeccionismo para pormenores fundamentais dessa vida de estrelato. Consegue encarnar o papel de político competente,.. perdão,.. extremamente competente, com um grau de realismo de fazer inveja ao actor  Anthony Hopkins, Eu acho bem que um tipo se preocupe em manter a compostura na hora do pesadelo. O País está de pantanas mas o tipo pergunta qual a expressão que fica melhor para a câmara número 2. É a ruína no seu melhor ângulo.    Ou será que o seu melhor ângulo continuará a encobrir a ruína?...&lt;br /&gt;A ruína pode ser materializada na imagem desoladora de um navio a afundar. Os marinheiros vêem a água  inundar célere o convés e olham em desespero para o comandante com a pergunta desesperada fugindo-lhes entre os dentes: “E agora capitão, o que fazemos???”. O Comandante encosta uma mão sobre o leme, com a outra acaricia o cabelo e, com o olhar sobre o ombro pergunta, “Oh Luís, assim fica melhor?...ou fica melhor assim?...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-7327683561657955446?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/7327683561657955446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=7327683561657955446' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7327683561657955446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7327683561657955446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2011/04/o-angulo-da-ruina.html' title='O ângulo da Ruína'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/aSbpkBY5Pc4/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-4268327329366429279</id><published>2011-03-13T09:27:00.000-07:00</published><updated>2011-03-13T09:28:41.450-07:00</updated><title type='text'>A Pachorra para ler…</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma colega de Português pediu-me que escrevesse umas palavras sobre a importância da leitura na vida dos nossos alunos. Teve tanta pontaria que escolheu, provavelmente, a pessoa que menos livros leu durante a juventude. É como pedir a um vegetariano que dê a sua opinião sobre a qualidade e textura do bife da vazia. Não sei se os livros do Asterix podem ser incluídos na prateleira da leitura; daquela leitura de que toda a gente pensa quando fala em… leitura(?); os livros com muitas letras e poucos bonecos. Se os bonecos estiverem incluídos no clube da literatura, já me sinto entre o vegetariano e o talhante. É que na infância devorei muito murraça do Obelix dada aos seus amigos romanos, tive pena do que faziam ao incompreendido e afinado Bardo Cacofonix, invejei o efeito da poção mágica do Druida Panoramix (o jeito que me tinha dado nas lutas lá no bairro com os matulões que nos roubavam os berlindes). A razão de não ter lido muita literatura durante a juventude deveu-se sobretudo à falta de…Pachorra…(?). “Falta de Pachorra” significa basicamente o mesmo do que “Falta de Paciência”, mas soa com uma rudeza mais próxima daquela que a maioria dos jovens sente quando pensa em livros com 258 páginas cheias de pronomes e substantivos. Geralmente, a falta de pachorra é acompanhada por uma expressão facial de quem comeu solha frita importada da Tunísia. Mas a falta de pachorra não aparece apenas durante o estudo dos livros de Sophia de Mello Breyner ou a análise de um texto de Almeida Garret. Ela surge quando a mãe manda arrumar o quarto, sempre que se tem de levantar a loiça suja da mesa, resolver problemas intrincados da Matemática, mudar o rolo de papel higiénico que chegou ao fim, fazer conversa com as tias afastadas durante um encontro familiar, ou estar sentado e atento a uma aula de 90 minutos sobre o processo de fotossíntese nas plantas. A “Falta de Pachorra” é, no entanto, selectiva. Sobressai de forma mais intensa em algumas actividades. A “Falta de Pachorra” é atenuada durante uma jogatana de futebol com os amigos, o envio de 50 SMS por minuto à namorada, o acto de enfardar Menus no MacDonald’s, um confronto de Play Station pela noite dentro, o visionamento do episódio 3859 dos Morangos com Açúcar, a criação de galinhas virtuais no Farmville . Nestes casos a “Falta de Pachorra” transforma-se, como por milagre, em “Falta de Tempo” . Como os miúdos gostariam de ter mais tempo para fazer tudo o que não lhes suscita a repulsa associada à falta de pachorra!!! Na verdade, a falta de pachorra tem uma relação estreita com o conceito de Tempo. A escassez de pachorra acontece porque se acha que o tempo escasseia. Tem de se fazer tudo a abrir, a correr, a “spidar”, uma vez que nas células do jovem imberbe existe a ilusão de que todas as coisas boas são aquelas que se vão fazer a seguir. É uma espécie de síndrome de banquete nupcial. “Deixa-me meter rápido os dentes no rissol de camarão, porque ali ao fundo da mesa estão as coxas de frango quase a acabar!”. O rissol é sugado, a coxa de frango triturada, a salada russa aspirada, para se poder encher a tigela de mousse, pudim de ovos e abacaxi, para ainda ter tempo de comer uns ovos moles de Aveiro antes do café. A velocidade com que os mercenários perseguem terroristas nos jogos das consolas PS3 é reveladora da capacidade meteórica dos jovens para processar informação. Reagir a muitos estímulos num curto espaço de tempo. É por isso que a malta jovem não tem pachorra para ler livros com muitas frases e sem bonecos. Essa leitura implica prescindir do seu precioso tempo que passa a abrir. A inquietude inibe a pachorra. Para se ler é preciso sentar e estar-se ali sem pressa de matar terroristas ou fugir de bolas de fogo arremessadas por monstros. O livro é para se ir lendo enquanto se bebe um chá de camomila; a história é para ser ir descobrindo de forma progressiva. “Então e o final? Nunca mais chega? O tipo sempre fica com a miúda gira?...Chá de camomila?...Eu quero é Red Bull para ganhar asas e voar até à última página que nem um tiro!” .&lt;br /&gt;Também eu na juventude perdi tempo em busca do tempo que poderia perder. Também me faltou pachorra para trocar as aliciantes peladas de futebol por enfadonhos livros cheios de substantivos e pronomes. Descobri a leitura mais tarde. Comecei a ganhar pachorra, ou antes, paciência, no dia em a minha inquietude foi agarrada pelas letras de um livro. Deixei-me viajar pela história adentro sem pressa de acabar, mas com pressa para chegar ao enredo da página seguinte. Descobri que as palavras, quando bem escritas, valem mais do que mil imagens. Conseguem elas próprias criar 5000 imagens que nos rasteiram a pressa, nos alfinetam a curiosidade, nos espicaçam o humor, nos estimulam o raciocínio. Mas para que essa descoberta da leitura se dê, é preciso pachorra para esquecer o tempo que perdemos por estar ali a viajar sentados.&lt;br /&gt;Agora digam-me lá, quantos de vocês, que estão a acabar a leitura desta sequência de letras em forma de texto, teriam pachorra para a começar a ler se, não fosse a professora de Português dizer-vos para a trocar por aquele SMS que iriam enviar, com o telemóvel escondido debaixo da mesa, ao vosso amigo? …O que diria a mensagem?... “G’anda seca! Estou sem pachorra para ler esta montanha de substantivos e pronomes, escrita por um tipo que só lia livros com bonecos, na juventude…” &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-4268327329366429279?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/4268327329366429279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=4268327329366429279' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4268327329366429279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4268327329366429279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2011/03/pachorra-para-ler.html' title='A Pachorra para ler…'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-5658201270676985888</id><published>2011-03-13T09:24:00.000-07:00</published><updated>2011-03-13T09:27:35.122-07:00</updated><title type='text'>Para quando um Taser de efeito prolongado?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; As imagens do presidiário a levar com uma descarga eléctrica no lombo, horrorizou meio país. Coitado do moço, estava de costas para os guardas, e estes, à socapa, mandaram-lhe com um choque que o fez estrebuchar de dor. Isto nem na cadeia de Guantanamo, grandes malandros! Parece que o rapaz apenas se divertia a fazer pinturas rupestres com fezes nas paredes da cela. O que é que queriam? O tipo não tinha guaches, marcadores ou lápis de cera, teve de utilizar o material que estava mais à mão. Depois, ficou revoltado quando os guardas quiseram exterminar a sua obra, com recurso ao Sonasol e decidiu atirar uns pratos aos repressores da sua arte. Pensando bem, até poderia ser a forma que encontrou para fazer alguma actividade física, num exercício de arremesso activo. É que a vida sedentária numa exígua cela, pode ser causadora de obesidade e doenças cardiovasculares. Os guardas começaram a ficar um pouco cansados de tanta actividade…artística, mas sobretudo de levar com tanto prato pela testa e cócó nas narinas, que trataram de resolver o problema pela raiz; o cócó não pode ser arremessado se a produção for interrompida. Então, o grupo de intervenção policial entrou na cela e disparou a pistola Taser, que lança uns eléctrodos que conseguem imobilizar directamente o produtor das fezes. Foi o choque geral com o choque dado ao prisioneiro. Parece que a arma manda umas centenas de volts ao corpanzil da vítima, deixando-a sem reacção. Tenho dificuldade em quantificar a magnitude da voltagem que sinto no corpo sempre que oiço o “Engenheiro” Sócrates dizer, que se não fosse ele, o país estaria como a Líbia, mas sem o petróleo. Também eu sinto um certo desfalecimento e ainda não vi ninguém chocado com os choques que levo todos os dias no dorso, com a agravante de nunca ter espalhado sequer uma dedada de fezes na parede do quarto. Ainda ontem me contorci de dor ao ouvir o presidente do Supremo Tribunal de Justiça insistir na "destruição imediata" das escutas telefónicas do processo Face Oculta que envolvem o primeiro-ministro. Apesar de existirem escutas incriminatórias, há que destruí-las para que o “Engenheiro” nos possa dizer que nos salvou de ser uma nova Líbia, mas sem o petróleo. Ao menos o prisioneiro ainda se pode divertir a arremessar com os pratos ou a caca à cabeça dos agressores. O que me apetecia pegar em pratos sempre que levo eléctrodos lançados pelo sorriso da Ministra da Educação falando nas virtudes do ensino de sucesso em Portugal. Um choque dado pelo disparo do “Taser” não tem o efeito prolongado da azia que nos acompanha desde há alguns anos. Deve ser desconfortável durante uns segundos, mas nos segundos seguintes já se pode voltar a dar largas à veia rupestre. E é nisso que peca o Taser. Bom, bom, seria terem inventado um Taser com efeito de imobilização por tempo (in)determinado. Quantos pais de filhos adolescentes, não desejaram já imobilizar o rebento durante a “idade do armário” e só o reanimar durante a fase adulta? Que aliviador seria, lançar os eléctrodos em direcção aos personagens que nos governam e deixá-los ali, sem acção, até…aparecer alguém competente. Certamente estaríamos a salvo de mais borradas feitas nas paredes do nosso quotidiano. Parece que a medida foi aplicada na Bélgica e descobriu-se que o país funciona melhor com o governo…imobilizado. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-5658201270676985888?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/5658201270676985888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=5658201270676985888' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5658201270676985888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5658201270676985888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2011/03/para-quando-um-taser-de-efeito.html' title='Para quando um Taser de efeito prolongado?'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-6187160072935474533</id><published>2011-02-06T13:53:00.000-08:00</published><updated>2011-02-07T13:19:00.813-08:00</updated><title type='text'>A Guerra...</title><content type='html'>Eis uma reportagem que ilustra o lado rude da guerra. O Calor, o cheiro da morte, o silêncio interrompido pelo grito do moribundo. Sem efeitos holliwoodescos, ou actores espampanantes, a guerra crua e dura. Por azar  o meu pai  comandava aquela companhia debaixo de fogo... &lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="360"&gt;&lt;param name="movie" value="http://sic.sapo.pt/online/flash/playerSIC2009.swf?urlvideo=http://videos.sapo.pt/erpjZaQrMwlpbeTq4kOj/mov/1&amp;Link=http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/Reportagem+SIC/2011/2/a-emboscada-e-a-guerra-colonial06-02-2011-22463.htm&amp;ztag=/sicembed/info/&amp;hash={29E6AEC0-D992-47D3-AEA4-3489AAE4DC81}&amp;embed=true&amp;autoplay=false"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://sic.sapo.pt/online/flash/playerSIC2009.swf?urlvideo=http://videos.sapo.pt/erpjZaQrMwlpbeTq4kOj/mov/1&amp;Link=http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/Reportagem+SIC/2011/2/a-emboscada-e-a-guerra-colonial06-02-2011-22463.htm&amp;ztag=/sicembed/info/&amp;hash={29E6AEC0-D992-47D3-AEA4-3489AAE4DC81}&amp;embed=true&amp;autoplay=false" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="480" height="360"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-6187160072935474533?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/6187160072935474533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=6187160072935474533' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/6187160072935474533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/6187160072935474533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2011/02/guerra.html' title='A Guerra...'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-2563956340377727231</id><published>2011-01-26T13:12:00.000-08:00</published><updated>2011-01-26T13:18:16.296-08:00</updated><title type='text'>E Alcanena aqui tão perto…</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TUCPjhQ4Y0I/AAAAAAAABbc/LwYctnJtvIY/s1600/PiscinasMunicipais09.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5566606979817300802" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TUCPjhQ4Y0I/AAAAAAAABbc/LwYctnJtvIY/s320/PiscinasMunicipais09.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há muito que precisava de um bom motivo para deixar de ir à piscina. Todos os ortopedistas, reumatologistas e outros “gistas” do género, aconselham que o acto da submersão faz bem à saúde; que tira as dores nas costas; que as articulações funcionam melhor; que faz bem à depressão; que tira os germens da pele; que combate a osteoporose; que até deixa os dentes mais brancos. Sempre questionei essa teoria, por achar estranho que uma actividade tão chata, possa fazer tão bem. Tentando pôr de lado o cepticismo, continuei a submeter-me, dia após dia, a essa penitência aquática da contagem de azulejo. Finalmente, alguém se lembrou de mim e facultou-me o empurrão que me faltava para me afastar do líquido de uma vez por todas. Fui carregar o cartão das entradas e a senhora do balcão disse-me, um pouco a medo, que agora eu tinha de pagar mais uma taxa de inscrição anual de 9 euros no caso de querer comprar mais do que uma entrada. De princípio fiquei baralhado. Em qualquer loja, quando um tipo quer mais quantidade, tem maior desconto(?). Aqui não. Uma entrada não paga taxa; muitas entradas já pagam taxa. Estava eu a ver se percebia esta mirabolante teoria comercial com um pensamento do tipo “mas,…mas,…mas…” quando a senhora simpática me disse que agora, como era uma empresa municipal uma tal de “Turriespaços” que geria os espaços desportivos, as regras tinham mudado e venha de lá a tal taxa. Aliás, existe coerência nisto; a taxa faz parte do código deontológico de qualquer empresa municipal . Ainda me lembro a cara que fiz e o vernáculo que utilizei quando vi a magnitude de imposto anual que tinha de pagar pela minha casa. Perante a expressão de admiração e alguma azia, a senhora do balcão remeteu-me para o responsável das piscinas e eu lá fui falar com ele, aliás, congratulá-lo porque me tinham mostrado finalmente a luz, a luz do “não, não quero mais disto!”. Explicou-me que aquela taxa, representa um seguro para os utilizadores frequentes e é obrigatória. Descobri que não quero ser utilizador frequente, apesar dos médicos dizerem que um tipo deve utilizar frequentemente a piscina. O pagamento de taxas não pode fazer bem à saúde, principalmente quando a taxa não é sobre coisas agradáveis de se fazer. Uma taxa sobre o arroz de cabidela faria mais algum nexo. Agora, uma taxa sobre algo, já de si, tão penalizador, isso é demais. A partir de agora quero ser apenas frequentador não frequente; ou antes, o menos frequente possível. Agradeço desde já à empresa municipal por ter tornado possível o fim do meu castigo enquanto frequentador assíduo da piscina. Parece que esta é a tal empresa que irá receber da câmara municipal a quantia de 1 milhão e 600 mil euros para fazer face às despesas deste ano. O incremento de um irrisório milhão comparativamente à despesa do ano anterior. Faz todo o nexo, a empresa recebe mais um milhão e pede mais uma taxa ao utilizador. É dinheirinho bem gasto, sim senhor! Tudo o que sirva para evitar que eu tenha de calçar o chinelinho de dedo, enfiar a touca na cabeça e engolir pirulitos, é bem vindo. Chega mesmo a ser consolador saber como a Câmara Municipal estoira o IMI da minha casa, o imposto do meu carro e ainda me consegue pedir mais uma taxa para eu ficar seguro. Seguro de quê? Das taxas surpresa…&lt;br /&gt;Mas agora fiquei lixado, porque me disseram que nas piscinas em Alcanena só cobram 10,54 euros mensais para utilizar o líquido sempre que se quiser. Nem uma taxazita extra por ser utilizador frequente? Nem limite de tempo? Então e os custos de manutenção, do pessoal, do aquecimento da água? Quando acalentava a esperança de largar o líquido de vez, vêm-me estes tipos dizer que eu até posso ser frequentador assíduo. Os 18 euros que pagaria por 10 entradas ou 40 euros por 30 entradas em Torres Novas, mais os 9 euros de taxa é que são valores compatíveis com o abandono por justa causa. Agora 10,54 euros por 30 dias de utilização, isso não se faz….já não tenho desculpa. Não sei o que passa na cabeça dos responsáveis da CM de Alcanena. Essa bizarrice de colocar os espaços desportivos ao serviço da população a preços convidativos. Atendendo às filas intermináveis para se poder utilizar a piscina, dever-se-ia adoptar uma estratégia de selecção, do tipo inventar taxas para segurar qualquer coisa. Esta é a mesma Câmara onde as pessoas podem, vejam bem, utilizar a pista de tartan sempre que quiserem, sem pagar uma taxazita. São os mesmos que criaram, há uns anos, aulas gratuitas de ginástica para idosos. Os tais que não destruíram a piscina de verão, para que a rapaziada continue a escapar, para lá se divertir quando faz calor.&lt;br /&gt;Resignado, entregue ao infortúnio, vou ter de voltar a fazer o saco, com o chinelinho e todo o material necessário à penitência, e rumar contrariado para colocar as ventas no líquido, nas piscinas de Alcanena… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-2563956340377727231?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/2563956340377727231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=2563956340377727231' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2563956340377727231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2563956340377727231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2011/01/e-alcanena-aqui-tao-perto.html' title='E Alcanena aqui tão perto…'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TUCPjhQ4Y0I/AAAAAAAABbc/LwYctnJtvIY/s72-c/PiscinasMunicipais09.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-4344199488220691654</id><published>2011-01-26T13:10:00.000-08:00</published><updated>2011-01-26T13:12:06.575-08:00</updated><title type='text'>Como espalmar a actualidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fui agarrado pela rotina do “Pai que leva a filha ao jogo” trocando o aconchego do travesseiro, pelo traseiro sentado na gélida bancada do pavilhão. Estava eu a fazer de Cheer Leader juntamente com os outros pais, quando chegou o meu amigo João. Cumprimentou-me e pediu-me o jornal. Achei estranho. Quando pensava que me iria dar o seu apoio na claque dos pais empenhados, que comentaria comigo a prestação fabulosa da minha filha a tentar correr atrás da bola, verifiquei que trocou essa tarefa pela leitura do Diário de Notícias…?... Continuei a ver as miúdas a tentar concretizar com algum sucesso a árdua tarefa de colocar a enorme bola dentro do pequenino cesto, fazendo um esforço para não me revoltar com o criador deste desporto quase masoquista, que, para além da abertura quase microscópica do cesto que inventou, ainda o colocou a mais de 3 metros do solo, mesmo para fazer sofrer os pais. Quando terminou o 2º período, olhei em busca das notícias do jornal e nada. O João continuava ao meu lado , mas o jornal tinha sumido. Perguntei-lhe pelo jornal e ele apontou com o indicador na direcção do seu traseiro. Por momentos pensei que ele tinha utilizado as folhas do mesmo, para uma leitura fisiológica, mas, ao ver o bordo da página 37 a sair junto às calças do meu amigo percebi. Ele já tem a graduação superior da licenciatura “Pai que leva os filhos aos jogos”, conseguida por inúmeros campos de futebol arejados do distrito e arredores. A longa experiência adquirida em bancadas gélidas já lhe forneceu mecanismos de defesa para o não enregelamento dos glúteos. É certo que as folhas espalmadas do meu Diário de Notícias pediam clemência, mas a bunda do João, essa, estava mais quentinha do que a minha. Quando me viu a olhar para o meu pobre jornal com uma expressão de admiração, riu-se e perguntou-me se não conhecia a técnica. Não conhecia, mas fiquei a conhecer e “Agora passa para cá as páginas do desporto, que eu também quero a bunda quentinha!”. Ainda pedi mais páginas para o outro pai que tiritava ao meu lado, que se contentou com a secção dos classificados. Estávamos ali os três sentadinhos em cima das folhas do jornal e, por momentos, dispersei a minha atenção do jogo, para as notícias espalmadas entre o traseiro e a bancada. Na realidade eu estava sentado em cima da entrevista do treinador do Porto sobre o árbitro que irá apitar de forma tendenciosa o próximo jogo da sua equipa e a crise do meu Sporting que tarda em encontrar um novo rugido. Apesar do meu rabo estar relativamente mais quente, não consegui deixar de cobiçar o jornal do próximo. E, foi com um sentimento de alguma inveja, que pensei se a bunda do João não estaria mais quentinha. Ele tinha ao alcance da sua badana toda a efervescente actualidade política do nosso país . Começava pelo final da campanha eleitoral com Cavaco Silva a querer…(vejam bem)…”fazer voltar os tempos de credibilidade”. Eh,eh,eh. O tal que disse ter alertado repetidamente para a situação caótica do país. A primeira dama será testemunha das vezes que ele lhe sussurrou, ao deitar, repetidas vezes que o país tinha de mudar. Alegre denuncia “batota” do candidato da direita; Alegre um homem íntegro, sem batota ou contradição implícita; o homem que tanto insulta os amigos como lhes dá uns abraços e beijinhos na testa. “Dirijo-me à classe média e a todos aqueles que pagam os seus impostos” dizia Alegre na campanha alegre, tendo sido interrompido no momento em que se preparava para dizer “a essa classe média que o meu partido aniquilou, eu quero dizer que eu estou com vocês…e com o meu partido, e com todos os partidos que me quiserem…” . Quando lerem esta crónica já um dos dois terá a bunda quentinha sentada na poltrona do palácio de Belém sem ter recorrido ao aconchego de um jornal diário. Eu continuo aqui com alguma inveja por o meu amigo estar sentado em cima do Cavaco, do Alegre e daquele rapaz do PS, o Sérgio Pinto, muito elogiado por contrariar o voto do seu partido que tinha deliberado pela penalização a sério dos alunos violentos. Um rapaz de coragem por ir contra o aparelho partidário e decidir opor-se a uma das poucas decisões lúcidas deste governo. É preciso coragem e pontaria…eim? À falta de melhor tenho de me contentar em sentir algum calor com as notícias do desporto. Não posso continuar a invejar o potente calorífico arranjado pelo meu amigo, que até tem a possibilidade de aumento de potência com a notícia de que “Portugal aguenta juros de 7% por uns tempos” acompanhada pela fotografia de Teixeira dos Santos…como eu gostaria de colocar a bunda em cima daquilo…ou daquela aquisição de 2655 viaturas para o estado, no valor de 35 milhões de euros…(?)…alguns dos quais me retiraram este mês do ordenado.&lt;br /&gt;O jogo da minha filha terminou e a cachopa lá conseguiu a enorme proeza de meter uma vez a bola dentro do cesto. No próximo encontro, já não me deixo enganar. Vou trocar o Diário de Notícias, pelo volumoso Expresso. Assim não corro qualquer risco de enregelamento das carnes traseiras, ao mesmo tempo, que me sento com firmeza em cima da nossa deprimente actualidade política. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-4344199488220691654?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/4344199488220691654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=4344199488220691654' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4344199488220691654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4344199488220691654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2011/01/como-espalmar-actualidade.html' title='Como espalmar a actualidade'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-3521379330062390100</id><published>2011-01-04T09:20:00.000-08:00</published><updated>2011-01-04T09:22:52.180-08:00</updated><title type='text'>Década "Dodot"</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TSNXXQMlVRI/AAAAAAAABa0/5woMX-MvWPI/s1600/dodot.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5558382422101677330" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TSNXXQMlVRI/AAAAAAAABa0/5woMX-MvWPI/s320/dodot.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca fui muito de fazer balanços de épocas. Também nunca me prendi ao conceito de década. No entanto, tenho de admitir, que às vezes dá jeito esse agrupamento dos 10 longos anos numa única década. Já os tipos que inventaram o sistema decimal pensaram nisso. Não precisa de se dizer o que fez ano a ano, podendo-se resumir as sensações que, de uma forma geral, se teve nessa década. Quando falamos por exemplo na década de 60, vem-nos à memória a loucura musical dos Beatles, o movimento hippie, a chegada do Homem à lua, a luta de Martin Luther King contra a segregação racial americana. Para nós portugueses, a década de 70 ficou fortemente marcada pelo fim das guerras Coloniais e a revolução de Abril. Poderíamos ir por aí fora encontrar traços marcantes de evolução em cada época, facilmente identificáveis. Acontece que, num exercício de memória resumida, decidi avançar um pouco mais e pôr-me a pensar sobre os aspectos relevantes desta última década que vivemos, a tal década 10. Para me facilitar a vida recorri ao método infalível das dietas milagrosas de emagrecimento do telemarketing do “Antes” e “Depois”. Basicamente a ideia seria pensar no que era o país há 10 anos atrás e no que se transformou até hoje. Pensei, pensei muito, voltei a pensar mais um bocadinho e consegui resumir a década, num termo também ele resumido:”Uma bela trampa”. Pensarão incrédulos alguns leitores, “Mas, mas,… trampa, não é aquilo que os bebés fazem à bruta na fralda quando são pequeninos?”. É isso mesmo, “aquela massa viscosa, acastanhada e nauseabunda, produzida por intestinos revoltados pelos leites com suplementos vitamínicos”. “Não achas que estás a ser demasiado rude? A década não foi assim tão acastanhada e malcheirosa; Olha! Foi nesta década que nasceu o filho do Ronaldo, por exemplo…ou que o Mourinho ganhou a 2ª Liga dos Campeões, foram bons acontecimentos…”. Para explicar melhor como cheguei à “Bela trampa”, teremos de passar um breve olhar pelos indicadores de desenvolvimento social e humano: Esta foi a década da impunidade na justiça, em que todos os arguidos se riem e se escondem debaixo de processos sem fim …à vista. Foi a década da multiplicação de ladrões e homicidas, que perceberam a anedótica segurança do país. Foi a década em que a escola passou de um local de ensino para um local de bandalheira e de degradação de valores educativos fundamentais. Foi a década do desemprego e do emprego trimestral …a recibos verdes. Foi a década das virtudes das novas tecnologias, da educação sexual com acesso gratuito a sites pornográficos, por miúdos que não sabiam o que era a vagina, mas ficaram a saber como se faz sexo anal acompanhado de gemidos “Isso,isso,isso”. Foi a década da pouca-vergonha política, da mentira gratuita, dos favores às claras. Foi a década das dívidas, que ninguém paga, nem quer saber quem paga. Foi a década de afogar os contribuintes em impostos, reduzir-lhes os salários e aumentar-lhes de forma obscena todos os bens de consumo. Foi a década da falta de respeito pelo próximo, onde qualquer miúdo pode chamar um idoso de “Ó velho!” sem levar dois tabefes na fronha. Como poderemos então resumir esta década senão como “Uma Bela Trampa”. Não é rude; é adequado. Até coloquei lá a “Bela” para amenizar o choque. Mais rude poderiam soar sinónimos como “Uma bela merda”, “uma bela defecação”, “uma bela bosta”, “Um belo esterco”. Achei que ficaria aqui melhor a trampa. Quer dizer a mesma coisa, ou seja, “Massa viscosa, acastanhada, com cheiro nauseabundo” , mas não soa tão mal. Pensando bem, deveria soar mal. Soar mesmo muito mal, para que se perceba a magnitude da trampa que representou esta década em termos sociais. Mas o que mais me incomoda, a par com o cheiro, é o facto dos responsáveis não admitirem com coragem os dejectos que produziram. O bebé, quando faz, admite logo; até faz um sorriso. Depois chora, para que lhe limpem o rabo. E deverá ser este, agora, o ponto de partida. A minha atitude é positiva, na esperança de que esta década que aí vem, se possa chamar de “Década Dodot”. Não a associada às fraldas, esse objecto que apenas serve para esconder a trampa e ser escondido sujo, dentro de uma lixeira. Refiro-me aos toalhetes Dodot, esses sim, têm o condão de limpar e perfumar o rabinho da criança, eliminando toda a porcaria produzida. Gostaria de ver alguém com essa capacidade Dodot, de limpar a trampa deixada durante esta malfadada década. Temo, no entanto, que, tal como os pais se acotovelam empurrando para o outro, a árdua tarefa de higiene “Hoje é a tua vez de limpar”, não apareça ninguém, que dê o corpo ao manifesto e, sem qualquer tipo de pudor, grite de uma vez por todas: “Passem-me os toalhetes! que eu vou limpar toda esta trampa!... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-3521379330062390100?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/3521379330062390100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=3521379330062390100' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3521379330062390100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3521379330062390100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2011/01/decada-dodot.html' title='Década &quot;Dodot&quot;'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TSNXXQMlVRI/AAAAAAAABa0/5woMX-MvWPI/s72-c/dodot.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-4749732742391567346</id><published>2011-01-04T09:18:00.000-08:00</published><updated>2011-01-04T09:20:53.988-08:00</updated><title type='text'>A fábrica dos Monstros</title><content type='html'>Estou em dúvida se devo contar ao meu filho, de uma vez por todas, que o Pai Natal não existe. Mas o miúdo faz sempre cartas com muitos desenhos para o senhor da barba branca. Custa-me dizer-lhe que o senhor afinal não existe. Sinto que estou a alimentar um falso mito, o que nesta época, triplica a magnitude do pecado. Mas o que é querem? Gosto de estimular esta capacidade das crianças acreditarem que existe um personagem, com o qual nunca falaram, e lhes oferece generosamente bonecos da playmobil. Já me esqueci do choro convulsivo da minha filha quando descobriu que o Pai Natal, afinal era o… Tio no Natal. Tivemos mais de uma hora a tentar explicar-lhe as virtudes da crença em figuras imaginárias,…”Mas todas as minhas amigas diziam que o Pai Natal não existia e eu quase andei à chapada para defender o senhor imaginário…para isto?!” dizia a rapariga soluçando. Tinha razão. Não se faz. Desta vez, fui um pouco mais contido na hora de contrapor quando o miúdo chegava a casa a dizer que os colegas lhe garantiam que o Pai Natal não existia. Utilizava a estratégia infalível: Nunca dizendo que sim; nunca dizendo que não. Desta vez o cachopo superou-se nas qualidades gráficas e fez uma carta que mais parecia uma serigrafia de um pintor reconhecido. Fiquei tão impressionado, que me apeteceu logo providenciar os pedidos aí expressos…De entre os 4 pedidos, sobressaía um que me deixava com a pulga atrás da orelha: Uma Fábrica de Monstros. Mas quem, no seu juízo perfeito, quer vender às criancinhas uma fábrica de monstros? Os Monstros foram criados, precisamente para afugentar as criancinhas do perigos do mundo. “Não fujas para muito longe que ainda aparece o Monstro da floresta!”, “não mergulhes nas barragens que ainda és comido pelo Monstro das profundezas!”, “não te afastes do pai que ainda és levado pelo Monstro da multidão!”. Agora, os cachopos para além de não terem medo de monstros, até os querem produzir. Eu acho que a culpa foi do Monstro das Bolachas, um monstro azul bonzinho e amaricado, amigo do Egas na Rua Sésamo. Monstro que se preze nunca come bolachas, quanto muito come criancinhas enquanto estas comem bolachas.&lt;br /&gt;Felizmente, nunca cheguei a perceber o que era a fábrica de monstros…até ontem, na noite de Natal. O miúdo abriu o presente e lá vinha a fantasmagórica fábrica. Não fui eu o responsável! Quando muito o Pai Natal, ou a Tia, que faz sempre de Mãe Natal, resolvendo os desafios mais difíceis colocados pelos desenhos das crianças. E aquela unidade industrial era mesmo sofisticada: os monstros vinham embrionados em cápsulas, para serem injectados para dentro de umas formas que lhes davam o aspecto terrífico e gelatinoso. O objectivo depois de se fabricarem os monstros? Mandar os monstros à parede e rebentá-los com os pés. Um verdadeiro momento de fraternidade natalícia: Nascimento de Jesus, paz, amor e monstros desfeitos à pisadela nas alcatifas e tijoleiras da casa. O criador desta pedagógica brincadeira foi, decerto, traumatizado pelo monstro da floresta e nunca viu a Rua Sésamo. Decidiu vingar-se de forma gelatinosa dos monstros na noite de Natal. Aproveitou e vingou-se também nos pais. Inverteu a dinâmica da história. Agora seriam os pais aterrorizados pela chegada do Monstro das Alcatifas. “Oh pai, olha que se não te portas bem, esmago aqui o Monstro verde em cima do sofá novo do escritório!” … “O monstro verde, nããão!...” .&lt;br /&gt;Quando o miúdo se preparava para iniciar a preparação dos Monstros, percebeu que a sofisticação precisava de 4 pilhas das grandes para dar vida à destruição gelatinosa. “Pai, podes ir outra vez à loja dos chineses comprar pilhas, como fizeste para o meu robot, aquele que utilizei durante 3 dias?”. Para o robot que fazia barulho ainda vá, agora para o Monstro que mudará a tonalidade do sofá novo, vai ter de esperar…quem sabe até ao próximo Natal…Isto se, entretanto, não me der um ataque de honestidade desmancha-prazeres e contar de uma vez por todas que o Pai Natal não existe. Quando muito, que existem uns Monstros maléficos, que dão trincadelas nas orelhas das crianças que sujam os sofás lá de casa…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-4749732742391567346?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/4749732742391567346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=4749732742391567346' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4749732742391567346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4749732742391567346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2011/01/fabrica-dos-monstros.html' title='A fábrica dos Monstros'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-3913324776834389127</id><published>2010-12-22T06:57:00.000-08:00</published><updated>2010-12-22T07:01:34.127-08:00</updated><title type='text'>A pevide</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TRISdt4LswI/AAAAAAAABYg/D-F0Jx2GrkI/s1600/pevides.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 274px; DISPLAY: block; HEIGHT: 184px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553521592241992450" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TRISdt4LswI/AAAAAAAABYg/D-F0Jx2GrkI/s320/pevides.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;À noite, sentado no sofá , o chamamento persistente vindo do interior do frigorífico, não me deixa em paz. Os iogurtes de frutos silvestres  gritam. “Anda! mete uma colher aqui dentro e leva-me em direcção do teu esófago!”; o paio de York sussurra “Já me imaginaste dentro daquele pão estaladiço de Rio Maior?”; o queijo de Nisa contorce-se “eu, cortadinho com uma faca, marchava em menos de um fósforo…”. Continuo firme no sofá, tentando não me render às vozes do pecado gastronómico. Sei que o meu metabolismo de meia idade, não consegue dar vazão a tanta ingestão calórica, a uma hora na qual todos os nutricionistas e agentes da saúde alimentar defendem que só deveríamos ingerir um chazinho e 3 bolachas Maria. Não resisto. Levanto-me do sofá e abro a porta do frigorífico. Estava consumada a tragédia de reforço das minhas adiposidades abdominais. A arrotar o paio e o queijo de Nisa, o peso na minha consciência é atenuado com um desculpabilizante “foi só hoje…”. Mas todos os dias existem iguarias que tratam de nos atazanar o descanso digestivo nocturno. Foi então que descobri as pevides. Esse fabuloso alimento, que demora 8 vezes mais tempo a descascar do que a comer. Era disso que o meu organismo precisava; um alimento “bricolage”. Muito trabalho de dedos, pouco trabalho de mandíbulas. E aquilo entretém, tal como o croché ou as paciências. Para se comer 10 gramas de pevides, está-se ali pelo menos meia hora a dar à unha. E, enquanto se está a dar à unha, os iogurtes de frutos silvestres e os chocolates Milka, não nos chateiam a cachimónia. Apesar dos defensores da alimentação saudável atribuírem às sementes de abóbora, propriedades extraordinárias no combate ao cancro da próstata e outras doenças, para mim as pevides são apenas o meio de saciar o apetite sem recorrer ao paio de York.&lt;br /&gt;Depois de ter ingerido todo o stock de pevides, decidi ir comprar mais. Procurei na secção de frutos secos do hipermercado e lá estavam elas. Um saquito de pevides, muito pequenino, pelo preço de 2 euros. Olhei para a retaguarda do pacote e vinha escrito “Made in China”,…made in china? Até as pevides, que raio?... Já sabia que os carros telecomandados dos meus filhos, que se avariam aos primeiros estampanços contra as paredes, vinham da China. O que nunca supus, foi que chegássemos ao ponto de nos vermos obrigados a importar pevides do outro lado do mundo. A pevide deveria servir de indicador de desenvolvimento de uma nação. Um país que não tem competência para produzir as suas próprias pevides, não tem qualquer hipótese de sobrevivência. Qual a tecnologia de ponta necessária para a produção de pevides? Abrir abóboras, retirar as sementes, deixá-las secar e salgá-las. Difícil? Mais difícil é descascá-las, comê-las e não correr para o frigorífico em busca do queijo de Nisa. Andamos todos em busca das novas tecnologias da informação, quando deveríamos procurar os motivos para que se tenha de importar pevides da China. A pevide representa o que de mais profundo pode representar uma economia autosustentada. Materializa a ideia de aproveitar tudo o que a natureza pode dar. Faz-se sopa de abóbora e secam-se as pevides para servir de alimento. Nada se desperdiça; tudo se utiliza. Todas as actividades de subsistência vão a definhar. Termos de importar peixe, trigo, fruta e pevides do estrangeiro, deixa-nos prisioneiros de outros. Eu sei que os produtores do paio de York e dos queijinhos de Nisa, deverão achar bem que se mandem as sementes de abóbora para o lixo. Eu acho mal. As minhas adiposidades também acham mal. Com as pevides na mão, consigo acompanhar um filme inteiro sem ouvir os chamamentos provenientes do frigorífico.&lt;br /&gt;Desta vez, não consegui comprar pevides vindas da China. Na hora do filme nocturno, continuei a ouvir um sussurro desesperado. Sem as pevides na despensa, tive de me render a umas fatias do queijinho de Nisa. O que vale é que foi só hoje...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-3913324776834389127?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/3913324776834389127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=3913324776834389127' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3913324776834389127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3913324776834389127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/12/pevide.html' title='A pevide'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TRISdt4LswI/AAAAAAAABYg/D-F0Jx2GrkI/s72-c/pevides.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-7199735796836600943</id><published>2010-11-27T14:35:00.000-08:00</published><updated>2010-11-27T14:39:48.959-08:00</updated><title type='text'>A minha experiência no cilindro nuclear</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TPGIqoqC4_I/AAAAAAAABX4/y5yoZKvsdn0/s1600/ressonancia-magnetica-atm2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5544362882319442930" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TPGIqoqC4_I/AAAAAAAABX4/y5yoZKvsdn0/s320/ressonancia-magnetica-atm2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tive de fazer uma ressonância magnética. Talvez existisse coisa mais interessante de partilhar com os leitores do que a minha ressonância magnética, mas apeteceu-me. Era isso ou dizer mal da situação financeira do país. Também poderia falar do esfregão amarelo e verde com que lavo a loiça, mas a relevância da ressonância pareceu-me mais adequada. O que se trata é de partilhar a minha primeira experiência dentro daquela máquina utilizada frequentemente por jogadores de futebol de renome sempre que levam uma canelada mais forte na tíbia. Lá arranjei uma mazela, daquelas difíceis de descobrir, mesmo para ter direito a dizer, que tal como o Cristiano Ronaldo, também eu tinha feito uma ressonância magnética. É o óbvio enriquecimento do currículo ortopédico de um tipo. Temos de admitir que o nome é espalhafatoso; impressiona quando se ouve. Tem muito mais impacto do que dizer “Olha fui ali fazer um Raio X!”. Raio X toda a malta faz. Até lembra a visão apurada do Super-Homem. Agora, a tal da ressonância, ainda por cima magnética e nuclear, isso é só para alguns. Parece que aquilo é caro como raio (não o X) , o estado comparticipa um balúrdio, e os médicos, com medo que o estado lhes dê tau-tau, só passam a receita quando nos mandamos para o chão a chorar ou padecemos de convulsões com perda de consciência. Lá fui eu orgulhoso com o ingresso na mão que me dava direito a entrar na magnética experiência. O senhor recebeu-me com a delicadeza duma hospedeira aérea mediante um passageiro da classe executiva. Vê-se logo que isto é outra coisa! Pensei . Só faltam as gambas e os canapés. Isto não é só meia bola e força. Não basta dizer “Encha o peito de ar! agora não respire! E já está”. Na ressonância magnética existem procedimentos a explicar com mais calma. Como se colocar dentro daquele cilindro; quanto tempo demora; até nos dão uma campainha para tocarmos no caso de nos dar uma enorme vontade fisiológica, de pretendermos uma massagem oriental ou de sermos assaltados por um ataque de pânico…qual pânico? Quando o senhor me falou no ataque de pânico eu fiquei de pé atrás, ou seja, com um ataque de pré-pânico. Não percebi como se pode ter pânico nesta executiva experiência. Quando a cama amovível me levou as narinas para dentro do cilindro apertado, aí comecei a perceber. É que o espaço entre o meu proeminente nariz e o plástico nuclear era quase tão próximo como uma chave no buraco da fechadura. “O senhor vai manter os braços por cima da barriga e não se pode mexer durante o exame.” Mesmo que eu quisesse mexer não haveria grande espaço. O exame começa e lá estou eu apertadinho e quietinho a pensar nos filmes de Stephen King(?)… Naquela posição inerte e compactada com os bracinhos cruzados sobre a barriga, só me vinha à cabeça a experiência de um indivíduo enterrado vivo numa urna…nuclear. Mas a experiência fabulosa não ficava por aqui. Começou o ruído; o raio do ruído que me estremecia os tímpanos. Junta-se assim a sensação da urna debaixo da terra, com a terra de betoneiras industriais por cima da cabeça. “Pode fechar os olhos se quiser” dizia-me o atencioso técnico. Querer eu até queria, mas é impossível um tipo dormir com obras no andar de cima. Continuei a aguentar firme sem querer pensar muito na comichão que me poderia dar na ponta do nariz. Parece que a comichão queria aparecer nos meus pensamentos. Não te podes coçar, nem tão pouco levantar a cabeça. Espera que só faltam mais 20 minutos…. A voz do senhor tentava amenizar a comichão que eu não podia ter, mas que só pensava em ter: “Já falta pouco; já cumprimos a primeira parte do exame!” . Mas, mas,…o exame é composto por quantas partes? Tentei entreter-me com outros pensamentos e só me vinha à cabeça a situação financeira do país, sobre a qual não tinha nenhuma vontade de pensar. “Pensa antes na comichão do nariz!”. Mas era tarde demais; já tinha feito o paralelismo daquela sensação de compactação sem poder mexer a pestana nem conseguir dar um murro em ninguém, com a nossa experiência económica. Está um tipo a suar na urna, com o nariz encostado na madeira, acalentando a esperança que nos venham desenterrar e mandam-nos com a chinfrineira da 3ª ponte sobre o Tejo, do novo aeroporto, do FMI. Socooooorro! Tirem-me daqui! cocem-me o nariz! “Já falta pouco!” Isso também dizia o outro tipo, que depois de nos enterrar, já faltava pouco para sairmos dali…;…até já haviam sinais de crescimento económico, de diminuição do desemprego, de que não precisamos da ajuda de alguém competente….&lt;br /&gt;A ressonância finalmente terminou e com ela acabou a coceira na ponta do nariz. “Vê que não custou nada!” dizia o técnico com o seu sorriso. Pus-me a andar dali, à velocidade de quem escapa com vida a uma experiência aterradora.&lt;br /&gt;De futuro, não escreverei mais crónicas com a relevância desta sobre a minha experiência dentro de uma máquina de ressonância magnética. Da próxima, abordarei a importância da acção do esfregão amarelo e verde na erradicação das nódoas de gordura mais entranhadas no pirex. É que há nódoas mesmo difíceis de limpar… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-7199735796836600943?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/7199735796836600943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=7199735796836600943' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7199735796836600943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7199735796836600943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/11/minha-experiencia-no-cilindro-nuclear.html' title='A minha experiência no cilindro nuclear'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TPGIqoqC4_I/AAAAAAAABX4/y5yoZKvsdn0/s72-c/ressonancia-magnetica-atm2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-7507822182667813323</id><published>2010-11-22T13:22:00.000-08:00</published><updated>2010-11-22T13:25:13.855-08:00</updated><title type='text'>A trela da nossa esperança</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TOrfm_z_y4I/AAAAAAAABXw/YS7-eEGJau0/s1600/obama.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 230px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542488152490363778" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TOrfm_z_y4I/AAAAAAAABXw/YS7-eEGJau0/s320/obama.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imagem retirada da net&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tinha planeado não ligar nenhuma à cimeira da NATO. Achava totalmente desproporcionado, aquele sugadouro de meios numa altura em que toda a malta se debate com falta de…meios. No entanto, num daqueles tempos mortos, dei por mim a assistir à pomposa chegada das “avionetas” dos chefes de estado. E, enquanto uns iam sendo recebidos à chuva por aquele ministro que disse que o TGV era para continuar, outros iam apertando a mão ao Primeiro Ministro e espetando duas beijocas a uma senhora com um vestido de lantejoulas e de farto decote. “E o Obama? Nós queremos é ver o Obama!”. Finalmente lá chegou o Obama dentro do seu Cadillac anti-míssil e José Sócrates correu na sua direcção, qual Branca de Neve ao encontro do seu príncipe encantado. Achei aquilo esquisito. Momentos antes o tipo tinha recebido o Presidente da Albânia com um ténue aperto de mão, como quem recebe um vendedor de enciclopédias, despachando-o célere para os peitos da senhora de lantejoulas. Com o Obama foi diferente; lançou-se nos seus braços sem qualquer tipo de embaraço. “Mas afinal é o Obama…o todo poderoso…Obama o tipo do Yes, We Can”. A rapariga das lantejoulas bem queria deitar a mão ao homem, mas não foi fácil libertá-lo das mãos do outro. Não ouvi o que disseram um ao outro, mas desconfio que entre sorrisos, Obama lançou uma reprimenda ao tipo, por este não ter providenciado um clima mais ameno para a recepção. “Mas ó Senhor presidente, não vê que até lhe fechámos o trânsito na 2ª circular, selámos os caixotes do lixo todos, convocámos toda a polícia de Lisboa e arredores para tirarmos os manifestantes do caminho…”. E os assaltos no Laranjeiro? Que se lixem. Até aumentámos o número de médicos nos hospitais. Para a população? Não, para os chefes de estado, comitivas e manifestantes. Tudo isso valeria a pena para se ouvir o que mais interessava ouvir na cimeira: “O que Obama pensa sobre o nosso país”. Alguém o ouviu dizer alguma coisa sobre nós? Não??? Há que dar tempo ao tempo. Deixem-no instalar, que mais tarde ou mais cedo o homem nos vai tecer largos elogios. Tivemos de esperar algum tempo, para que, durante uma visita ao palácio de Belém, Obama falasse finalmente de Portugal. É agora! Vamos, diz lá alguma coisita agradável, que a malta precisa de elevar a nossa auto-estima. “A minha ligação a Portugal é feita através…” Do quê?... Dos navegadores portugueses? De uma tia avó de Trás-os-Montes? Do Vinho do porto? Do Escritor Saramago? Do investigador Damásio? “…a minha ligação a Portugal é feita através do Bo….”…do… quem?. Alguém me sabe dizer quem é o Bo? Será que queria dizer Bo…lo Rei e engasgou-se com a fava? Ou quereria dizer que Portugal é um país Bo…nito? “ Bo é o meu cão de água de raça portuguesa, o mais recente membro da família.” Acrescentou. Mais nada?...Nem uma palavrinha sobre o nossa deprimente classe política, …o nosso fabuloso bacalhau,….o nosso pujante Sporting… a nossa crise financeira…? Falou-nos do seu cão português e, o que o nosso presidente Cavaco fez?....Abanou radiante o seu sorriso habitual. Eu não sei se fiquei contente ou deprimido. Então o Obama quando pensa em nós, vem-lhe à cabeça o focinho do seu cão gadelhudo. “Epá mas ele estima muito o cão! É sinal que gosta de nós…”. Não sei bem se me agrada. Qualquer dono que se preze tanto faz festinhas no pêlo, como bate com o jornal no rabo depois de um xixi no canto da cómoda. Mas o cão anda sempre pela Casa Branca, é sinal de que tem acesso a uma área onde poucos entram…Também por lá andou a Mónica Lewinski e quase que ia apanhando com o jornal no rabiosque. A imagem do cãozinho a saltar para apanhar a bola de ténis e vir trazer ao dono é tão ternurenta; e às vezes até dá a patinha. É com essa ternura que Obama fala de Portugal ; a ternura de uma bola de ténis lançada ao lago acompanhada por um “busca!”. O abraço magnético de Sócrates a Obama representa essa relação de amizade com o seu melhor amigo. Até lhe ofereceu uma coleira e trela feitas de cortiça portuguesa com uns brilhantes incrustados. A minha esperança em Obama, é que ele use a trela no pescoço certo e na sua plenitude. É que uma trela tanto tem uma função de não deixar fugir, como de puxar o animal e levá-lo para a rua à força. Se o animal não obedecer? Sempre se pode usar o jornal no rabiosque… &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-7507822182667813323?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/7507822182667813323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=7507822182667813323' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7507822182667813323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7507822182667813323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/11/trela-da-nossa-esperanca.html' title='A trela da nossa esperança'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TOrfm_z_y4I/AAAAAAAABXw/YS7-eEGJau0/s72-c/obama.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-5617505139305715479</id><published>2010-10-17T14:49:00.000-07:00</published><updated>2010-10-17T14:54:14.387-07:00</updated><title type='text'>A Arca do José</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TLtwdrmoM3I/AAAAAAAABXY/qEGHcSjDY5w/s1600/300px-Noahs_Ark.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 261px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5529136622750675826" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TLtwdrmoM3I/AAAAAAAABXY/qEGHcSjDY5w/s320/300px-Noahs_Ark.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os tipos encostaram-me à parede. Estou sem grande vontade de ripostar. Sinto-me amorfo e derrotado. Apontaram-me todas as armas que tinham e dispararam sem clemência ou pudor. Um tiro de 2% de IVA num joelho, uma flechada de 3,5% na goelha, um torpedo de 2% no coração. Estava espalmado contra a parede há algum tempo, com esperança de encontrar uma brecha de fuga e os tipos trataram de comprimir o que restava, com um enorme cilindro. O peso das toneladas achata-me o toráx e impede-me de os chamar de gatunos, incompetentes, corruptos, mentirosos, energúmenos, bandalhos, filhos dum cão perneta. Fiquei afónico; não consigo gritar. Achatado pelo peso da redução do ordenado, dos benefícios fiscais, das comparticipações da saúde, dos aumentos de todos os bens que consumo, do pagamento de tudo o que não deveria ser pago, veio-me à cabeça o dilúvio…?...Pensei que, pior do que aquela besta que me comprime a esperança, só a sensação de afogamento provocada por um dilúvio incontrolável. E foi assim, sem espaço para mexer mais do que os olhinhos, que me lembrei da história bíblica da Arca de Noé: “Deus decidiu destruir o mundo por causa da perversidade humana, mas poupou Noé, o único homem justo da Terra, mandando-o construir uma arca para salvar a sua família e representantes de todos os animais e aves.” Mas,…será possível?..., querem ver?... De princípio também eu não queria acreditar, mas começou a fazer-se luz. O homem decidiu criar o seu próprio dilúvio,…Quem, Deus?...Não, o tal de José. Quem, o pai de Jesus, o carpinteiro?...Não, o “engenheiro” José, aquele das frases “Nada de alarmismos”, “Já começámos a retoma económica”, “Somos o país com maior crescimento da Europa”. Apeteceu-me gritar “Ah, essa besta quadrada!...” mas não consegui por causa da falta de ar; o cilindro não dava espaço de manobra ao meu diafragma. O tal José decidiu brincar a Deus e toma lá com um dilúvio na cachimónia do Zé Povinho por causa da perversidade humana. Sim, porque só um povo perverso e disprovido de discernimento consegue eleger duas vezes o mesmo incompetente para tomar conta de si. Mas José não fica contente com o seu curto papel na história. Ele queria um protagonismo maior do que o de criador de um mero dilúvio. Ele tinha de ficar com os dois papéis principais - o de Deus e o de Noé. Afinal, Noé era o único homem justo, e a ele cabia a tarefa de salvar a família e todas as espécies de animais na terra.&lt;br /&gt;Antes tinha de se certificar que toda aquela malandragem que trabalha para ganhar a vida, ficava bem afogadinha , sem dar por ela. A estratégia passa por dizer-lhes que está um sol radioso, para depois, apanhá-los desprevenidos e mandar-lhes uma enxurrada de impostos que os deixe sem possibilidade de meter o nariz à tona da água. O segundo passo é seleccionar criteriosamente quem serão os ocupantes da Arca. O critério principal passa pela ideia de “O mundo à minha imagem”. Seleccionar todos aqueles que têm habilidades semelhantes à sua. Começa pela família e percebe o quanto a família é grande. São os primos e os tios; os amigos do partido que são como irmãos; os filhos e os primos dos irmãos do partido; os amigos dos partidos oponentes que são como primos …ou tios; os filhos e os primos dos primos dos partidos oponentes; os amigos que foram colocados a chefiar as empresas públicas que são como cunhados; os amigos dos cunhados e os filhos destes que são postos em empresas públicas assim que saem das faculdades com média de 10 valores; os deputados e presidentes de qualquer coisa, que são como primos em 2º grau; os ex-deputados e ex-presidentes que acumulam múltiplas reformas vitalícias à custa dos favores dos primos que deixaram lá a resolver-lhes os assuntos. Depois de esgotar todos os irmãos, primos e tios, vem a outra família, a família por afinidade. Todos os que lhe seguem o exemplo na patranha. Os inteligentes que têm rendimentos milionários e os filhos pertencem ao escalão B nas escolas para não pagar os livros; os que andam de carrinhas BMW e recebem o subsídio de reinserção social. Os que compram bens sem os pagar. Esses são como os irmãos de sangue, que terão lugar garantido na Arca. O problema é que o espaço começa a escassear e a Arca não dá para todos. Ainda faltam os carros de luxo e os animais. Como é José quem manda, embarcam-se 20 Mercedes topo de gama e cortam-se alguns animais. Embarcam estritamente as espécies com as quais lhe dá algum prazer conviver. Entram casais de abutres, hienas, asnos, piranhas, tarântulas, varejas, alforrecas e camelos. Pensamos se a Arca não poderia ter pertencido a outro senhor. É certo que outros tentaram, até desbravaram algum caminho. Poderíamos ter tido a Arca do Mário, do Aníbal, do António, do Durão, mas o José, com a sua mania das grandezas, superou-os a todos. Concretiza um dilúvio a sério e arranja forma de se pirar a tempo com os seus primos, Mercedes e alforrecas. De mestre. Eu é que continuo aqui espalmado entre a parede e o cilindro, sem espaço de manobra para um suspiro. Alimento a mórbida dúvida, se quero um fim por esmagamento ou por afogamento. Como pequena consolação, resta-me a imagem da Arca do José deslocando-se em direcção a um Icebergue algures no Atlântico. Se já aconteceu com o Titanic, quem sabe se…. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-5617505139305715479?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/5617505139305715479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=5617505139305715479' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5617505139305715479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5617505139305715479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/10/arca-do-jose.html' title='A Arca do José'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TLtwdrmoM3I/AAAAAAAABXY/qEGHcSjDY5w/s72-c/300px-Noahs_Ark.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-7075844081951362670</id><published>2010-09-24T14:33:00.000-07:00</published><updated>2010-09-24T14:38:52.941-07:00</updated><title type='text'>Fadinha dos Dentes</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TJ0aXW6oR_I/AAAAAAAABWw/K0cnmvV_dqY/s1600/Fada_dos_Dentes!.png"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 296px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5520597706816899058" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TJ0aXW6oR_I/AAAAAAAABWw/K0cnmvV_dqY/s320/Fada_dos_Dentes!.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O meu filho ainda acredita na Fadinha dos Dentes. Acredita piamente e sem reservas. Acha que depois de ser ver privado da dentição, deverá haver alguma alma que o possa ressarcir de tão traumático dano. O dente cai, coloca-o debaixo da almofada e no outro dia o milagre da transformação acontece: o incisivo ensanguentado dá lugar a uma saqueta de cartas Yu-Gi-Oh. Desta vez a coisa não se deu bem assim. A Fadinha teve alguma dificuldade em descobrir as cartas com nome oriental e foi adiando a magia. Todos os dias, o miúdo espreitava para debaixo do travesseiro e nada. A Fada tinha-se esquecido do seu pedido. Expliquei-lhe que talvez não conseguisse encontrar essas cartas e ele, num acto desesperado, reescreveu o seu pedido dizendo “Querida fadinha, se não arranjares as cartas Yu-Gi-Oh, podes meter debaixo da almofada outra coisita qualquer…”. Aquilo emocionou-me. Revelou que o miúdo nem é muito exigente; só queria que o milagre acontecesse, fosse com cartas ou com …uma coisita qualquer.&lt;br /&gt;Estava a ver na televisão um debate sobre a dívida pública. Parece que o país pede por hora ao Banco Central Europeu qualquer coisa como 2,5 milhões de euros, o que dará a arredondada quantia de 60 milhões de euros por dia. Toda a malta ficou admirada com esta dívida brutal e eu não percebo bem porquê. Nós somos o paradigma do país do fiado. Qualquer portuga que se preze tem de dever alguma coisa a alguém. A casa, o carro, a mercearia, as jóias, o plasma, a máquina fotográfica. Assentamos no princípio do “Leve já e pague depois”. O grande drama é quando já se levou e não se consegue pagar. Existem municípios portugueses que se orgulham da obra que empreenderam e depois devem 6.000 milhões de euros a… alguém. E aqui é que entra a história da Fadinha do Dentes. A crença de que surgirá uma criatura mágica que tratará de pagar o que nós devemos. Ao comum cidadão essa crença cairá por terra quando deixar de pagar a prestação e o banco lhe ficar com a casa. Já os grandes devedores, alimentaram a ideia de que alguma fadinha aparecerá algum dia para pagar as dívidas obscenas que foram contraindo. Essa crença também assalta os credores que acreditam receber o dinheiro antes da sua empresa ir à falência. “Epá, hoje consegui um negócio fabuloso com a Câmara Municipal! Vou fornecer gasolina aos tipos nos próximos 20 anos!”…”Mas os gajos já te pagaram os 100.000 euros que te devem?”… ”Não, mas acredito que brevemente venha uma fadinha e mos ponha à noite debaixo do travesseiro”. A ideia de que alguém pagará a nossa dívida é algo que me deixa também com uma certa esperança. Fui no outro dia às compras a um hipermercado e depois do valor que me pediram, tive uma enorme vontade para dizer que a 6ª senhora da fila é que pagaria a minha conta. E o país funciona agora assim. Gastam-se quantias megalómanas esperando que o último tipo da fila pague. Antigamente existia a ideia peregrina de se fazer obra apenas com o dinheiro que se tinha. Agora faz-se obra à custa do dinheiro que outro tem. A par desta notícia dos 60 milhões de dívida por dia, vem a outra de que já ninguém nos empresta dinheiro a não ser o BCE com juros de 4%, que quererá dizer que a fadinha dos dentes terá de pagar mais 2,4 milhões em juros, por dia. As outras instituições financeiras já adoptaram a personagem do Zé Povinho “Queres fiado? Toma!” . À medida que o país vai ficando cada vez mais desdentado, a fadinha dos dentes tarda em colocar o presente debaixo do travesseiro, mesmo que seja apenas uma coisita qualquer. E já que a fada não aparece o que se faz? Arrancam-se os molares sem anestesia…é p’ra desgraça é p’rá desgraça. Daí a despesa pública ter aumentado 2,7%, mesmo depois de todos os aumentos de impostos, despedimentos e congelamentos de carreiras. É que ainda há muito BMW série 7 para abastecer os ministérios… O tipo sabe que a inflação em 2013 terá de aumentar 4%, quando se descobrir que a Fadinha não existe; o tipo sabe que o país vai dar o berro e nem dinheiro haverá para uma saqueta de cartas Yu-Gi-Oh, e o tipo vem dizer “Não é necessário entrar em alarmismos!...”. A minha fadinha dos dentes é o FMI, para vir mandar um pontapé nos dentes do tipo, para ver se o tipo se cala, que já não há pachorra.&lt;br /&gt;O me deixa mais transtornado é que os últimos tipos da fila da caixa, aqueles que terão de pagar todas as imbecilidades que toda esta corja política cometeu ao longo dos anos, poderão ser os meus filhos. A minha quota parte de responsabilidade, foi ter alimentado a história da fadinha dos dentes, colocando debaixo do travesseiro uma saqueta de cartas Yu-Gi-Oh. O Miúdo escreveu um bilhete que colocou na mesinha de cabeceira no dia seguinte: “Obrigado pelo presente, Fadinha dos Dentes”. O Meu filho tem 7 anos...&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-7075844081951362670?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/7075844081951362670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=7075844081951362670' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7075844081951362670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7075844081951362670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/09/fadinha-dos-dentes.html' title='Fadinha dos Dentes'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TJ0aXW6oR_I/AAAAAAAABWw/K0cnmvV_dqY/s72-c/Fada_dos_Dentes!.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-887378197288973081</id><published>2010-08-31T15:20:00.000-07:00</published><updated>2010-09-01T07:10:52.284-07:00</updated><title type='text'>A crise da meia-idade</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TH2BzaAq0eI/AAAAAAAABWY/ACPQq2zQJxg/s1600/Satellite.gif"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 316px; DISPLAY: block; HEIGHT: 237px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5511704239126794722" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TH2BzaAq0eI/AAAAAAAABWY/ACPQq2zQJxg/s320/Satellite.gif" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imagem retirada da net&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava aqui a pensar na crise da meia-idade que ataca o homem numa determinada altura da sua vida, levando-o a sair de casa à procura de tabaco e encontrar amantes 20 anos mais novas do que ele. O macho começa a temer pelas suas reservas de testosterona e decide desbaratá-las antes que seja tarde de mais. É altura para mandar tudo às malvas e enfiar-se na discoteca até às tantas, percorrer todas as estâncias de Ski dos Alpes, viajar pelas praias do Brasil mais movimentadas. À primeira vista, um tipo fica baralhado com a classificação de “crise”…(?). Numa crise vulgar, um tipo desce sempre para um patamar inferior: na crise financeira um tipo perde dinheiro; na crise da vesícula um tipo tem umas dores do catano; na crise empresarial um individuo perde o seu emprego; na crise da meia-idade um homem ganha o que sonhava ter com 20 anos : uma mulher de 25 e uma conta bancária de 50. Já ouvi alguém dizer que em linguagem informática representa uma espécie de up-grade; uma troca entre o velho e gasto sistema operativo por um sistema cheio de virtudes e energia renovada. Não sei bem aos quantos anos aparece a meia-idade. Fala-se dos 50, mas isso são os inebriados optimistas que esperam chegar aos 100 a comer todos os dias carradas de emulsionantes, conservantes e pesticidas. Basicamente, corresponde à idade em que o homem se perde na comparação das coxas com celulite e as mamas descaídas da mulher que tem em casa, com as coxas firmes e os bustos espetados das jovens que passam na rua. Aquilo é de mais para o seu sistema hormonal, apesar de arranjar justificações no desgaste emocional do casamento, na falta de diálogo, nas rotinas diárias, nas pulgas dos cães, na educação dos filhos. O que o cinquentão quer mesmo, é pôr as mãos noutra mulher que não a sua. Existem mesmo indivíduos que prolongam a crise da meia –idade, até à idade geriátrica. Estava a folhear uma revista e olhei para a imagem de um tipo com 75 anos agarrado a uma mulher de 20. Quando diziam que não se tratava de avô e neta, a imagem incomodou-me. “Mas incomodou-te porquê?” perguntarão alguns. “O tipo é que a sabe toda! A mulher tem tudo no sítio. Já viste bem aquele par de pernas?” . As pernas de facto não eram desprezíveis, a minha dúvida é o que pensará uma mulher com umas pernas daquelas, entrelaçadas num avô daqueles?”. Depois de uma primeira análise à luz do pensamento masculino do “Estes gajos é que são espertos”, penso um pouco melhor e chego à conclusão de que não é inteligente um tipo querer retroceder a uma idade pela qual já passou há muitos anos, quando já não se tem idade para isso. Consciente dos atributos de uma mulher com os mamilos a apontar fulminantes para as nossas retinas, continuo a preferir o invólucro usado da minha mulher. Eu sei que não é muito lógico, mas com a celulite nas pernas, também ela tem a memória dos tempos em que eu tinha os meus vigorosos vinte anos. Ela ainda me atura, ainda suporta o mau hálito matinal, a rabugice nocturna, as bufas malcheirosas, as meias desarrumadas, as adiposidades abdominais, porque ainda se lembra de mim dos tempos em que eu encantaria qualquer mulher de 50 anos com crise de meia-idade. Uma miúda que se deixa caçar por um velhote, conhecê-lo-á sempre com mau hálito matinal, com artroses nos joelhos, com pêlos nas orelhas, com a prótese dentária a boiar no copo da mesa de cabeceira. Nunca poderá dizer: “Lembras-te daquele mortal com pirueta que deste para dentro da piscina, antes de me atacares debaixo de água?”. Mas as mulheres mais jovens têm o pêlo na venta, não têm enxaquecas na hora H, não é necessário um tipo humilhar-se para conseguir dar azo em pleno à sua testosterona. Mas como é que um tipo consegue libertar o seu tigre assanhado sabendo que aquela miúda poderia ser sua filha? Para além desta sensação de pedofilia incestuosa implícita, também é a partir dos 50 anos que um homem começa a ir aos médicos. E quem é que o acompanha às consultas de urologia; a quem é que se queixa da crise hemorroidal; quem é que lhe lembra da toma do remédio para a tensão? O encantamento da jovem conquista diluir-se-ia à primeira pedra na vesícula, a não ser que conseguíssemos pagar o seu tratamento psicológico nos shoppings das redondezas.&lt;br /&gt;Não sei se cheguei já à meia-idade e se a crise da mamoca arrebitada está para se abater sobre a minha retina. De qualquer maneira estou na defensiva até porque  sou um tipo curioso e gostaria de saber como eu e a minha mulher nos conseguiremos suportar durante mais uns anitos com a sanidade intacta. Existirão momentos em que talvez possa ser necessário recorrer a alguns truques da juventude. Hoje fui à prancha exibir o meu mortal com pirueta. Caí um pouco torto e acabei no centro de saúde a levar um anti-inflamatório nas nalgas. Quem me segurou na mãozinha?.... Ninguém. Qu' é para a próxima não te armares em puto de 20 anos...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-887378197288973081?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/887378197288973081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=887378197288973081' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/887378197288973081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/887378197288973081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/08/crise-da-meia-idade.html' title='A crise da meia-idade'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TH2BzaAq0eI/AAAAAAAABWY/ACPQq2zQJxg/s72-c/Satellite.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-5930306572601684861</id><published>2010-08-31T08:02:00.000-07:00</published><updated>2010-08-31T08:15:41.083-07:00</updated><title type='text'>O Bandido "Estrela "</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TH0cklCe3mI/AAAAAAAABWQ/Qo7S7kCSGTA/s1600/ng1335717.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 152px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5511592933714746978" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TH0cklCe3mI/AAAAAAAABWQ/Qo7S7kCSGTA/s320/ng1335717.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Deu-se finalmente a viragem que todos ansiávamos na dinâmica da criminalidade. Até aqui, alguns de nós tinham alguma dificuldade em aceitar a impunidade dos actos criminosos. Tínhamos a exótica ideia de que se um tipo rouba, incendeia, espanca ou mata, deveria ir para a choldra. Nada mais errado. Começam a circular histórias comovedoras da outra faceta da bandidagem que nos faz mudar de opinião. O enternecedor relato do menino que com os primos pegou fogo a uma mata só para ver os helicópteros da televisão a chegar. A avó da criança dizia que “são crianças inocentes que devemos perdoar e ensinar melhor…”. E lá estava a fotografia do miúdo num jornal diário, exibindo o isqueiro com que mandou fogo aos pinheiros, como se posasse para uma revista da especialidade “Fogos nas Coutadas”. O cachopo não estava era à espera que, com os bombeiros e os helicópteros de televisão, também viriam os repórteres do jornal à sua procura. Ao invés de uns dias de trabalho comunitário, viria um dia de intensa entrevista para que contasse a todos a sua habilidade de mandar fogo aos hectares de pinhal. Eis que aparece novamente o “emplastro” destes cenários, o Psicólogo criminal a defender que “melhor do que reprimir há que educar”. E viva a educação sem repressão! Vamos ouvir mais um bocadinho o psicólogo… “há que educar para a cidadania…explicar que um simples fósforo pode destruir casa e florestas…” algo que uma criança de 11 anos desconhecia de todo; consta-se mesmo que confundiu o fósforo com um violino e que se preparava para produzir uma melodia musical. Não podes mandar fogo ao pinhal, menino. Tens de saber que não é uma atitude correcta… “E atão com’é ca gente chama cá os helicótros???”. A fotografia no jornal é que já ninguém lha tira, até porque representa um registo fidedigno da sua heróica acção que pode mostrar orgulhosamente aos amigos ou colar na parede do quarto junto ao poster do Simão Sabrosa.&lt;br /&gt;Num outro jornal diário, a descrição das aventuras dos carteiristas de Lisboa. Estão identificados 1010 gatunos, que todos os dias ganham a vida a meter as mãos nos bolsos dos turistas. Os heróis têm nomes sugestivos como “Zé do Porto”, “Aníbal dos transportes”, “Cara de Cão” ou “Treinador”. Quase todos já foram apanhados com a mão na botija, mas são sempre soltos porque não conseguem gamar mais do que cem euros de cada vez. Os turistas estão cada vez mais unhas de fome… O conhecido “Zé do Porto” rouba com o filho, a mulher, o primo e o neto(?). Uma empresa familiar de Carteirismo, Lda. Nos 20 anos de “profissão” e, depois de inúmeras detenções, só teve prisão efectiva uma única vez. Depois de ler o relato da vida destes simpáticos carteiristas, com particular ênfase para “O Barrigas” um velhinho de 70 anos que reparte a sua actividade entre o gamanço da carteira alheia e o furto em lojas de Lisboa, sinto que a minha revolta anti-impunidade está a sofrer transformações. A partir de agora podemos dar azo à sensação “Ocean’s Eleven” que temos dentro de nós. A ideia de que uma quadrilha que rouba bancos e casinos pode ser admirada se a história for contada com algum nível e embelezada com actores como Brad Pitt, Julia Roberts ou George Clooney. Tudo depende da forma como a história é contada. Só é necessário transformar o acontecimento numa história. O acontecimento: “Um idoso tem o dinheiro da reforma na carteira que é roubada por um gatuno na fila do autocarro”. A história do acontecimento é contada: “A habilidade de “Johnny das carteiras” conseguiu subtrair de forma imperceptível todo o dinheiro que um palerma tinha no bolso detrás das calças. Depois desta imaculada abordagem, Johnny consegue embrenhar-se na multidão e fugir como uma astuta raposa.”. São as virtudes do desenvolvimento: Passou-se da imagem do criminoso malandro para a do habilidoso malandro. Aproveitando este embelezamento mediático da bandidagem, já está a ser planeada a rodagem da produção cinematográfica caseira “Porto’s Eleven” que retrata as agruras emocionantes da família “ Zé do Porto”, vividas entre o eléctrico 28, o elevador da Glória e o Rossio. Ainda não conseguiram arranjar todos os protagonistas para completar o elenco de onze bandidos, no entanto, no caso dos sobrinhos do Zé se mostrarem indisponíveis, sempre têm mais 1005 candidatos em lista de espera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-5930306572601684861?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/5930306572601684861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=5930306572601684861' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5930306572601684861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5930306572601684861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/08/o-bandido-estrela.html' title='O Bandido &quot;Estrela &quot;'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TH0cklCe3mI/AAAAAAAABWQ/Qo7S7kCSGTA/s72-c/ng1335717.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-28227333728381186</id><published>2010-08-10T08:49:00.000-07:00</published><updated>2010-08-10T08:53:39.666-07:00</updated><title type='text'>Play Station 2</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TGF17lLHuxI/AAAAAAAABWA/XL1ozNE6YUM/s1600/images.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5503809886074944274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 115px; CURSOR: hand; HEIGHT: 130px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TGF17lLHuxI/AAAAAAAABWA/XL1ozNE6YUM/s320/images.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Centena e meia de reclusos da cadeia de Sintra fizeram greve ao almoço como forma de protesto contra a fraca qualidade da comida, mas sobretudo por não poderem utilizar a playstation 2 (?). Claro que a greve apenas durou uma refeiçãozita porque a larica é muita e a paparoca por muito má que seja, não pode ser desperdiçada longe de corpinhos tão desgastados de tanto trabalho que realizam. Ainda houve um deles que gritou “Vamos fazer como aquele gajo cubano, o Guilhermo Fariñas, e só paramos a greve de fome, quando nos meterem no prato uns bifes de lombo!” . Apanhou logo uma “belinha” no toutiço acompanhada da reprimenda “Cala-te ó palerma que a greve de fome custa comó caneco; fazemos um rápido alarido só para nos fazerem a vontade! ”. Saiu o tal comunicado da indignação por não se poderem divertir aos comandos da Playstation, mas que ficasse claro aquilo não era uma greve de fome, …era só um protesto…zito. A reivindicação é justa. Num país onde apenas muito poucos bandidos conseguem chegar às cadeias, o prémio para tal selecção deveria incluir no mínimo uma jogatana com o FIFA 2009. Senão com que é que a malta passa o tempo? A ver televisão? A traficar heroína? A molestar outros presos? A fazer musculação para arrear nos guardas? Mas esta questão não é inocente; é necessário ler nas entrelinhas. As prisões em Portugal não passam de enormes playstations, que traduzidas para a língua de Camões significam “Estações de Reinação”. Quando gatunos condenados têm margem para exigir brincadeiras virtuais como passatempo, porque não ocupam o tempo com trabalho comunitário, ou estão a brincar com toda a malta que roubaram e assassinaram, ou então já perceberam que a punição que sofreram, é assim uma espécie de chicotada dada pelo palhaço “Choné” com folhas de papel celofane colorido. Aliás, o facto de pedirem a playstation 2 para as cadeias é sintomático. A Play Station 1 , já tinha sido solicitada para munir os tribunais, pois é aí que começa toda a brincadeira. Os duelos entre argumentos esgrimidos pelo Ministério Público e recursos disparados por advogados de defesa da bandidagem como quem lava os dentes, passando pelas liberdades condicionais oferecidas a gatunos por divertidos juízes, representa o que de melhor poderá oferecer um qualquer salão de jogos. A notícia de que morre em Portugal uma mulher por semana vítima de violência doméstica, perpetuada por indivíduos anteriormente identificados como agressores, é um exemplo deste “playground” judicial. A jogatana começa com a permissa “Vamos lá libertar este tipo e apostar em quanto tempo consegue voltar a deitar as mãos à mulher”. Na maioria dos casos ganha o jogo quem vaticinou que a vítima seria esfaqueada ao fim de 5 dias. Mas a riqueza da playstation é que se poderão introduzir na consola, vários tipos de jogos com diferentes variáveis. Assim poder-se-á apostar só no tipo de morte (quem apostar à “paulada” tem um bónus extra na pontuação) ou no tipo de personagens (Bandidos do carjacking; assaltantes de ourivesarias; agressores de polícias). Na berra está o jogo “Romenos em fuga 2010”. A acção consiste em libertar 2 romenos que espancaram um senhor velhinho para lhe roubarem o carro, e depois segui-los para ver em quanto tempo conseguem fugir para o lado de lá da fronteira. Este jogo tem uma nova aplicação que representa o percurso inverso dos gatunos, ou seja, depois terem fugido do país, serão acompanhados uns dias depois, no seu retorno a Portugal, para voltar a gamar outro carro e mandar mais umas traulitadas na cabeça de outra vítima.&lt;br /&gt;Parece que já existe a PlayStation 3 cuja virtude é a de poder ser jogada com comandos sem fios, ou seja, o jogador pode estar a jogar sem ficar emaranhado nos fios e fingir que nem está ligado ao ecrã. Esse tipo de consola tem sido utilizada nas mais altas esferas políticas e empresariais e nem mesmo algumas “escutas”, conseguem emaranhar esses hábeis jogadores.&lt;br /&gt;Já me esquecia dos reclusos da cadeia de Sintra. Adivinham o que lhes terá acontecido? Qualquer director com bom senso e sentido de gestão financeira, estimulava mais protestos de greve às refeições como forma de poupar uns cobres valentes na alimentação dos latagões. Na verdade, os presos conseguiram ser transferidos para outros estabelecimentos prisionais, provavelmente munidos com salas de playstation onde se podem divertir à bruta. A esta hora estará o dissidente cubano Fariñas a contorcer-se de inveja, porque em Portugal, não teria tido necessidade de passar tanta fomeca, para conseguir a libertação dos companheiros.&lt;br /&gt;Neste momento, escondo o recorte de jornal com a notícia dos presos da “PlayStation”, com receio que os meus filhos vejam. Há já algum tempo que me andam a pedir o raio da consola e correria o risco de algum deles me perguntar “Ó pai, será preciso eu ir para a cadeia para conseguir jogar o FIFA 2009?”. Para a cadeia talvez não, mas com o apetite que têm e ao preço a que estão os víveres, bem poderiam avançar com um protesto em forma de jejum…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-28227333728381186?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/28227333728381186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=28227333728381186' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/28227333728381186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/28227333728381186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/08/play-station-2.html' title='Play Station 2'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TGF17lLHuxI/AAAAAAAABWA/XL1ozNE6YUM/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-8732493149374259086</id><published>2010-07-01T14:34:00.000-07:00</published><updated>2010-07-01T14:45:06.443-07:00</updated><title type='text'>E da Bioquímica? Ninguém fala?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TC0Koe0j6lI/AAAAAAAABV4/TkgWlakJRi8/s1600/cristiano.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489055211419069010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 230px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TC0Koe0j6lI/AAAAAAAABV4/TkgWlakJRi8/s320/cristiano.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois da Espanha ter mandado um torpedo ao navio cheio de valorosos navegadores portugueses, li na primeira página de um jornal desportivo o desabafo irritado de Cristiano Ronaldo: “Explicar aos portugueses? falem com o Carlos Queiroz!”. Tive de comprar o raio do Jornal para ver se entendia o enigma. Procurei mas não vi nada. Queria perceber o que faltava após o “Explicar aos portugueses?”. Poderia ser “Explicar aos portugueses como ganho 30.000 euros por dia e nem uma habilidadezinha consegui fazer com a bola?” ou então “Explicar aos portugueses como ganho 30.000 por dia e não consigo deixar de abrir a boca para dizer baboseira?” ou ainda “Explicar aos portugueses como as mulheres não me deixam os abdominais em paz mesmo com as baboseiras que eu mando pela boca fora?”…O Carlos Queiroz pode explicar? A não ser que… Cristiano quisesse de facto dizer que Carlos Queiroz deveria “Explicar aos portugueses como o próprio Carlos Queiroz não conseguiu pegar na bola, fintar 5 adversários e meter um chapéu ao Iker Casillas com um pontapé de bicicleta?”. Eu acho que Cristiano Ronaldo até revelou alguma humildade assumindo que não consegue explicar nada daquilo aos portugueses. Só acho que não deveria ter descartado a resposta para as explicações do professor. O que ele deveria ter dito era “Ninguém tem de explicar nada aos portugueses!” . E porquê? Porque se trata apenas de um jogo de futebol, onde existe um vencedor e um vencido. A Espanha jogou melhor do que Portugal, ganhou como toda a malta viu pela televisão e agora os jogadores vão à sua vidinha para as ilhas Seichelles e os portugueses vão levar com mais um aumento do IVA. “Epá mas isto não fica assim! A malta quer explicações! Expliquem-me como o gajo tira o Hugo Almeida que, apesar de não ter feito nenhum remate à baliza, naquele momento iria partir para uma grande exibição?”. E é aqui que começa o problema do futebol português: a necessidade de explicar. E toda a malta explica. Mas não se limita a explicar sem mais nem menos ; explica com bases científicas. Aliás, eu penso que todos os cursos superiores e os menos superiores têm uma pós-graduação incorporada de “Como explicar a táctica da bola no relvado” . Da multiplicidade de comentadores desportivos que opinam sobre as opções de Carlos Queiroz já vi de tudo: políticos, escritores, jornalistas, advogados, antigos jogadores, médicos. Até acho que este fenómeno é salutar. Só tenho pena que não se estenda para outras áreas como a Bioquímica, a Genética, a Engenharia Electrotécnica. Se toda a malta opinasse com o mesmo desembaraço sobre a função metabólica dos componentes celulares, a evolução dos cromossomas ou a automação nos sistemas de energia renovável, o país dava o salto em menos de um fósforo. E porque é que a malta não opina sobre a Bioquímica? Porque não faz ideia do que se trata. E porque é que pode opinar sobre o futebol? Porque acha que faz ideia do que se trata. E a vantagem do futebol é que tem duas componentes: A “científica” e a …”outra”. A “científica” tem a ver com todas as componentes do treino (físico, técnico, táctico, psicológico) e a… “outra” tem a ver com os factores não controláveis, como a bola que bate na barra e não entra, o frango do guarda-redes, o pontapé na canela. A primeira componente pode ser explicada, a segunda não. E o que é que todos os comentadores desportivos fazem? Tentam explicar a segunda, recorrendo a termos associados à primeira: “Eu acho que aquela bola passou por entre as pernas do Ricardo Costa porque claramente o jogador está pouco rotinado na posição de lateral!” . Se lhe perguntarem os 4 princípios do ataque, os efeitos do trabalho pliométrico ou os microciclos de treino, o “entendido” responderia “Porque é que não me perguntam antes a vantagem do 4x3x3?”.&lt;br /&gt;Eu sou um admirador do Professor Carlos Queiroz. Ele sabe que não controla os aspectos não explicáveis e focaliza a atenção nos aspectos do treino que pode controlar. Tem pelo menos 25 anos de formação e trabalho na área do treino desportivo em futebol, os mesmos anos que os comentadores que vimos a “explicar” a táctica, dedicaram às suas áreas profissionais que não o futebol. “O Mourinho é que devia vir para a selecção!” O Inter de Mourinho jogou com 11 dentro da baliza contra o Barcelona, para conseguir passar à fase seguinte sem levar 5 golos! “Grande cérebro!” Queiroz jogou com uma equipa ultra-defensiva contra a Espanha para não apanhar 5 golos? “Grande maricas!” Ambos dominam a componente científica do treino mas são separados por essa “outra” componente do jogo , que alguns lhe chamam sorte ou azar. Se tal como Mourinho, que teve o golo do Costinha contra o Manchester a 30 segundos do fim, Queiroz tivesse a sorte de Danny ter marcado na baliza da Espanha…”Grande Queiroz! Ainda bem que o matunga do Hugo Almeida saiu! Este mister tem de ir para o Barcelona, já!”&lt;br /&gt;Agora expliquem aos portugueses com que ânimo voltamos nós aos afazeres da vida sem a esperança de gritar mais “Gooolo de Portugal”, de continuar sem perceber patavina de Bioquímica e ainda por cima com mais 1% de IVA no galão e na bola de Berlim. Isto é que é azar…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-8732493149374259086?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/8732493149374259086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=8732493149374259086' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/8732493149374259086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/8732493149374259086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/07/e-da-bioquimica-ninguem-fala.html' title='E da Bioquímica? Ninguém fala?'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TC0Koe0j6lI/AAAAAAAABV4/TkgWlakJRi8/s72-c/cristiano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-9207326524022824498</id><published>2010-06-23T01:48:00.000-07:00</published><updated>2010-06-23T02:01:56.768-07:00</updated><title type='text'>Brincadeirinhas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A Justiça em Portugal continua a ser um mistério para mim. Já várias vezes escrevi, tentando encontrar uma definição para esta “Coisa” mas nunca cheguei a uma conclusão clara. Fiz várias abordagens, desde a Oftalmológica (estes tipos devem ser ceguinhos), passando pela Psiquiátrica (estes tipos deviam ser internados) ou pela Emocional (estes tipos deviam era levar um enxerto para ver se gostavam). Hoje penso ter conseguido finalmente descobrir o que pára na cabeça de alguns iluminados Juízes quando decidem de forma tão surpreendente sobre casos tão surpreendentes. E para tal apresento mais um caso hilariantemente triste, algo que não é difícil encontrar neste farto baú da “justiça” portuguesa (as aspas estão lá mas é mesmo assim). Aqui vai o relato resumido do caso: Um tipo assassinou uma vizinha ex-Freira e mandou-a para um poço. Roubou-lhe os cartões de crédito, tentou levantar dinheiro com eles e foi apanhado. Confessou o crime perante um juiz de instrução e o seu advogado, telefonou a uma amiga confessando o crime e levou a polícia ao poço para onde tinha atirado a senhora. Culpado. Não…?... Parece que no julgamento, o tipo ficou em silêncio e perante esse facto, o juiz decidiu não o poder culpar pelo crime de assassinato, esquecendo todos os procedimentos anteriores. Não querendo voltar às abordagens Psiquiátrica e Emocional, decidi procurar respostas noutros campos. De início pensei que se tratava de uma discriminação positiva; uma palavra de esperança para todos os mudos deste país. És mudo? Então estás safo da prisão! Podes asfixiar à vontade, gamar à vontade, atirar pessoas a poços à vontade que ninguém te ouve confessar. Mas esta teoria tem a falha da abrangência que se materializa em outra pergunta de contornos similares: Não és mudo? Então faz-te de mudo e estás safo da prisão! Parece que o assassino da vizinha ficou mudo depois de ver o juiz. Penso que esta teoria dos distúrbios da voz precisa de ser melhorada. A minha nova explicação para este absurdo, pende mais para o lado da Justiça “Piadola”. O juiz, um tipo cheio de sentido de humor, está sempre a ver se prega uma rasteira aos seus amigos polícias. No fundo é grande brincalhão. Na escola primária também tínhamos essas brincadeiras giras. Apostávamos ao interessante jogo da “meia hora” e, de meia em meia hora lá andávamos à procura do nosso companheiro de aposta para lhe mandar uma murraça acompanhada pelo grito “Meia hora – Foste apanhado”. Era muito divertido, mas também um pouco doloroso. Estes juízes brincalhões prolongaram o síndrome da “meia hora” até à idade adulta. Então, estão sempre escondidos nas esquinas do direito penal, para a qualquer momento mandar uma murraça no investigador e dizer “Foste apanhado!”. O tipo confessou o crime, levou lá a polícia, tinha os cartões de crédito da vítima, …mas espera aí! No local não haviam vestígios do crime? …Eh,Eh,Eh,…foram apanhados! Quem os bandidos? Não, os palermas dos polícias que não chegaram lá no momento em que o tipo tinha o saco de plástico na cabeça da senhora. Mas não seria porque o assassino limpou tudo cuidadosamente? Não há desculpas, para a próxima têm de prever o crime com mais antecedência! Têm de chegar a casa da vítima umas horas antes, deixar o crime acontecer para depois se poder acusar com mais segurança. Aí sim, pode-se condenar o bandido! A não ser que algum de vocês tropece no cadáver durante a perseguição…Nesse caso sempre se poderia alegar que a vítima foi molestada durante a acção policial(?). Hoje em dia o polícia tem dois trabalhos: Descobrir o assassino e tentar livrar-se da rasteira do juiz. Não necessariamente por esta ordem. A polícia, já colocou a hipótese de contratar discípulos do professor Zandinga para todas as esquadras, como forma de garantir a premonição dos crimes que estão prestes a acontecer. Assim, ao salvaguardar o flagrante delito, não há Juiz brincalhão que resista, a não ser, que a polícia use de força excessiva para prender o bandido. Aí, sempre se poderá alegar que… Foi mais uma vez Apanhado. Quem, o assassino? Não, o Polícia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-9207326524022824498?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/9207326524022824498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=9207326524022824498' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/9207326524022824498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/9207326524022824498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/06/brincadeirinhas.html' title='Brincadeirinhas'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-739706813796896119</id><published>2010-06-15T10:49:00.000-07:00</published><updated>2010-06-15T10:52:20.744-07:00</updated><title type='text'>A trombetada do elefante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TBe9vd_MDgI/AAAAAAAABT0/vFrSMiR6s2I/s1600/20100615094120.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483059694548028930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TBe9vd_MDgI/AAAAAAAABT0/vFrSMiR6s2I/s320/20100615094120.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Venho aqui lançar a minha palavra de apoio ao objecto mais desconsiderado das últimas semanas: A Vuvuzela. Como todos se apressaram em denegrir tão enigmático instrumento de sopro, eu gostaria de enaltecer algumas das virtudes que fui descobrindo na sua doce sonoridade . E começo logo por uma experiência à qual eu próprio me sujeitei, durante o passado fim-de-semana durante um jogo de Andebol. Sentei-me estrategicamente à frente de um tipo com a tal corneta, para me inteirar das consequências nefastas do objecto bem junto dos meus ouvidos. A experiência foi,…como posso verbalizar,…?...arrebatadora. O som daquele trombone selvagem entrou qual ciclone no meu canal auditivo abanando o tímpano violentamente. Mas esta enriquecedora sensação, só a teve o tímpano do ouvido direito, isto porque junto do ouvido esquerdo estava outra espécie de vuvuzela que libertava um ruído extremamente perturbador e que soava assim: Seu filho da P****TA! Sua ovelha ranhoooosa! Eu vou aí e F***** - te todo! Arranco-te o bigode à dentaaaada! Ladrãããão! E aí eu tive de fazer uma difícil comparação. Preferiria o ruído ciclónico da vuvuzela a contribuir para a minha surdez precoce ou o manancial de baboseiras berradas a esbofetear-me o tímpano? Claramente a primeira opção. Se dessem uma vuvuzela ao senhor do insulto gratuito, ele estaria entretido a soprar na corneta e já não saía asneira. Saía apenas um barulho ensurdecedor. Esta é a primeira grande virtude da vuvuzela; uma espécie de terapia por sobreposição. Um tipo que tem uma dor no joelho, se levar tabefe, fica-lhe só a doer a cara. O Barulho da vuvuzela consegue ofuscar todos os outros ruídos igualmente incomodativos. Viajemos para os estádios de África e oiçamos com atenção. Conseguem ouvir os cânticos pornográficos das claques? Conseguem ouvir os jogadores a chamarem nomes ao árbitro? Conseguem ouvir o treinador a discutir com o fiscal de linha? Conseguem ouvir o homem das pipocas? Não, porque só ouvem vuvuzelas. E só esta última opção é que me deixa triste. O homem das pipocas é o único que deveriam deixar vender o produto à vontade. Poderiam parar de tocar quando esse homem passasse, mas não. Aquele ruído é contínuo; não dá espaço para um “Olha a pipoca queeeentinha!”. E esse é o verdadeiro enigma; Como é que os tipos conseguem aquele som ininterrupto durante todo o jogo? Basta que cada grupo de 100 pessoas sopre naquilo durante 2 minutos que o som se prolonga durante todo o jogo. Não é mal pensado.&lt;br /&gt;O aparecimento da Vuvuzela também tem um cunho cultural de relevo. Os africanos quiseram prestar um tributo ao elefante, aquele animal que foram exterminando ao longo dos anos para lhe sacar o marfim. Enternecedor. E a vuvuzela não é mais do que a vingança servida fria e ruidosa do pobre elefante “Ai tiraram-me o marfim para fazer estatuetas de bibelot, atão toma lá com a cornetada que utilizo para avisar as fêmeas que vai haver regabofe!” E como o som do acasalamento pode chegar longe… Só me custa a entender porque é que a chinfrineira de uma manada de elefantes é similar a um enxame de abelhas(?).&lt;br /&gt;A outra grande virtude da Vuvuzela, é que abre novas perspectivas de negócio. Um comerciante local já vendeu 500 tampões para os ouvidos, para protecção daqueles que não têm afinidade auditiva com o som do paquiderme. Para os outros que não usam protector, os médicos otorrinos estarão à espera para lhes receitarem aparelhos auditivos que os façam distinguir o som de uma elefanta com o cio. Não é por acaso que “vu…vu…zela” tem uma sonoridade que nos lembra as pessoas com maiores desgaste auditivo, que são os avós. Quando a Zélia entra em casa do avô e lhe grita ao ouvido “Ó vô-vô é a Zélia!”…Ããã? Vô-vô- Quê???...&lt;br /&gt;Faço desde já um apelo à proliferação da utilização da vuvuzela a outros palcos mediáticos, onde daria jeito uma contínua cornetada como forma de ofuscar baboseiras. Começava logo pelos debates entre comentadores desportivos, naquela parte da análise do sistema 4x4x …Bruuuuuuuu! No parlamento, quando se iniciasse a intervenção de um líder sobre as grandes opções estraté…Bruuuuuuuuu! No discurso do presidente das duas reformas vitalícias e do ordenado chorudo sobre a repartição dos sacrifi…..Bruuuuuuuuuu! Como pode ser aliviadora, a ruidosa trombetada do Elefante…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-739706813796896119?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/739706813796896119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=739706813796896119' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/739706813796896119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/739706813796896119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/06/trombetada-do-elefante.html' title='A trombetada do elefante'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/TBe9vd_MDgI/AAAAAAAABT0/vFrSMiR6s2I/s72-c/20100615094120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-4595584344795523836</id><published>2010-05-15T07:35:00.000-07:00</published><updated>2010-05-15T07:39:00.745-07:00</updated><title type='text'>Alice...naquele...país</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S-6x9dh7B1I/AAAAAAAABTM/B7PmppES2oo/s1600/alice.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5471506266758776658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S-6x9dh7B1I/AAAAAAAABTM/B7PmppES2oo/s320/alice.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada vez gosto mais de ler jornais. Para alguém, como eu, que gosta de escrever umas baboseiras, não há fonte mais inspiradora do que a enriquecedora imprensa nacional. Desta vez consegui ler, sem me rir muito, as palavras do tipo (já não o consigo tratar por Primeiro Ministro) depois de uma conversa que teve com o Papa. Dizia ele que “teria sido boa ideia referir a Sua Eminência o facto de Portugal ter tido hoje boas notícias sobre o seu crescimento económico”…? Apressei-me a procurar essas “boas notícias” para ver se me alegrava e não precisei de perder muito tempo, pois na primeira página do mesmo jornal lá estava escrito em letras garrafais: “Sobem todos os impostos”. Aí eu pensei: Mas este gajo (já não o consigo tratar por Senhor Engenheiro) sofre de esquizofrenia e consegue construir um mundo de fantasia no qual acredita, ou está apenas a brincar connosco? Até poderia não ser nenhuma destas hipóteses. Poderia estar a explorar o contra-ponto do “Só é Pena …”. Está um lindo dia de sol,… só é pena que aquele trovão tenha destruído o quadro eléctrico de minha casa; Que enternecedor aquele filme romântico,… só foi pena que a mãe da moça tenha sido esquartejada pelo carteiro; O meu marido é muito meigo,… só é pena aquelas chapadas que me manda quando se chateia por causa da bola; Os meus sapatos novos são extremamente confortáveis,…só é pena ficar com bolhas nos pés cada vez que os uso; Aquele bife de vaca era mesmo tenrinho,…só foi pena ter entortado o garfo para o conseguir cortar. Acho de muito mau gosto os jornalistas não terem esperado para que o indivíduo (já não o consigo tratar por Chefe do Governo) completasse a frase das “boas notícias sobre o crescimento económico” com o “…Só é pena que a taxa de IRS e o IVA subam 1% e assim lixarmos ainda mais o poder de compra da malta, para ver se evitamos a bancarrota!” . O facto dele aspirar dizer ao Papa que o país caminha na direcção do Éden financeiro, revelou toda a sua ambição e enorme lata. Não lhe bastava brincar com toda a população durante largos anos, o homem propunha-se agora levar adiante uma tarefa aparentemente inacessível a qualquer pessoa com algum bom senso e o mínimo de escrúpulos: brincar à descarada com o Chefe Supremo da Igreja. Um sacrilégio em larga escala, muito para além de uma “pêtazita” ao padre da paróquia durante a confissão. Este indivíduo não iria pedir ajuda ao Papa para uma eventual patologia da qual padece: “Eminência, gostaria que me ajudasse com a sua bênção nestas alucinações que me perseguem, da minha imagem vestida de azul passeando num país com cartas falantes, onde brotam riquezas dos caixotes do lixo e das sanitas!”. O homem preparava-se sim para afirmar, sem receio que penitências divinas caíssem sobre a sua cabeça, sem medo de ser expulso a pontapé do reino dos céus, que existiam “boas notícias sobre o crescimento económico” do país. Felizmente, a astúcia do Papa evitou que esta partida se concretizasse. Quando o personagem (já não o consigo tratar por o “homem do leme”) se preparava para lançar a sua patranha sobre a economia nacional, o Papa tratou de o despachar com um educado “Sabe, eu já tenho 84 anos e preciso de descansar para conseguir rezar daqui a pouco a missa das sete!”. Evitou assim ter de dizer “Sabe eu já tenho 84 anos, que são os anos suficientes para não acreditar assim à primeira em tontices sem sentido!”. Com a sua sapiência, o Santo Padre conseguiu contornar a sina de se ver obrigado a ter de facultar a absolvição ao brincalhão da “economia reluzente”, em forma de 5 Avé Marias por cada mentirita proferida durante estes anos de governação. Aí é que ninguém parava o inflamado ego do tipo. “Vejam lá que consegui ludibriar o Papa e ainda recebo a absolvição divina! Agora só tenho de perder um diazito para cumprir a penitência…”.&lt;br /&gt;O Papa achou fantástico o nosso país; que as pessoas são muito disponíveis e crentes. Eu também acho. Só é pena que continuemos a ser governados por este tipo do vestido azul que vive no mundo das cartas falantes…&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-4595584344795523836?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/4595584344795523836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=4595584344795523836' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4595584344795523836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4595584344795523836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/05/alicenaquelepais.html' title='Alice...naquele...país'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S-6x9dh7B1I/AAAAAAAABTM/B7PmppES2oo/s72-c/alice.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-909526372303784686</id><published>2010-05-06T14:32:00.000-07:00</published><updated>2010-05-08T02:49:05.075-07:00</updated><title type='text'>A arte de surripiar</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S-M17ItZx_I/AAAAAAAABR8/G39i7zbuPjI/s1600/ricardorodriguesdr.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468273662624385010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S-M17ItZx_I/AAAAAAAABR8/G39i7zbuPjI/s320/ricardorodriguesdr.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imagem retirada da net&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Indignado com a pergunta da jornalista sobre o seu hipotético envolvimento num caso de pedofilia nos Açores, o deputado socialista Ricardo Rodrigues abandonou a sala sem responder a mais perguntas. Depois dessa saída extemporânea, a entrevistadora perguntou ao colega jornalista: “Por acaso não viste uns gravadores que estavam ali em cima da mesa?”; “Eu não! Mas tu queres ver que…” . Isso mesmo, o tal deputado achou piada aos objectos e colocou-os de forma sorrateira no interior dos bolsos das calças, antes de abandonar a sala. Disse depois que tinha “Tomado posse” de dois equipamentos de gravação, que é uma maneira mais cordata de dizer que tinha “gamado” dois gravadores. Fiquei admirado com a indignação geral perante o furto, perdão, a “tomada de posse” dos ditos aparelhos. Então um indivíduo já não pode surripiar uns objectos sonoros que até dão para se ensaiar umas cantigas da Hannah Montana enquanto se faz a barba? Temos de tirar o chapéu ao senhor deputado pela imaculada técnica utilizada. Ele não se limitou a mandar as mãos à bruta aos gravadores alheios; fê-lo de forma perfeitamente despercebida perante o olhar distraído dos interlocutores. Com esta habilidade não passará qualquer tipo de vergonha num confronto com os carteiristas que atacam no Santuário de Fátima. O potencial está à vista. Enquanto o esforçado carteirista tem de distrair a vítima com uma pancada no ombro para conseguir roubar a carteira do bolso das calças, o nosso deputado surripia de forma igualmente eficaz e imperceptível, sem recorrer a qualquer manobra de diversão. No seu acto quase perfeito, existiu apenas uma ponta solta: as imagens de vídeo que nos permitiram ver o artista em acção. Mas mesmo assim foi difícil para nós, comuns mortais sem os ultra-sentidos da mosca, detectar o furto à primeira vista. Foi necessário o recurso a exaustivas repetições das imagens em câmara lenta para que as pessoas menos atentas se apercebessem do gamanço. Nem o ilusionista David Corperfield nos seus melhores tempos, conseguiria rivalizar com a “Técnica R Rodrigues” de ocultação de gravadores de bolso. Que vergonha! Pensaram as pessoas depois de verem o representante de um alto organismo de estado a subtrair… gravadores…(?). Mas o senhor explicou que aquilo foi uma acção irreflectida fruto de uma enorme pressão psicológica. Eu sei que poderá parecer estranho, pois a maioria de nós, quando sujeitos a uma enorme pressão, damos para partir coisas e gritar umas asneirolas. Contudo, temos de admitir que indivíduos descontrolados possam colocar, de forma sub-reptícia, gravadores nos bolsos ao invés de os lançarem contra a parede.Pensando bem, o facto de existir um registo videográfico foi propositado. Com o seu à-vontade a colocar objectos alheios nos bolsos, com alguma facilidade, tropeçaria na mesa e trataria de esconder a câmara de vídeo debaixo da gravata num piscar de olhos. O deputado Rodrigues, ao permitir a divulgação das imagens contribuiu de forma meritória para a sua responsabilidade social. Em primeiro lugar deu para perceber que as mãos dos deputados não são apenas utilizadas para assinar despachos, votar leis em massa, navegar no Facebook, afagar as costas dos amigos ou folhear as páginas da “Nova Gente”. As mãos servem também para “tomadas de posse” de bens alheios. Em segundo lugar, esta generosidade do deputado em partilhar a sua técnica com o comum cidadão, criou uma enorme corrente de esperança. A esperança de que, depois do país cair na bancarrota podermos aspirar a surripiar de forma quase tão eficaz como actividade de subsistência. Talvez por este seu papel social de enorme relevância ele tivesse sido, dias depois do gamanço, nomeado para o Conselho Superior de Segurança Interna. E quem melhor para lidar com a gatunagem, hein?!&lt;br /&gt;Eu já comecei a praticar os ensinamentos do “Manual R Rodrigues” na arte do surripianço e hoje consegui apoderar-me de forma quase imaculada de uma das bolachas “Maria” do meu filho. “Oh pai! Então o que é isto de me gamares uma bolacha!?” . Na verdade a técnica ainda precisa de alguns ajustes…&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-909526372303784686?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/909526372303784686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=909526372303784686' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/909526372303784686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/909526372303784686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/05/arte-de-surripiar.html' title='A arte de surripiar'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S-M17ItZx_I/AAAAAAAABR8/G39i7zbuPjI/s72-c/ricardorodriguesdr.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-4934948579164251492</id><published>2010-05-04T09:38:00.001-07:00</published><updated>2010-05-04T11:22:43.931-07:00</updated><title type='text'>Último Recurso</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S-BO_KtvSLI/AAAAAAAABRc/3uNxpw_xtfo/s1600/professor-mamadu.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5467456794742704306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 230px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S-BO_KtvSLI/AAAAAAAABRc/3uNxpw_xtfo/s320/professor-mamadu.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S-BNt0ZAZZI/AAAAAAAABRU/m67xd0inqr0/s1600/professor-mamadu.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A imagem do “último recurso” é das mais apaziguadoras que existem em espíritos fustigados pela descrença . “Estas malditas &lt;em&gt;cruzes na espinha&lt;/em&gt;, dão-me cabo da paciência! Já fui ao médico de família, ao fisioterapeuta, ao ortopedista, ao fisiatra, ao osteopata e nada! O que me vai valer, vai ser aquele rapaz que é mecânico de motociclos, que dá uns jeitos às costas e a pessoa vem de lá direita que nem um pêro!”. Eis como o “último recurso” transforma um problema sem aparente resolução, numa esperança de cura imediata. É disto que qualquer alma mais pessimista necessita; uma derradeira tábua de salvação; uma mão que o impede de cair no mortífero precipício; uma lufada de oxigénio no meio de um ar rarefeito. Eu também encontrei o meu “último recurso” espalmado entre a escova do pára-brisas e o vidro da frente do meu carro. O Professor Astrólogo Mamadu. Não o próprio, mas um bilhete com toda a sua competência na resolução dos mais intrincados problemas. Numa altura em que já me preparava para aceitar resignado o colapso de um país à beira da bancarrota gerido por incompetentes, precisava do meu “último recurso”. E lá vinha na folhita “para ajudar a encontrar uma solução imediata mesmo os casos mais difíceis ou graves com urgência” …é disto que eu preciso para contrariar o “nada” que me invade o discernimento. O que posso fazer para mandar estes tipos que nos governam apanhar caracóis num campo de minas em Maputo? Nada. O que posso fazer a um gatuno que se apropria dos meus bens? Nada. O que posso fazer quando o juiz liberta o gatuno que se apropria dos meus bens? Nada. O que posso fazer aos corruptos que dizem que não são corruptos e se apropriam dos meus bens? Nada. E é assim, de mãos e pés atados, que me sinto neste momento, o que até nem é mau, porque se não os tivesse atado, ainda ia parar à prisão por ter exteriorizado a minha impotência sob a forma de artes marciais. Mas o Professor Mamadu aparece como último recurso nesta nossa incapacidade de lidar com a ansiedade. Diz no folheto que “resolve problemas…emprego, negócios,…, justiça, …impotência sexual,, fenómenos estranhos…” Era mesmo aí que eu queria chegar, aos fenómenos estranhos. Continuo a achar um estranho fenómeno que, depois de se ter atingido o fabuloso número de 578 mil desempregados, de 45% dos jovens só conseguir arranjar emprego através de cunhas, da bandidagem andar todos os dias a fazer tropelias, se continue a insistir na tal comissão de inquérito para saber se a TVI foi comprada com ou sem conhecimento do senhor, sobre o qual eu não posso fazer nada para o meter num “charter” a caminho de Moçambique. Está claro que o senhor não sabe de nada, nem sabe sequer onde fica o Freeport. Ele afinal sabe de alguma coisa?...ah, sabe que as nossas dificuldades económicas tiveram em tempos ligação com a conjuntura internacional desfavorável e que a nossa anunciada bancarrota é da responsabilidade das empresas especulativas. É bom que o Professor Mamadu para além dos fenómenos estranhos também resolva esta impotência, não a sexual, mas a social, de não se conseguir fazer nada para que os tipos que tomam conta deste petroleiro desgovernado e com permanente fuga de crude, possam ficar a saber alguma coisa de navegação. Sinto que estou um pouco desanimado…o professor Mamadu contrapõe: “Não desanime! Não desista!”, é disto que preciso de ler; uma mensagem positiva; um apelo ao meu espírito combativo. Mas, e se…o professor Mamadu não conseguir resolver nada com as pedras e os astros? E se estes tipos continuarem alucinados com a construção do TGV? Será que só nos resta um mergulho na ponte 25 de Abril com os pés e mãos atados? Haverá mais algum recurso disponível depois do Professor Mamadu? Antigamente ainda havia a possibilidade de um golpe de estado recorrendo às forças armadas como contra-poder, quando o país estivesse à beira do abismo. O país não ficava melhor, mas ao menos a malta andava à bolachada e de certa forma aliviava esta sensação de impotência. Agora parece que as forças armadas têm meios para, quanto muito, fazer frente a desacatos provocados pela claque do Rio Ave na visita ao Olhanense. Estamos assim entregues à nossa sorte. Espera aí!... Parece que uma nova esperança surgiu! Algo capaz de despromover o Professor Mamadu para penúltimo recurso. A notícia “Portugal obrigado a importar esperma do estrangeiro” abre-nos uma nova janela de expectativa. Cria-nos a esperança de que daqui a 30 anos, o filho de um casal português estéril, produto do esperma de um governante Dinamarquês, tome conta dos destinos do nosso país. O problema será, se por um acaso existir uma troca de amostras, e o esperma tiver sido, na realidade, proveniente de um qualquer palácio governamental da Serra Leoa. Desse esperma não precisamos. Essa estirpe de cromossomas já temos de sobra, espalhada por diversos partidos políticos da nossa praça…&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-4934948579164251492?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/4934948579164251492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=4934948579164251492' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4934948579164251492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4934948579164251492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/05/ultimo-recurso.html' title='Último Recurso'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S-BO_KtvSLI/AAAAAAAABRc/3uNxpw_xtfo/s72-c/professor-mamadu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-2603583280816951399</id><published>2010-04-10T07:53:00.000-07:00</published><updated>2010-04-13T03:19:27.309-07:00</updated><title type='text'>Porteiro Expiatório</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S8CTakswHII/AAAAAAAABQE/OEC3Oe6pzQM/s1600/porteiro2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5458524833110301826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 248px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S8CTakswHII/AAAAAAAABQE/OEC3Oe6pzQM/s320/porteiro2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S8CSPyT6dEI/AAAAAAAABP8/fub8j4FOdx4/s1600/images.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imagem retirada da net&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desta vez decidi comprar o Correio da Manhã para apanhar uma piela de desgraças logo pela manhã. E este “matar do bicho” vespertino até tem um cunho terapêutico, uma vez que com tanto crime lido numa hora, já não precisamos de ver mais nada na televisão durante o dia inteiro. O Correio da Manhã é uma espécie de Feira de São Martinho em versão criminológica. Em vez de emborcar litros de água-pé mal fermentada, pelas 50 tasquinhas do percurso, um tipo encharca-se de violações, roubos, assassinatos e burlas sem ser necessário mudar de tasca. Ficamos apenas na tasca do “É p’ra desgraça, é p’ra desgraça!”. No meio de tanta notícia deprimente, sobressai aquela resultado do inquérito do miúdo que se afogou no rio Tua . Aí eu tenho de fazer o “Mea Culpa” porque há cerca de um mês tinha escrito sobre a minha descrença de que o inquérito iria descobrir e punir os culpados. Pois bem, estava enganado. Foi descoberto o culpado pela morte do miúdo. E quem é que poderia levar o miúdo a cometer tão dramática acção?...o Porteiro. Quem pensou nos energúmenos que espancavam o cachopo repetidamente, estava enganado, até porque os energúmenos disseram logo que não foram eles. Quem pensou no Director, também se enganou, uma vez que o tipo que manda na escola nunca se tinha apercebido que existiam energúmenos, até porque o seu gabinete no Inverno é muito quentinho. Quem pensou no Ministério da Educação que deixou a escola chegar a esta bandalheira, também está equivocado. Quem é que sobra? O Porteiro, está claro. Tenho de dar os parabéns públicos ao inquiridor pelo seu golpe de génio. Nem mesmo o realizador David Lynch conseguiria criar um final de enredo com esta qualidade. Se antigamente a culpa era do Mordomo, agora é definitivamente do porteiro. Mas como se chegou a tão brilhante conclusão? Baseada na função intrínseca do porteiro: Aquele que deixa entrar e sair pessoas. É a solução para todos os problemas sociais; basta folhear as páginas do Correio da Manhã: “Um homem entra numa esquadra e agride polícia à cabeçada”. A culpa? É do porteiro da esquadra, que o deixou entrar armado com a… testa. “Homem cadastrado, a cumprir 11 anos de prisão, rouba os Correios e é condenado a 2 anos e meio de pena suspensa.”. De quem é a culpa? Do porteiro da prisão que o deixou sair antes dos 11 anos e do porteiro dos Correios que o deixou entrar antes do assalto. “Foi preso indivíduo que explorava vários bares de alterne.” A culpa? É dos porteiros, que deixaram entrar as raparigas com aspecto duvidoso e ainda recebiam “gorjas” dos clientes. “Fãs que permaneceram à chuva e ao sol, durante duas semanas à porta do Pavilhão Atlântico, para verem os Tokio Hotel.” A culpa? É do porteiro que não lhes abriu a porta 15 dias antes, para conseguirem estar na primeira fila. Caso haja dúvidas da responsabilidade de qualquer porteiro nas desgraças do quotidiano, basta acenarem à memória, com os  porteiros brutamontes das discotecas da capital, que impedem de entrar a malta ao empurrão, boicotando potenciais engates na pista de dança. Está claro que a culpa só pode ser dos porteiros. As empresas que até aqui não tinham porteiro, vão contratar um, isto porque já perceberam que, melhor do que um Bode Expiatório, só um Porteiro Expiatório para abarcar com todas as culpas. Vão expulsar o porteiro da Escola de Mirandela, só porque ele deixou sair livremente os miúdos? Não é correcto. Até porque deixar fugir um miúdo da escola actual é um gesto de caridade. Eu acho que o porteiro devia ser responsabilizado, não porque deixou sair, mas sobretudo por que deixou entrar sem qualquer tipo de controlo toda a “corja” que conspurca o ambiente escolar. Decerto que se transferissem os porteiros do Kremlin para o portão da Escola de Mirandela, e eles fizessem jus à sua capacidade de filtragem de alguma da “corja”, baseada nuns valentes empurrões a energúmenos, pseudo-directores e inquiridores “bacanos” que pretendessem entrar, a escola ensinara e educaria melhor.&lt;br /&gt;Agora fiquei numa dúvida existencial. Em vez de ter estado aqui entretido a ler este rol de barbaridades, não teria sido melhor botar abaixo uns copitos de água-pé mal fermentada? Ao fim do terceiro copo, para além de uma ligeira azia, já conseguia achar alguma piada à história do porteiro expiatório. Se chegasse a um estado de descontrolada embriaguez, e começasse a partir coisas, sempre poderia pôr as culpas no porteiro da tasca do “Ti Jaquim” por me ter deixado entrar,…ou seria sair?...&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-2603583280816951399?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/2603583280816951399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=2603583280816951399' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2603583280816951399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2603583280816951399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/04/porteiro-expiatorio.html' title='Porteiro Expiatório'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S8CTakswHII/AAAAAAAABQE/OEC3Oe6pzQM/s72-c/porteiro2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-7846313534205377572</id><published>2010-04-06T13:56:00.001-07:00</published><updated>2010-04-06T13:56:55.020-07:00</updated><title type='text'>Abróteas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sinto que chegou a altura de revelar a minha verdadeira identidade. Estou farto de me esconder  pelos cantos. Hoje venho aqui assumir que sou…Funcionário Público. Pronto já disse. Andei anos a encontrar subterfúgios para que não descobrissem essa minha fraqueza, mas não aguentava mais. Quando me perguntam a minha profissão e eu digo “professor”, temo sempre pela pergunta seguinte: no público ou no privado? Na maioria dos casos tenho de simular uma enxaqueca, uma panela esquecida ao lume ou aceno com a história dos filhos que me esperam à porta da escola. Eu sei que não é correcto, mas tudo serve para não ouvir o contundente reparo: “Funcionário Público, Ããã? Granda malandro!”. É verdade, eu pertenço a essa repugnante classe que suga toda a massa dos contribuintes e não deixa o país desenvolver-se. Todos os pais aspiram melhor para os seus filhos. Pagam-lhes os intermináveis anos de estudos e depois é isto  que recebem em troca? O desgosto de um filho descambar em funcionário público é algo que não está nos planos de qualquer pai com o mínimo de bom senso. Ainda se fossem funcionários públicos com algum brio profissional, como aquela deputada das viagens semanais a Paris em voo executivo; ou o tipo da EDP dos 3 milhões de euros ao ano; ou um presidente daqueles que recebe duas reformas e mais um vencimento. Eu incluo a pior estirpe dos funcionários públicos, aquela que se desenvolve debaixo do bolor da mediania.  Pertenço à tão odiada classe média portuguesa. Tenho um ordenado médio, um carro médio, uma prestação de casa média, uma televisão média, umas sapatilhas de gama média e descontam-me em impostos quase a mediania do meu ordenado. Com sorte irei alcançar a reforma aos 70 anos, quando tiver atingido a mediania da carreira, isto porque a outra metade foi congelada ao longo da hipotética progressão. Aliás depois de 6 anos congelado, qualquer funcionário público já desenvolveu destrezas que lhe permitem sobreviver nas profundezas de um qualquer oceano ou nas arcas frigoríficas de um bacalhoeiro. E é assim, qual “Abrótea” congelada, que um dia receberei na reforma,  a mediania do vencimento ou… talvez a mediania da mediania. Mas é bem feito, para não me ter armado em asno. Mais valia ter investido na angariação de um subsídio de reinserção social, ou à falta de melhor, ter comprado uma bandeirinha de um partido político. Mas não. Tinha de descambar em Funcionário Público. Antigamente era insultuoso alguém gritar para o outro “Não sejas cigano!”. Hoje em dia um Cigano é um tipo que singrou na vida, um modelo a seguir. É aquele que sabe todos os passos para sacar o subsídio de Reinserção Social e de vez em quando ainda dá uma perninha a vender camisolas Saccor falsificadas na feira. É nesses empreendedores que nós, os parasitas públicos, deveríamos colocar os olhos. Nos que têm a habilidade de ludibriar os impostos como Cristiano Ronaldo dribla adversários. Um funcionário público mediano nem esperteza tem para se safar ao imposto de televisão. Agora, para se achincalhar alguém a sério, é dizer “Oh meu g’anda  Funcionário Público!”.  Ser hoje funcionário público é pior do que se ser proxeneta, drogado ou cronista social. Transpira a imagem de um protagonista de violência doméstica, que, em vez de dar umas chapadas na mulher, espanca o frágil equilíbrio das contas públicas. Equilíbrio que até aqui se tinha  mantido firme mesmo com os milhões roubados no BCP, os milhões torrados nos submarinos, os milhões enterrados nos estádios, os milhões esfumados em contrapartidas não reivindicadas, os milhões imaginados para o TGV ou lá o que é isso, os milhões que esvoaçaram nos “Magalhães” que os subsidiados receberam à borla e venderam aos amigos, os milhões gastos em campanhas eleitorais, os milhões escondidos em comissões de inquérito e fundações várias. Este país só sobreviverá quando conseguir exterminar essa corja social chamada funcionalismo público da gama média. Funcionários públicos só de gama alta ou de gama subsidiada. Depois é privatizar tudo o que mexa e, nós os ex-funcionários públicos medianos, não passaremos mais pelo constrangimento daquele olhar de reprovação sempre que assumirmos a nossa envergonhada opção.   Os privados, esses, conseguirão com facilidade produzir fundos suficientes para pagar viagens dos altos funcionários públicos a Paris em voo executivo e os irrisórios milhões necessários para  manter algumas economias familiares em desenvolvimento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-7846313534205377572?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/7846313534205377572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=7846313534205377572' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7846313534205377572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7846313534205377572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/04/abroteas.html' title='Abróteas'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-2749451818339386628</id><published>2010-04-03T12:50:00.000-07:00</published><updated>2010-04-03T12:56:34.655-07:00</updated><title type='text'>Aquele Sorriso...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Existem coisas que nos deixam tristes. E assim ando desde que me disseram que o filho da Paula teve um daqueles ataques fulminantes que aparecem sem avisar e varrem a vida com a violência de um tufão. A notícia deixou-me triste porque este tufão escolheu um miúdo como alvo; mas deixou-me mais triste por ser o filho da Paula. E o filho da Paula poderia ser o filho de qualquer um de nós. É nisto que pensamos quando não sabemos o que dizer a uma mãe que acaba de perder um filho. Que imaginamos a dor de vê-lo partir? Apenas poderemos imaginar que deverá ter uma intensidade similar  à soma de todos os momentos que o acompanhámos na construção da sua vida. Do dia da primeira palavra até ao exame de Português;  do dia do primeiro passo até à corrida em direcção ao cesto; da sopa vomitada no babete até ao hambúrguer no Mac; do  primeiro chapinhar na água piscina até ao mergulho de cabeça da prancha; do abraço desinibido na infância, ao embaraço pelo carinho materno na adolescência. Não estamos preparados para deixar este ciclo de desenvolvimento a meio. Depois da adolescência deveria surgir a idade adulta, para acompanharmos o crescimento dos netos, e dizer mal das noras.   Não seria suposto a morte aparecer tão cedo, mas ela aparece. Apareceu com o filho da Paula como aparece com milhares de filhos de milhares de mães por esse mundo fora, todos os dias. E nenhuma mãe está preparada para este tufão. Não estamos preparados para que a única coisa certa que a vida tem, se meta logo com algo que cresceu das nossas entranhas. Socorremo-nos da lógica para iludirmos receios. Na probabilidade de ser o filho a assistir à morte do pai e não o contrário. Esta é uma ordem natural que muitas vezes não acontece. E ao não acontecer com alguém que nos é próximo, faz-nos pensar na volatilidade desta pequena passagem por aqui. Uma passagem muitas vezes inebriada por conflitos, invejas, discussões, disputas que se esfumam  num breve sopro. Não conhecia o filho da Paula; Conheço apenas a Paula. Só agora fiquei a saber que o seu nome é João. Parece que o João conseguiu construir ao longo da sua vida muitas amizades. E, se construiu muitas amizades, é sinal que aplicou bem o seu tempo de vida.  Que brincou, que estudou, que se embeiçou por uma cachopa, que se divertiu a fazer desporto, que gozou a vida como muitos de nós nos esquecemos inúmeras vezes de gozar. Hoje vi no jornal a fotografia do filho da Paula. Vi um miúdo de sorriso aberto e espontâneo, abraçado aos seus companheiros de equipa. E aquele sorriso traquinas fez-me lembrar o nosso sorriso quando invadíamos as casas uns dos outros em busca das doçarias manufacturadas pelas mães; o sorriso das jogatanas de futebol até ao anoitecer; o sorriso da ameixa que se tirou da árvore do vizinho; o sorriso do jogos de berlinde; o sorriso das conquistas, o sorriso da exterminação do pacote de batatas fritas partilhado entre nós, o sorriso de quem não se importa com o dia de amanhã. Lembras-te desse sorriso, Paula? Chegará o dia em que conseguirás largar a mão do miúdo  e deixá-lo ir libertar esse sorriso para junto de uma outra equipa de basquetebol que o espera lá em cima. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um sorriso para a Paula e para a D. Odete, duas lutadoras, que irão encontrar forças para superar mais este desafio que a vida lhes propôs... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-2749451818339386628?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/2749451818339386628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=2749451818339386628' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2749451818339386628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2749451818339386628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/04/aquele-sorriso.html' title='Aquele Sorriso...'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-8223622942166878275</id><published>2010-03-28T07:27:00.000-07:00</published><updated>2010-03-28T12:13:16.957-07:00</updated><title type='text'>A Aposta</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S69oqd7qy1I/AAAAAAAABPo/6mpmdRLuNX4/s1600/escalada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453692752567651154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 214px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S69oqd7qy1I/AAAAAAAABPo/6mpmdRLuNX4/s320/escalada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imagem retirada da net&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Epá, estou um bocado enfadado,  sinto que me falta qualquer coisa…&lt;br /&gt;- É verdade, desde a nossa última aventura nos Himalaias, há cinco meses atrás, nunca mais sentimos aquela adrenalina,…&lt;br /&gt;- E tu lembras-te daquela vez que te partiste todo depois de um salto de pára-quedas, quando aterraste em cima de um azinheira, eh,eh,eh…?&lt;br /&gt;- Não me digas nada, andei a curar o rasgão no traseiro durante 3 meses!&lt;br /&gt;- Mas melhor, melhor, foi aquela queda que eu dei no snowboard quando fomos aos Alpes austríacos. Fracturei o braço em 2 sítios e ainda hoje me custa pegar na bilha do gás.&lt;br /&gt;- Já não te lembras das nossas descidas de caiaque nos rios violentos do Chile?&lt;br /&gt;- Se não me lembro? Ia lá ficando afogado depois de ter batido com a carola num calhau! Foi espectacular, "men"!&lt;br /&gt;- Temos de planear outra aventura, que eu já não aguento esta vida entre mensagens no facebook e shots no Bairro Alto. Falta aquela sensação de risco, de perigo, de incerteza…&lt;br /&gt;- Olha, parece que agora o que está a dar são os assaltos. Todos os dias, ouço histórias de gajos a gamar qualquer coisa e a porem-se em fuga. Parece que aquilo dá alguma adrenalina; os tipos até levam uns barretes para não serem reconhecidos , porque senão…&lt;br /&gt;- Senão o quê? São caçados?...E depois? São postos cá fora! Onde é que está o perigo disso? Eu quero é uma coisa que tenha perigo real como escalada sem cordas, saltos de penhascos, mergulhos no meio de tubarões, visitas ao Afeganistão.&lt;br /&gt;- Mas as minhas costas já não aguentam esses saltos de penhascos e, se tivermos a sorte de fazer um assalto à séria, será igualmente emocionante.&lt;br /&gt;- Emocionante o tanas! Isso é coisa para meninos! Mas se quiseres alinho contigo só para me dares razão. Olha, até aposto contigo que não nos vai acontecer nada; nem um pé partido, nem um galo na cabeça, nem uma perfuração por bala, nem uma pena de prisão. E ainda aposto contigo, que vais ouvir declarações de um ministro a dizer que o país está mais seguro do que nunca…&lt;br /&gt;- Está combinado! E se tu ganhares a aposta, ou seja, se não formos para a cadeia, eu pago-te uma aventura nos confins da Gronelândia. Agora temos de planear o assalto. Vai ser a uma bomba de gasolina, a uma farmácia ou a uma ourivesaria?&lt;br /&gt;- Eu optava pela ourivesaria até porque não suporto o cheiro a gasóleo e tenho alergia ao Brufen.&lt;br /&gt;- Temos de escolher as máscaras que levamos…&lt;br /&gt;- Máscaras? Eu não quero máscaras nenhumas! Senão é que os tipos nunca mais nos apanham! Dá-me ao menos um ínfimo risco de ser caçado. Nem máscara, nem luvas, nem boné, nem bigode postiço.&lt;br /&gt;- E armas? Um martelinho para dar umas cacetadas no ourives?&lt;br /&gt;- Isso é que não, pá! Eu sou contra a violência gratuita. Martelinho na carola só no São João. Quanto muito um canivete para assustar e cortar umas cenouras depois do assalto.&lt;br /&gt;- Vamos lá planear  o roubo com algum cuidado. Entramos rápido, agarramos o ourives, encostamos-lhe o canivete ao pescoço, sacamos-lhe todo o ouro e damos de frosques a correr.&lt;br /&gt;- Eu, por mim, entrava nas calmas, dizia à dona que podia telefonar ao marido, enquanto esperávamos pela funcionária. Depois da polícia ser alertada sairíamos calmamente pela porta principal.&lt;br /&gt;- Mas tu és maluco! Assim somos logo apanhados!&lt;br /&gt;- Teremos é mais algumas hipóteses de ser caçados. Dá outro sabor à aventura. Com sorte ainda conseguimos despoletar uma perseguição com balas e tudo. De qualquer das formas eu não fico satisfeito se não me meterem umas algemas e me levarem a um juiz. Eu vou ganhar a viagem à Gronelândia, mas gostaria que a coisa desse alguma luta.&lt;br /&gt;- O que eu me ria se o pai do juiz fosse ourives…&lt;br /&gt;- Esse será o grande risco de sermos enjaulados, mas as hipóteses são muito remotas...&lt;br /&gt;Um assalto abriu todos os noticiários. Jovens entraram numa ourivesaria de cara destapada e roubaram inúmeros objectos de valor. O marido da Ourives recebeu duas chamadas desta a dizer que estava a ser assaltada. Os gatunos conseguiram abandonar calmamente o local e a polícia ainda não tem pistas. Logo de seguida, o Ministro da Administração Interna apresentou o relatório anual de segurança de 2009, dizendo sorridente que ouve um decréscimo de 1,2% da criminalidade.&lt;br /&gt;- Ouve lá! Já decidiste o que vamos fazer à Gronelândia?&lt;br /&gt;- Eu tinha pensado numa expedição em autonomia até ao topo do Ártico.&lt;br /&gt;- Assim sim! Uma aventura com riscos sérios de um tipo sair magoado…&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-8223622942166878275?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/8223622942166878275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=8223622942166878275' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/8223622942166878275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/8223622942166878275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/03/aposta.html' title='A Aposta'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S69oqd7qy1I/AAAAAAAABPo/6mpmdRLuNX4/s72-c/escalada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-7423055597933365347</id><published>2010-03-06T07:32:00.000-08:00</published><updated>2010-03-07T13:10:56.462-08:00</updated><title type='text'>A Chunga</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S5J2Kxt10LI/AAAAAAAABKI/JaTOeiSKldc/s1600-h/Bullying_Irfe.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5445544826960728242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S5J2Kxt10LI/AAAAAAAABKI/JaTOeiSKldc/s320/Bullying_Irfe.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imagem retirada da net&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A comichão voltou em força. Há quem diga que é da pele seca, que com um creme hidratante a coisa passa, mas não sei. Ela agudiza-se quando me ponho a pensar no miúdo que se matou no rio Tua porque já não aguentava levar mais tabefes dos colegas. E não paro de me coçar. Será que as pessoas também se coçam com esta bárbara notícia? Será que começam a acordar para a bandalheira na qual se está a transformar a escola? Ou como é habitual voltam rapidamente a adormecer, aconchegadas pela manta do “processo de averiguações” que se vai instaurar. Todos os professores já perceberam que a chunga chegou à escola. A chunga espanca colegas por prazer, a chunga chafurda nos bolsos de calças penduradas nos balneários à procura de valores alheios; a chunga grita para a professora “Dá-me o telemóvel já!”; a chunga rouba portáteis e carteiras; a chunga diverte-se a fazer barulho na aula; a chunga parte cabides, arranca vedações, esborrata paredes; a chunga passa droga e rouba para a droga; a chunga fotografa colegas e humilha-as na internet; a chunga descobre fragilidades humanas e explora-as até à exaustão. E porque é que a chunga existe na escola? Porque pode existir. A chunga foi produzida pela escola, para dar cabo da escola. A Escola incluiu a chunga de braços abertos e a chunga está a tratar de excluir os alunos, aqueles que vão para a escola para fazer aquela coisa esquisita que é …aprender!? E essa exclusão manifesta-se quer pela transformação forçada de alunos a sério em chunga ou, em última análise, pelo seu afogamento no leito de um qualquer rio gelado. E como a chunga é alimentada pela impunidade, ela continuará a proliferar até conseguir converter em definitivo a escola no seu parque de diversões. A chunga rouba, espanca, insulta e é …repreendida. A chunga ri-se e volta a roubar, a espancar e insultar porque vai ser fortemente repreendida. O professor aguenta a chunga na sala de aula; tenta dar aula à chunga; a chunga não quer aquela aula; a chunga é convidada abandonar a aula; a chunga bate a porta, diz ao professor “Vai p’ró ca***!” e é conduzido para a sala de estudo para ter um acompanhamento especializado. O professor é chamado à atenção que tem de aguentar a chunga na sala de aula durante mais tempo. O pai do chunga é chamado à escola e diz que já não sabe o que fazer; que o chunga tem problemas de hiperactividade; que nasceu sob o signo do Sagitário com ascendente de Escorpião ; que o seu ambiente familiar é complicado; que no fundo nem é tão chunga assim.&lt;br /&gt;Aparece alguém a falar no “Bullying” (quando deveria traduzir para o português “Chungying”), afirmando que a escola precisa de equipas multidisciplinares para acompanhar melhor a chunga. A chunga não precisa de equipas multidisciplinares; a chunga precisa é de ser posta na ordem com punições a sério (há tanto pátio para varrer, erva para cortar, loiça para lavar, lixo para apanhar). Parece que ouvi alguém dizer que nem é preciso punição?...O senhor do ministério público, que dizia que estes delitos teriam de ser resolvidos ..mas sem punição!?...O vírus da chunguice alastra sem punição. Gostaria de saber o que aconteceu à chunga que arrastou a professora com o telemóvel na mão; ou o que aconteceu ao chunga que matou um colega batendo-lhe com a cabeça numa vedação; ou o que aconteceu aos chungas que espancaram repetidamente uma aluna e a mandaram ciclicamente para o hospital. Terei ouvido “Uma valente repreensão”?&lt;br /&gt;Se no meu tempo de estudante não havia chunga? Existiam aspirantes a chungas. Tipos que se portavam muito mal, mas que depois de uns tabefes no gabinete do saudoso Padre Amílcar, ficavam sem grande vontade de voltar à condição de pré-chunga. Existiam aqueles que não conseguiam superar essa vontade de faltar ao respeito aos professores e teriam de arranjar outro caminho quer fosse a acartar baldes de cimento numa obra ali ao lado ou na delinquência numa ourivesaria ali ao pé. Agora é a escola que produz delinquentes, com a agravante de não lhes desenvolver sequer competências necessárias para o trabalho de encher baldes de cimento. Porque a chunga não sabe o que é trabalhar para obter qualquer coisa em troca. A chunga é metida em cursos especiais de entretenimento para que possa desenvolver a sua actividade de delinquência à vontade, sem se chatear muito. E os baldes de cimento chateiam um bocadinho as mãos. Essa é a chunga que quando sair da escola terá habilitações para agredir qualquer ourives à martelada.&lt;br /&gt;Não sei precisar bem quando a chunga começou a surgir, eu direi que a escola vive aproximadamente no ano 10 DC. E não confundamos o DC com “Depois de Cristo”. DC neste caso é mesmo “Depois da Chunga”, período tristemente materializado pelo corpo de um miúdo no leito do rio Tua. E não há maneira de me passar a comichão… &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-7423055597933365347?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/7423055597933365347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=7423055597933365347' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7423055597933365347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7423055597933365347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/03/chunga.html' title='A Chunga'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S5J2Kxt10LI/AAAAAAAABKI/JaTOeiSKldc/s72-c/Bullying_Irfe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-7194754980986025896</id><published>2010-02-16T15:08:00.000-08:00</published><updated>2010-02-16T15:13:55.880-08:00</updated><title type='text'>Calças pela canela</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S3smpdRymqI/AAAAAAAABKA/POSW76fGwmI/s1600-h/ng1218291.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5438983468655745698" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 152px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S3smpdRymqI/AAAAAAAABKA/POSW76fGwmI/s320/ng1218291.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A história do gatuno do rabo ao léu deixou-me transtornado. O tipo vai assaltar um minimercado, faz mal os cálculos de relação entre o diâmetro da janela e o diâmetro do seu traseiro, ficando com metade do corpo pronta para colocar as mãos nos produtos alheios e a outra metade a vigiar o exterior. Acontece que as partes incharam, vai daí o tipo ficou empancado pela cintura, na fronteira do tijolo. Cedo percebeu que a metade que ficou do lado de fora ao vento foi claramente uma má opção, pois o olho do rabo é assumidamente cegueta e a própria posição transmitia uma sensação de que “é melhor eu sair rápido antes que alguém faça das suas”. E parece que alguém andou a fazer das suas, naquele rabo desprotegido, enquanto lá permaneceu passivo umas horas até que os bombeiros o tivessem conseguido desencarcerar. Aplicaram-lhe o castigo do antigo professor primário depois do menino dar muitos erros no ditado: baixaram-lhe as calças e arreganharam-lhe umas valentes reguadas nas carnes. Quando se esperava que o ladrão se escondesse envergonhado nos calabouços da prisão, eis que surge de peito aberto pronto para fazer queixa em tribunal do streap tease forçado de que foi alvo. Parece que na Roménia, o seu país de origem, existe uma conduta de cavalheiros para, no caso de um tipo ficar entalado durante um assalto, ninguém lhe baixar as calças, até porque lá faz muito mais frio do que cá. Mas ninguém lhe explicou que agora a moda em Portugal é usar calças no fundo do rabo? Qualquer adolescente que se preze tem de mostrar a sua cuequinha Emporio Armani que custou mais do que a calcinha descaída. “Mas e o desconforto de se ficar entalado na parede?”. É porque não reparou como os jovens caminham também eles desconfortáveis, com os joelhos entalados pelo cinto, imitando pinguins na época do acasalamento. Antigamente só quando um tipo era apanhado pelos pais da namorada é que precisava de fugir assim; agora é preciso o pai da namorada dizer para ele puxar as calças para cima que se vê o selo da cueca. Provavelmente até foi um adolescente empenhado que puxou as calças ao romeno para ele ficar na moda. Só teve pena de não poder fazer-lhe a franja de asno gadelhudo para o gatuno apanhar um torcicolo a tentar tirá-la da frente dos olhos enquanto esperava pelos bombeiros. “E as verdascadas?” Alguém o confundiu com um asno gadelhudo que não obedece ao dono?...&lt;br /&gt;Eu acho que se deveria explicar ao gatuno que, no nosso país ensolarado, o rabo ao léu é rotineiro. Aliás, os jovens apenas se limitam a seguir uma tendência cada vez mais enraizada na sociedade portuguesa do “estar-se a “cagar””. Estar-se a cagar no cidadão, estar-se a cagar no professor, estar-se a cagar nos pais, estar-se a cagar no polícia, , estar-se a cagar no reformado, estar-se a cagar nas escutas, estar-se a cagar para a agricultura, estar-se a cagar no bem alheio. E, na maior parte das vezes, quando se está a cagar em grande, naturalmente o rabo ficará ao léu e as calças descaídas junto às canelas. Portanto o gatuno que não venha “cagar postas de pescada” por ver a sua cueca ao léu e as calças junto às canelas, até porque teve a sorte de não passar naquele momento de aflição, um ávido molestador de ladrões em apuros. Se fosse mesmo inteligente criava uma história ao jeito das inventadas por conhecidas personalidades quando se lhes começa a ver o rabo. Bastaria dizer que gosta de cagar sossegadinho, sem ter de ver outras pessoas nesse seu acto tão intimista. A malta até poderia cair nessa.&lt;br /&gt;Mas apesar do aparente desconhecimento dos nossos hábitos modernos por parte do ladrão Romeno, o tipo parece já conhecer alguns cantos à casa (não o diâmetro das janelas) isto porque já descobriu que neste país pródigo em estimular a “cagadela no próximo”, pune cada vez mais o próximo e cada vez menos o cagão. O grande problema do cagão vai ser agora encontrar testemunhas oculares para as bordoadas no traseiro. Ou ele trata de atribuir dotes de visão ao seu olho do rabo, ou desconfio que, dos muitos olhos que olharam para mãos a dar cacetada na pernoca do rapaz, nenhum terá visto grande coisa. Parece que todas aquelas retinas se estavam a cagar para o ladrão com as calças pela canela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-7194754980986025896?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/7194754980986025896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=7194754980986025896' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7194754980986025896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7194754980986025896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/02/calcas-pela-canela.html' title='Calças pela canela'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S3smpdRymqI/AAAAAAAABKA/POSW76fGwmI/s72-c/ng1218291.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-27409041078347549</id><published>2010-01-30T08:33:00.000-08:00</published><updated>2010-01-30T08:40:43.553-08:00</updated><title type='text'>Protesto Orgânico</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S2Rg5uN6pFI/AAAAAAAABJQ/5rivHQXAhlU/s1600-h/sono.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5432573595290870866" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S2Rg5uN6pFI/AAAAAAAABJQ/5rivHQXAhlU/s320/sono.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                                                            &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imagem retirada da net&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Raramente escrevo crónicas a pedido, mas desta vez não posso ficar indiferente ao apelo do meu organismo que está farto de se levantar ás sete da matina. Na verdade este apelo, vem-se manifestando há pouco mais de 40 anos. No outro dia, ao abrir a janela e observar a escuridão da madrugada, o meu organismo teve uma conversa séria comigo e colocou-me o ultimato: “Ou escreves qualquer coisa sobre esta penitência matinal, ou amanhã não chegas a horas ao emprego!”. Não tive escolha e aqui estou eu a dar voz à sua indignação, em forma de pergunta “Porque raio nos andamos todos a levantar às 7 da matina durante toda a nossa vida?”. Depois de pensar bem, começo a ter de concordar com ele. Quando o despertador toca, o organismo não está preparado para acordar; está sim preparado para descansar à vontade mais duas horitas. E como percebemos isso? Com a violência da sapatada dada pela orgânica manápula no pobre do despertador. Aliás a própria evolução do despertador admite essa maldade a que sujeitam o organismo todas as manhãs. Antigamente tínhamos despertadores com sons de sirenes de emergência, que faziam o organismo saltar da cama como um trapezista mexicano, e o botão que nos possibilitaria parar com aquele arraial, estava bem camuflado entre as duas enormes campânulas. Os despertadores actuais tocam uma música suave com aumento progressivo da intensidade do ruído e têm um enorme botão para interrupção rápida da melodia através de uma sapatada sem falhas. O seu formato achatado é mesmo concebido para levar a tal bolachada sem que o organismo saia engessado. Mas mesmo com esta tentativa de atenuar a dor, o organismo acorda rabujando impropérios quase sempre dirigidos à entidade patronal.. Se eu fosse patrão, não gostaria que os meus empregados me chamassem nomes feios assim que acordam. Deixava-os acordar a horas decentes. E depois o trabalho? O trabalho fazia-se entre as 10h e as 16h. “Tu és maluco!?”… Maluco quanto muito é o meu organismo, que precisa de estar mais tempo na sorna. “Então e a produção?”. Eu próprio perguntei isso ao meu organismo e ele respondeu-me com um eloquente “Não estamos na época do Blu-Ray? Das câmaras digitais? Das máquinas que dão troco? Então inventem qualquer coisa para aumentar a produção sem nos fazerem sair da cama àquela hora!”. Eu sei que existem tipos que acordam mais cedo do que as sete da matina. Para esses a minha palavra de apreço, convencido de que estarão a caminho da beatificação com umas grandes olheiras. Ainda ontem estive a ver um programa sobre as consequências da falta de sono no organismo, que nos casos mais extremos pode levar à autodestruição. Fiquei a saber como a empresa de transportes norte americana Dupre , que estava a entrar em falência, conseguiu reverter a situação através do sono. Descobriu que o organismo dos seus motoristas estava a estampar os camiões contra postes de electricidade com alguma frequência e decidiu aumentar os tempos de sesta e dias de descanso extra. Os resultados foram esclarecedores em termos de ganhos económicos e de redução drástica de camiões estampados contra postes, tudo porque se percebeu que um organismo mais descansado é um organismo menos revoltado. Mas mais revoltado do que o organismo de um adulto é o de uma criança. Como pai, para além de ter de lidar todos os dias com a rabugice do meu próprio organismo para sair da cama, tenho de gramar com a acidez do humor matinal dos meus filhos. Mas para o sentir, tenho de abanar vezes sem conta os pequenos organismos que estão embrenhados em apelativos sonhos infantis. Também eu ficaria lixado se um tipo me viesse interromper a história do Obelix no momento em que este se preparava para dar uma tareia nos romanos e, ao invés dos “paf, puf, toing,” ouviria “são horas de ir para a escola”. E depois querem que as crianças gostem da escola.&lt;br /&gt;Existe quem defenda que se nos levantarmos bem cedinho o dia rende mais. Mas rende mais para quê? Para o trabalho, que começa mais cedo. Deixem o meu organismo ficar na sorna! O organismo diz-me que se nos levantarmos menos cedinho a noite rende mais. E é na noite de sono que aparecem os sonhos. E nos sonhos, não há filas de trânsito, há viagens a Katmandu, não há bandidagem, há aventuras na Groenelândia, não há Primeiros-Ministros malandros, há travessias de veleiro no Atlântico, não há desemprego nem fome. Agora digam-me lá se o meu organismo não está coberto de razão? A malta precisa é de dormir bem e sonhar melhor. O meu filho estava a dizer no outro dia, que nunca mais chegava o fim de semana para poder ficar na cama até mais tarde. Revela que o seu organismo está no caminho certo, que não sofre do síndrome Marcelo Rebelo de Sousa o tal que acha que a noite é para passar a ler livros. Também há organismos esquisitos.&lt;br /&gt;No meio desta revolta do meu sonolento organismo, o que me preocupa é ter de lhe explicar com jeitinho, que hoje é domingo e amanhã terá de sair outra vez da cama às 7 da matina. Temo que, mesmo com o atraente despertador achatado com suave música dos andes, o meu organismo não deixe de se manifestar entre dentes com um “Quem foi o ****** que se lembrou de nos fazer levantar a esta hora?”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-27409041078347549?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/27409041078347549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=27409041078347549' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/27409041078347549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/27409041078347549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/01/protesto-organico.html' title='Protesto Orgânico'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S2Rg5uN6pFI/AAAAAAAABJQ/5rivHQXAhlU/s72-c/sono.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-1863099104654893063</id><published>2010-01-19T07:26:00.000-08:00</published><updated>2010-01-19T07:29:43.270-08:00</updated><title type='text'>O Voo da Cegonha</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S1XP26jDHaI/AAAAAAAABI4/zRygaQVaMFs/s1600-h/288270.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428473468201147810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 253px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S1XP26jDHaI/AAAAAAAABI4/zRygaQVaMFs/s320/288270.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até aqui não me tinha deixado incomodar muito pelo Casamento “Gay”. Mas li, na primeira página do jornal: “Saiba explicar o casamento “Gay” aos seus filhos”…!!! Ando há algum tempo a tentar sair ileso da pergunta “como nascem os bebés” . Já tinha vencido o mito da cegonha; consegui ultrapassar a barreira da sementinha deixada pelo pai na barriga da mãe e já estava em estágio para encher o peito de ar e abrir sem inibições o Manual da sexualidade infantil com a história da pilinha e do pi-pi. Agora querem que eu explique aos miúdos como se casam os “Gays”? Parece que até já lançaram livros infantis com clarificações pedagógicas sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a consequente adopção . No “Livro do Pedro” onde o tema é abordado com “naturalidade e frescura”, “… uma menina tenta perceber como coube na barriga das mamãs Carlota e Ana”. Fiquei a pensar na “naturalidade” disto, e descobri que isto não é natural. O que é natural é um homem ter filhos com uma mulher; um gorila ter filhos com uma gorila; um leão ter filhos com uma leoa; um urso polar ter filhos com uma ursa polar… (será aqui que entra a frescura?). Não é natural a Maria tratar a mãe por Joaquim António. Se a Maria perguntar como saiu da barriga do Joaquim António, terá de se voltar à história da cegonha. Antes de me começarem a chamar homofóbico, eu esclareço já que não nutro qualquer tipo de fobia por homossexuais. Bom, se o Joaquim António me quisesse fazer umas festinhas no couro cabeludo, aí eu já não iria achar muita graça. Na verdade, apenas me queria ficar pela explicação da pilinha e do pipi no sistema reprodutivo. Já não tenho arcaboiço para abranger o sistema endócrino, e tentar explicar aos miúdos que existem pessoas cujas hormonas as levam a sentir-se seduzidas por pessoas do mesmo sexo. E esta minha dificuldade em explicar, passa pela minha dificuldade em entender como um tipo consegue trocar uma extraordinária mulher por um robusto jogador de Râguebi . O raio das ferormonas tinham de pregar esta partida a um macho? Acho esquisito, mas respeito. Se vir dois barbudos aos beijos na boca, acho esquisito, mas respeito; acho esquisito um tipo satisfazer-se com chibatadas no lombo, mas respeito; acho esquisito um indivíduo tatuar todo o corpo, mas respeito; acho esquisito alguém gostar de pendurar alteres nos testículos, …desculpem, mas isto é esquisito de mais. Mas mais esquisito ainda, é um tipo ter de explicar aos filhos aquela imagem que aparecerá no livro de Estudo do Meio, de dois barbudos abraçados a cantar os parabéns ao seu filho. Se existe preconceito implícito nesta minha imagem? Existe. E o preconceito irá continuar a existir enquanto eu achar esquisito. Mas atenção que não vou sair por aí a chamar nomes pejorativos a indivíduos com outras opções sexuais que não a minha. Aliás, se analisarmos bem, o termo “panasca” é dos que pior soa no calão da língua portuguesa, dos que mais ofende os tímpanos, e sinceramente penso que não havia necessidade. Como não haveria necessidade deste histerismo do orgulho Gay, que quer a toda a força tornar naturalmente radioso o casamento entre duas pessoas do mesmo género. Eu sei que existirão muitos homossexuais de bom senso que não embarcam nesta onda de exibicionismo doentio. Homossexuais que não necessitam dos desfiles nas avenidas para viver a sua sexualidade de forma plena. Que não concordam com esta tentativa de subversão do conceito ancestral de família. Que vivem em união de facto e, para legarem bens, utilizam o testamento em vida ao invés de invocarem a necessidade de meter uma aliança no dedo.&lt;br /&gt;O significado das palavras tem uma importância grande nesta fase educativa e temo já não poder mandar a minha filha ao dicionário ler significados corriqueiros como “casal” ou “casamento”. A miúda ficaria mais baralhada do que eu, quando lesse “conjunto de macho e fêmea” ou “contrato..entre duas pessoas de sexo diferente” depois de ter estudado que é natural o casal ser composto por dois barbudos. Ah, mas parece que se vai alterar a terminologia do dicionário e tirar de lá “macho e fêmea” e “pessoas de sexo diferente” , para não baralhar os cachopos e os pais dos cachopos. Com alguma persistência e algum jeitinho, ainda conseguem atribuir o significado de “casal” no dicionário ao “conjunto de Macho e Macho”. Não é mal pensado. Também eu acho inconcebível que não consiga voar. Vou já tratar de mudar no dicionário o significado da palavra “voar” substituindo o “suster-se no ar com auxílio de asas ou membros análogos” e colocar “suster-se muito rapidamente no ar”. E pronto! Já consigo voar. Ainda hoje consegui voar para cima duma cadeira cá em casa.&lt;br /&gt;Pelo sim pelo não, o melhor é eu permanecer sossegadinho na história da sementinha na barriga da mãe e esperar que a curiosidade infantil não pergunte: “mas como é que a sementinha entra dentro da barriga?”. Com sorte, até pode ser que no dicionário já apareça a cegonha com a fralda no bico…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-1863099104654893063?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/1863099104654893063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=1863099104654893063' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/1863099104654893063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/1863099104654893063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/01/o-voo-da-cegonha.html' title='O Voo da Cegonha'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S1XP26jDHaI/AAAAAAAABI4/zRygaQVaMFs/s72-c/288270.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-1058249646949590329</id><published>2010-01-07T03:12:00.001-08:00</published><updated>2010-01-07T16:09:28.988-08:00</updated><title type='text'>Ladro- Turismo em Palm Beach</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S0XBxQ7yvJI/AAAAAAAABIw/9V82XLNRU3c/s1600-h/west-palm-beach.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423954378341137554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S0XBxQ7yvJI/AAAAAAAABIw/9V82XLNRU3c/s320/west-palm-beach.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um casal de turistas foi preso por roubo de utensílios de cozinha num centro comercial em Palm Beach no sul da Florida. Quando ouvimos uma notícia destas ficamos logo com a pulga atrás da orelha. Existe aqui uma aparente incompatibilidade entre “turistas em Palm beach” e “roubo de utensílios de cozinha”. À partida, um indivíduo que tem massa para passar férias numa estância de luxo como Palm Beach, não deveria andar na roubalheira de utensílios de cozinha. E ainda por cima os tipos vinham da Europa. Da Europa? Sim, de Portugal!...Ainda mais incompreensível. Quantos portugueses podem ser turistas em Palm Beach?...(Sem contar com o Armando Vara e Joe Berard)… Poucos. Então e esses escassos representantes a nossa nata capitalista, tinham logo de ser apanhados com raladores dentro da mala. Epá, não foram só raladores. Também gamaram uns perfumes, umas joiazitas e uns produtos para a pele escamada. Ah, assim está bem! Parece que o valor do roubo teria sido de 400 euros, e se não os tivessem apanhado, tinha chegado à vontade aos …600 euros, o que representaria, para aí um oitavo do preço da viagem. O que me causou ainda maior surpresa, foi a admiração deles quando os levaram para a prisão, lhes disseram que a fiança seria fixada em cerca de 3500 euros e que poderiam incorrer numa pena até 5 anos na choldra. E a admiração e choque expandiu-se para os nossos órgãos de comunicação social, que noticiaram insistentemente esse tão inusual acontecimento. O roubo de lojas?...Não, a prisão imediata dos gatunos. E aí, eu tenho de concordar com eles. Então isso faz-se? Prender dois jovens turistas só por terem cortado com alicates os alarmes dos produtos furtados? É sinal que são engenhosos. Antes isso do que a máquina apitar à saída e toda a malta ficar a olhar. Deveria existir uma adaptação das leis locais aos hábitos e costumes dos visitantes. Os jovens vêm de um país onde empresários, banqueiros, empreiteiros, políticos roubam à descarada e não são sequer algemados. É preciso galo. Jovens que estão em início de vida, com evidentes dificuldades financeiras(parece que lhes saiu a viagem à Flórida num pacote de bolachas Maria), não podem meter ao bolso uma colherzita de pau, uma máquina de fazer sumos, um colar de pechibeque, para enriquecer o parco enchoval? Então e toda aquela malta que gama caramelos nos Grandes Armazéns de Badajós, os tipos que se apoderam de roupões de banho dos hoteis ou os membros da claque dos Super-dragões que surripiam lembranças por todo o lado por onde passam? A esses ninguém encosta à parede; ninguém lhes chama ladrões? Os americanos é que são exagerados. Se não podiam deixar o casal em paz a gozar as suas férias entre mergulhos no Atlântico, bebidas ao Pôr do Sol e uns assaltos no Shopping. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;     Continuo a visualizar com alguma perplexidade a cara de sofrimento daqueles jovens a serem brutalizados e algemados contra o balcão da loja de utensílios de cozinha num centro comercial em Palm Beach. Ora Senhor agente, não precisa de ser tão bruto! E já agora deixe lá ficar ao menos esse raspador de cebola aí na mala, que dá muito jeito lá em casa! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-1058249646949590329?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/1058249646949590329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=1058249646949590329' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/1058249646949590329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/1058249646949590329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/01/ladro-turismo-em-palm-beach.html' title='Ladro- Turismo em Palm Beach'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S0XBxQ7yvJI/AAAAAAAABIw/9V82XLNRU3c/s72-c/west-palm-beach.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-2851725810878779295</id><published>2010-01-07T02:59:00.001-08:00</published><updated>2010-01-07T03:01:33.096-08:00</updated><title type='text'>Limpa Chaminés</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S0W-_QAX_UI/AAAAAAAABIo/-4fvlC7AwNM/s1600-h/limpa2.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423951320075205954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 204px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S0W-_QAX_UI/AAAAAAAABIo/-4fvlC7AwNM/s320/limpa2.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Comecei o ano a pensar no Limpa Chaminés. Poderá parecer estranho, até produzir suspeitas de pessimismo baseado na ideia figurativa de um início de ano chamuscado, mas a minha admiração por essa personalidade é genuína e sem qualquer tipo de negridão. Não se pense que eu apenas enalteço o seu trabalho de evacuar toda a porcaria acumulada no interior de uma conspurcada chaminé. O que eu aprecio no Limpa chaminés, ou antes, naquele Limpa chaminés que colocou o autocolante no semáforo com o número do seu telemóvel, é o espírito empreendedor revelado. Quando pensamos no Limpa chaminés vem-nos logo a imagem do pobre coitado, com toda a cara enfarruscada, com as barbas cobertas de fuligem (todo o limpa chaminés do nosso imaginário tem barbas para acumular fuligem), uma escova negra na mão e uma postura encurvada de pessoa que pouco come e muito sofre. Mas este tipo do autocolante, não. Este Limpa Chaminés anuncia orgulhoso que “Vai a todo o país sem sujar a casa”. Ora aí está o que a malta precisa: um tipo que limpa sem sujar. Parece que antigamente, eles limpavam as chaminés emporcalhando o resto da casa. Eram pagos por alguém que os odiava por terem sido responsáveis por aquela cinza ficar incrustada nos cortinados, que demoraria muita esfregadela a sair. Pior do que isto só o sentimento nutrido pelo pintor que deixou toda a tijoleira com salpicos brancos para passarmos dois meses a lixar. Agora o Limpa Chaminés não só Limpa, como Não Suja e vai a todo o país. Mas vai mesmo a todo o país, porque eu já vi o mesmo autocolante colado em semáforos no Estoril, em Sever do Vouga e em Liteiros. Este indivíduo materializa tudo o que o país necessita neste momento; de gente com atitude pró-activa, que vai à luta, que não fica à espera, que cola autocolantes nos semáforos e nos sinais de trânsito. Tenho de confessar que já estava a perder a esperança, depois de ter constatado que até os tipos do CitiBank que na entrada dos centros comerciais, em outros tempos se atiravam a nós como carraças em busca da orelha suculenta, estão agora cabisbaixos encostados aos balcões esperando que uma orelha com espírito de auto-sacrifício se aproxime voluntariamente. Ainda bem que chegou o Limpa Chaminés, que poderia muito bem ser um Fura Chaminés, atendendo ao seu espírito guerreiro de conquista de clientes utilizadores de estradas com semáforos. E a ideia do asseio é uma boa ideia, até para combater o estereótipo da linguagem adolescente do significado de limpar a chaminé; a imagem porcalhona do indicador a tirar macacos do nariz cai por terra quando o tipo diz “sem sujar a casa”. Só terá contra ele o facto de deixar a casa limpa mas os semáforos sujos. Mas do mal o menos. Tenho de confessar que de princípio até desconfiei do homem. Um Limpa Chaminés que não levanta poeira, é quase como um mecânico não que deixa cair óleo no chão. Pensei que o tipo se tinha inspirado na artimanha dos nossos políticos do “faça a porcaria que quiser, sem sujar o seu cadastro” para elaborar o seu marketing em forma de autocolante. No entanto, parece que a coisa funciona mesmo, através de um método de limpeza das chaminés por aspiração, ficando toda a fuligem escondida dentro do aparelho. É um método limpo sim senhor, mas tenho de denunciar que a ideia não é original, atendendo a anteriores versões de “aspiração de escutas” ou “aspiração de provas” proporcionadas por outros personagens. O método de limpeza é semelhante, mas a fuligem é outra.&lt;br /&gt;Deixando de lado as más memórias, deixo aqui os votos para que neste ano que se inicia, todos tenhamos um pouco da capacidade empreendedora do “Limpa Chaminés que vai a todo o lado sem sujar a casa”. Será sinal que, mesmo com toda a porcaria produzida e aspirada por outros, apesar das dificuldades inerentes às condições actuais, ainda teremos iniciativa e força para colar autocolantes por esses semáforos fora. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-2851725810878779295?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/2851725810878779295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=2851725810878779295' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2851725810878779295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2851725810878779295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2010/01/limpa-chamines.html' title='Limpa Chaminés'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/S0W-_QAX_UI/AAAAAAAABIo/-4fvlC7AwNM/s72-c/limpa2.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-8877689657074218078</id><published>2009-12-09T13:25:00.000-08:00</published><updated>2009-12-09T13:28:20.945-08:00</updated><title type='text'>A normalidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; “Este tipo é um perfeito anormal” representa uma das pérolas do nosso reportório linguístico geralmente utilizada em momentos de extrema indignação. O “perfeito anormal” está ao nível de outras expressões igualmente contundentes como “besta quadrada”, “grandessíssimo imbecil” ou “enorme cavalgadura”, que fazem parte da nossa identidade, enquanto  armas prontas para ser arremessadas quando alguém nos faz a mostarda subir pelas narinas, proporcionando um enorme alívio interior. No entanto, no meio de tanta transformação social, temo que esta adjectivação do “perfeito anormal”, esteja em vias de extinção. Isto, porque percebi que a anormalidade está a infiltrar-se no território do normal, enquanto que factos outrora normais representam agora um nicho de raridade  olhado de soslaio. Confuso?..eu também, mas vou tentar desemaranhar este novelo da normal anormalidade(?).  Estava a falar com um amigo que, depois de sucessivos contratos anuais ficou a saber que o vão despedir por não poder ficar no quadro da empresa. O tipo aprendeu tudo sobre o ofício; integrou-se na empresa; é um funcionário competente; chegou sempre a horas; saiu sempre depois da hora; realizou todas as tarefas com afinco;  mas o contrato acabou e ele terá de ir à sua vidinha para outro lado. Porque para este lado, aparecerá outro novato como ele já foi, para aprender o ofício, para no final de uns poucos contratos o porem também a andar. Quando eu pensava que, depois de ele me contar a sua situação profissional, completaria com um terapêutico “Estes gajos são uns perfeitos anormais!”, limitou-se de forma resignada a dizer “É uma situação normal!”. Uma situação normal???    Quem foi o anormal que disse que isto era uma situação normal? Normal o tanas! Isto é do mais anormal que poderá existir numa sociedade que se pretende desenvolvida. A anormalidade de explorar pessoas como se de pastilhas elásticas se tratassem, daquelas que fazem mal aos dentes e o melhor é colá-las no tampo do caixote do lixo depois de perderem a cor. Caí em mim e olhei mentalmente  para aquela enorme fila de jovens desempregados à espera que o meu amigo vá à vidinha dele para outro lado. Estou a vê-los a entrar de sorriso aberto na entrevista mediante a boca voraz do mastigador insaciável . São tantos, mas tantos que se disponibilizam a ser mastigados sem contrapartidas que tenho de me render à constatação do meu amigo: “É uma situação normal”.  Mas onde já ouvi também esta expressão? Deixa cá ver…Ah, foi aquela senhora Polícia, responsável pela segurança no último dérbi futebolístico da capital. Perante a pergunta do jornalista sobre o apedrejamento do autocarro do clube visitante por parte dos adeptos anormais, a agente da autoridade responde com um aliviador “São situações perfeitamente normais num evento deste tipo”. Ora aí está, a metamorfose. Quando se pensava que o alívio chegaria com a declaração “A esses perfeitos anormais era dar-lhes umas belas cacetadas no lombo…” , o alívio chega com a transformação dos anormais com calhaus numa mão e very-lights na outra, em seres com comportamentos perfeitamente normais. “Se é normal, então deixa cá ver se desta acerto na carola do Nuno Gomes…”.&lt;br /&gt;Estamos assim  convencidos que  partilhamos uma espécie de retrete colectiva, onde aliviamos a nossa trampa com um cheiro perfeitamente normal. A diferença é que as fezes orgânicas e o odor por elas produzido são, de facto, saudavelmente normais. A trampa social é que não deveria ser normal. Mas para isso seria necessário que, aos primeiros descuidos, existisse alguém com coragem para dizer  “ Ó seu porcalhão, então isso faz-se!?”. Mas é mais fácil assim. A malta faz trampa em sossego porque é perfeitamente normal. E que alívio isso dá. O alívio de saber que é normal um anormal, perdão, uma besta despejar lixo na natureza; que é normal um anormal, perdão, um imbecil espancar a mulher durante anos; que é normal um anormal,  perdão, um cavalgadura ser ilibado de um crime que cometeu; que é normal um anormal, perdão, um cachopo faltar ao respeito a um adulto; que é normal um anormal, perdão, um responsável político ver-se envolvido em inúmeras embrulhadas ocultas com um sorriso nos lábios.&lt;br /&gt;O que é anormal, é o senhor António Nobre ter achado na rua um saco com mil euros dentro e  o ter ido devolver à esquadra. A notícia bombástica  sobre um acto tão anormalmente bizarro esbarrou nas declarações do senhor António que, ao encolher os ombros respondeu “Isso foi o que me ensinaram. Se uma coisa não me pertence, devolvo. Acho normal…”.   Também eu acho, mas não achou a entrevistadora ao olhar para o Sr António como se estivesse perante um Lince da Malcata criado em cativeiro.  O Sr António representa assim o paradigma vivo do normal anormal, em contraste com o imbecil do calhaus no vidro alheio que encarna na perfeição o modelo anormal normal.&lt;br /&gt;No meio deste caldo pestilento normalizado, o que me deixa verdadeiramente triste, é saber que já não posso mandar com um  “grande anormal” como forma terapêutica imediata. Corro sempre o risco de ouvir: “Cretino ainda vá!…Agora anormal,…isso é que não!”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-8877689657074218078?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/8877689657074218078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=8877689657074218078' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/8877689657074218078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/8877689657074218078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/12/normalidade.html' title='A normalidade'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-985060060305272822</id><published>2009-11-13T15:45:00.000-08:00</published><updated>2009-11-13T15:54:10.496-08:00</updated><title type='text'>E o cromo do Marinho?...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/Sv3xP8YToxI/AAAAAAAABFg/UofQswtrT6g/s1600-h/zoom_2_2278512.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403740384122872594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 227px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/Sv3xP8YToxI/AAAAAAAABFg/UofQswtrT6g/s320/zoom_2_2278512.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O meu filho faz colecção de Gormitis, uns bonecos de plástico em miniatura, com aspecto a puxar para o aterrador. Uns com cornos, outros com escamas, uns com martelos no lugar das mãos, outros com focinho de jacaré, uns com cauda de réptil a substituir os braços, outros com buracos na cabeça. Mas os miúdos gostam daquilo, porque aquilo se colecciona. O enigma do coleccionismo voltou para me atazanar. Eu, que já coleccionei de forma aguda, decidi voltar a ostracizar os fantasmas dos cromos da bola que ainda faltam na minha colecção do campeonato 75/76. Qualquer colecção tem o seu quê de inglório. Toda a malta colecciona em algum momento da sua vida e a maioria não consegue chegar ao fim da colecção. Existe qualquer coisa de contraproducente nisto. Um indivíduo investe tempo e dinheiro numa colecção que não tem qualquer hipótese de ser completada. Pedagogicamente o coleccionismo é um estímulo à obra inacabada. É como dizer a um miúdo “Vê lá se te entreténs a correr atrás daquela colega gira; mas sabes, nunca vais conseguir deitar-lhe a mão!” O que é que um indivíduo com dois dedos de testa faz? Desiste. E é assim que terminam todas as colecções; a meio do caminho. O que é que fica no final de tudo isto? Quinquilharia. Existem pessoas que fazem colecção de esferográficas e ainda por cima daquelas rascas. Podiam-se abotoar a umas Parker ou Schiffer com revestimento a prata, sempre tinha algum valor patrimonial, mas enchem a casa com pendericalhos de plástico com logótipos das rações Fonseca. E o esforço não tem um fim à vista, uma vez que o ritmo de aquisição é trucidado pelo ritmo de produção diário de objectos da colecção, diferentes dos que já adquiriu. Eu próprio nunca percebi por que razão não coleccionei lingotes de ouro em vez de cromos com uns tipos gadelhudos. Agora estaria num resort de luxo sem pensar no cromo do Marinho do Braga que era muito difícil encontrar.&lt;br /&gt;Existe um factor que anda muitas vezes a par da colecção e contribui para que um tipo não consiga fugir dela. É o chamado factor surpresa ou factor raspadinha . Se eu chegar a casa e mostrar ao miúdo o Gormiti do Devil Fenix, o Senhor dos Céus que lhe consegui arranjar, ele olha-me de forma displicente e, na melhor das hipóteses liberta um “ah” . Agora se eu lhe oferecer um pacote fechado de onde sairá um Gormiti misterioso que, com sorte, poderá ser o do Devil Fenix, o Senhor dos Céus , aí sim sairá um “Espectacular pai!”. É este misticismo oculto que pode transformar o coleccionismo num inferno difícil de evitar. Raspar com a moeda num espaço opaco à espera de ganhar dinheiro ou não ganhar nada, é tão estimulante como abrir o pacote do Gormiti à espera do Senhor do Vulcão e ficar-se por um “Gaita! lá me saiu pela 5ª vez o Horror Profundo!”. E enquanto sai e não sai, os pais vão desembolsando pequenas montas num monte de pacotes surpresa da colecção. Os Gormitis representam um tipo de colecção ainda mais violenta para a carteira de quem adquire. Quando um tipo decide comprar um pacotinho para ver o sorriso na criança, a criança diz-lhe “Mas ó pai este é o da 1ª série!”. No meu tempo não havia essa coisa das séries. Um gajo coleccionava berlindes de várias cores e feitios mas sempre da mesma série; coleccionávamos caricas de diferentes refrigerantes, mas as séries eram basicamente… as mesmas…???. Os Gormitis não. Quando um tipo adquire um da 1ª série; já existe a colecção da 2ª; se tem a sorte de encontrar um da 2ª são os da 3ª é que brilham no escuro. Isto tem haver com a sofreguidão e ritmos actuais, que nos deixam baralhados. Como sou do tempo da colecção da carica ou da caixa de fósforos, tenho alguma dificuldade em acompanhar a mudança repentina de séries. “Mas os Gormitis da 3ª série são espectaculares, apesar de existirem uns da 2ª que ainda me faltam. O João lá da escola já tem a colecção toda!”. Mas ninguém tem a colecção toda! A colecção é mesmo para não se ter toda. Felizmente que a minha irmã interrompeu há 20 anos a colecção de porcos. Toda a malta lhe dava porcos; e se o porco ocupa espaço. Um dia fartou-se de porcos e toda a malta já não sabia o que lhe oferecer. Hoje olho para a sua inacabada colecção e imagino o que custará limpar o pó a tanto porco. E se,…por um acaso,… se pusessem os porcos a andar?...Não! porque existe a questão afectiva do coleccionismo. Então aquilo demorou tanto tempo a coleccionar…&lt;br /&gt;Não bastava a praga dos Gormitis e agora renasceu a colecção dos cromos da bola para reforçar o meu trauma de infância. Os tipos oferecem a caderneta com 6 cromos dentro para agarrarem, o miúdo ao vício. Eu é que não dei baldas ao cachopo e olhei logo para o número 320 da colecção. Um tal de Matos do Vitória de Setúbal. É a última equipa representada. Não?,…ainda há os “Craques”, e os “Top jovens”, e as “Últimas Aquisições” que acabam no número 388. Desta vez eu não vou deixar que o meu filho me culpe daqui a 20 anos, por nunca ter conseguido acabar a colecção dos cromos da época 2009/2010. É por isso que não vai colar nem um cromozito na caderneta. É que para não se acabar uma colecção, tem, em primeiro lugar, de impedir que ela comece.&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403740556970489250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 178px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/Sv3xaASY9aI/AAAAAAAABFo/dJy3QH9Lbks/s320/marinho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;Aqui está ele...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-985060060305272822?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/985060060305272822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=985060060305272822' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/985060060305272822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/985060060305272822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/11/e-o-cromo-do-marinho.html' title='E o cromo do Marinho?...'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/Sv3xP8YToxI/AAAAAAAABFg/UofQswtrT6g/s72-c/zoom_2_2278512.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-6949872679152725248</id><published>2009-11-03T10:01:00.001-08:00</published><updated>2009-11-07T03:38:50.033-08:00</updated><title type='text'>Desratização</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SvBxAPeWe3I/AAAAAAAABFY/GbGCMijBnnA/s1600-h/ratazanas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399940202184997746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SvBxAPeWe3I/AAAAAAAABFY/GbGCMijBnnA/s320/ratazanas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estava aqui a ouvir as declarações de um responsável político sobre a operação "Face Oculta" que descobriu um envolvimento de gestores de empresas públicas em casos de corrupção. Das declarações emergiu a frase “Temos de avançar com um processo de averiguação para clarificar a situação!”. O “processo de averiguação” tem este efeito fantástico de acalmar de forma instantânea os ânimos mais indignados. “Eu agora sempre quero ver como os tipos se vão safar, depois de terem sido apanhados com a mão na massa…”. Ao que alguém responde “O que vale é que vão abrir o Processo de Averiguação…” e já está. A malta fica logo mais sossegadinha porque se iniciou o processo. Que processo??? O de averiguação. A grande vantagem da averiguação é que liga muito bem com  processo; ambos dão a ideia de se prolongarem no tempo; o tempo necessário para a exaltação perder o fôlego. Eu próprio descobri que estão ratazanas no canil dos meus cães. Vi as caganetas, encontrei vestígios de roeduras e já me deparei com a cauda de uma oscilando junto ao telhado. A minha mulher que não acha muita piada aos roedores saidos de fossas, disse-me para eu me livrar dos bichos. Aproveitei a deixa e lancei-lhe com o processo de averiguação para cima “Fica descansada porque eu vou iniciar as averiguações…” ao que me respondeu sem clemência “então averigua rápido porque eu não quero ratazanas a roerem os sacos do arroz na despensa!”. Lá se foi a minha margem de averiguação. Se repararem, apesar da confusão, o termo “averiguar” não tem a mesma contundência de um “descobrir”. Quando alguém diz “Eu vou descobrir o gatuno!” não tem margem de erro possível. O gatuno tem mesmo de ficar com medo. Porém, se a mesma pessoa disser “Eu vou averiguar sobre quem roubou as jóias da Dona Odete…” será a Dona Odete que deve ficar com medo… por nunca mais pôr os olhos nas jóias. Averiguar fica-se por uma tentativa de descobrir. E um indivíduo que diz que vai “tentar descobrir”, nunca se compromete, sabendo de antemão que nunca irá mergulhar na investigação tão de cabeça como aquele que assume de forma inequívoca que vai descobrir. O Averiguador manda-se cauteloso de pés com a mão a apertar a narina, esperando que a malta acredite que consegue apanhar a moeda no fundo da piscina. O que me espanta é a capacidade que temos em sermos ludibriados pelo engodo do Processo de Averiguação. A rapaziada fica mesmo mais aliviada porque alguém vai averiguar o caso. Se pensarmos um pouco, o “processo de averiguação” é a nova colecção primaveril da moda do “processo de inquérito”. Como no “Processo de Inquérito” já ninguém cai depois da… queda da ponte de Entre-Rios sem responsáveis, dos erros médicos sem responsáveis, das violações na Casa Pia sem responsáveis, alguém se lembrou de um substituto à altura. Um termo igualmente pomposo e inútil. O processo de averiguação está para a opinião pública como o colete salva-vidas está para o passageiro da aviação civil. Sossega espíritos mais inquietos, apesar da inócua utilidade. E todos ficam contentes. Os administradores corruptos porque sairão impunes do processo e os cidadãos ingénuos por pensarem que os administradores corruptos não sairão impunes do processo.&lt;br /&gt;As ratazanas, essas, não terão a mesma sorte. Tudo porque não tive a hipótese de averiguar sossegadinho… "Tu vais eliminar as ratazanas e é JÁ!!!”. Lá saí cabisbaixo para comprar o "racumim". Desta vez as gulosas ratazanas vão ter uma surpresa desagradável quando se prepararem para se deliciar com os processos de averiguação …em forma de granulado. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-6949872679152725248?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/6949872679152725248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=6949872679152725248' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/6949872679152725248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/6949872679152725248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/11/desratizacao.html' title='Desratização'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SvBxAPeWe3I/AAAAAAAABFY/GbGCMijBnnA/s72-c/ratazanas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-2668716264871046056</id><published>2009-10-16T14:19:00.000-07:00</published><updated>2009-10-16T15:08:17.959-07:00</updated><title type='text'>A sociedade do enchido</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/StjkDCMM91I/AAAAAAAABFA/Nta7mkb7vRc/s1600-h/chouri%C3%A7o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5393311294554961746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/StjkDCMM91I/AAAAAAAABFA/Nta7mkb7vRc/s320/chouri%C3%A7o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Preparava-me para deitar o dente na rodela de chouriço afogada entre feijões e chispe que sobressaía no meio daquela calórica dobrada à transmontana. Espetei-lhe o garfo e olhei-a com um sentimento misto de apetite e complacência. O apetite venceu a complacência, e o paladar saboreou de forma alarve os seus ingredientes. A complacência deu lugar à compaixão, mas já era tarde; a essa hora já o pobre do enchido estava a ser trucidado pelo poder corrosivo dos sucos gástricos. Essa sensação de algum constrangimento surgiu porque por momentos coloquei-me na pele do chouriço, ou melhor dentro da pele do chouriço. Eu sei que pode parecer bizarro, que tinha muito mais dignidade colocar-me na pele de um eminente cientista, de um reconhecido ensaísta, mas todos temos uma faceta deprimente e a minha manifestou-se no interior do próprio do enchido. Pus-me no lugar de um daqueles pedaços de carne que são empurrados à força pela tripa adentro. Está-se ali com o nariz encostado às paredes internas da tripa e mandam-nos com infindáveis pedaços de carne para cima criando uma sensação similar à dos utilizadores de um autocarro da Carris em hora de ponta . Quando se pensa que não existirá maior compressão possível, alguém diz “Dêem aí mais um jeitinho!” e manda com mais uns bocados de toucinho, de gordura hidrogenada, de sangue de suíno, cebola, “Elá! Agora pisaste-me os joanetes! Já chega de empurrão, não?...”. “Não! É só mais um bocadinho!”. Ainda faltam mais uns apertões. Vem lá o sal, muitos grãos de sal, quais miúdos da creche invadindo histéricos a tripa. Já não respiramos e estamos quase surdos com os grãos de sal invadindo-nos as carnes e ainda mandam os antioxidantes. Não valia a pena, até porque com o aperto, as carnes não têm qualquer hipótese de se oxigenar. Chegámos ao limite. Estamos colados uns aos outros no meio daquela massa gordurosa e ouvimos ao longe “Aperta aí mais um bocadinho! É só mais um jeitinho!” e, como machadada final mandam os conservantes. “Conservantes é que não! Não quero ser conservado aqui colado ao toucinho!” E parece que os conservantes são só veneno. A toxicidade de um E333 está ao nível de um indivíduo que entra a fumar charuto numa casa de banho apinhada de gente.&lt;br /&gt;Pensarão os leitores se este tipo não poderia limitar-se a digerir a rodela do chouriço em paz e deixá-los a eles em paz, com dissertações sobre os meandros do enchido. Lembrei-me das carnes compactadas dentro da tripa quando estive à conversa com uma senhora amiga. Dizia-me ela que o patrão lhe pediu para que fizesse mais umas horitas extras. Agora sairia de casa às 6.30h e chegaria a casa por volta das 21h. Aquilo soou-me mal e saiu-me um indignado “mas que trampa de vida é essa?”. Ela respondeu-me com um sorriso resignado “Ao menos tenho um emprego!...”. E foi aí que eu pensei no enchido como forma de caracterizar a sociedade actual. Uma sociedade cheia de tecnologia que deveria evoluir no sentido de nos facultar mais qualidade de vida, brinda-nos com “Só mais um bocadinho…”. E quando pensamos em mais um bocadinho de lazer, dão-nos mais um bocadinho de trabalho; aspiramos a mais um bocadinho de poder de compra e brindam-nos com mais um bocadinho de impostos; precisamos de mais um bocadinho de espaço e empurram-nos para o interior de uma tripa exígua cheia de gordura hidrogenada . Mas o mais estranho, é o cidadão estar ali todo comprimido dentro daquele preservativo visceral à cunha e, ao invés de dar uma canelada no toucinho que lhe puseram ao colo, acena com a mão, que levanta com dificuldade no meio do aperto, e diz que “com mais um jeitinho ainda cabem aqui à vontade mais duas dúzias de aditivos”. E qual a recompensa para um senhor resignado que é apertado “só mais um bocadinho” todos os dias ao longo da vida, quando pensa que já merece a reforma? Põem-no no fumeiro. Não bastava um tipo aguentar o odor a sovaco das outras compactadas carnes, ver-se afogado no sangue do suíno, asfixiado contra a tripa e ainda o colocam, aos 70 anos, pendurado num pau a inspirar toda aquela fumarada, dizendo-lhe que é desta que vai ficar saboroso.&lt;br /&gt;É por isso que eu nutro uma admiração especial pelas alheiras da minha tia. Ao menos essas carnes, quando começam a sentir o calor da fritura debaixo dos seus pés e os apertões dos outros “bocadinhos” colados a si, tratam de irromper furiosos pela frágil tripa. Apesar de não gostarmos muito de ver a alheira a “rebentar”, deveríamos congratular-nos por termos a sorte de assistir ao vivo a um acto genuíno de revolta, protagonizado por pedaços de carne que deixaram de achar piada ao insistente repto : “É só mais um bocadinho!...”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-2668716264871046056?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/2668716264871046056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=2668716264871046056' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2668716264871046056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2668716264871046056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/10/sociedade-do-enchido.html' title='A sociedade do enchido'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/StjkDCMM91I/AAAAAAAABFA/Nta7mkb7vRc/s72-c/chouri%C3%A7o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-1554986479064515167</id><published>2009-10-08T14:33:00.000-07:00</published><updated>2009-10-08T14:57:20.460-07:00</updated><title type='text'>Camelos, Malabaristas e Póneis amestrados</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/Ss5gNrQ0ZPI/AAAAAAAABE4/IXcQjGAhIu4/s1600-h/untitled.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390351592076895474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 258px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/Ss5gNrQ0ZPI/AAAAAAAABE4/IXcQjGAhIu4/s320/untitled.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava a fazer a minha corrida matinal e vi lá ao fundo uma daquelas carrinhas enfeitadas com dois altifalantes a debitar informação com os decibéis no máximo. Já me tinha cruzado com outras duas carrinhas de outros dois partidos em plena campanha para as autárquicas. Não me bastava a dor de pernas, o coração querer fugir pela traqueia e o suor a ensopar a minha t’shirt , tinha de gramar com mais esta estucha estereofónica. A recta era muito longa e lá continuei a arrastar-me na direcção do veículo propagandista sem conseguir manter os meus tímpanos incólumes à berraria libertada pelos sonoros altifalantes. “Hoje temos 2 grandiosos espectáculos!...” Grandes despesistas. Não só estoiram os nossos suados impostos em cartazes, esferográficas e autocolantes, como ainda se dão ao luxo de oferecer 2 grandiosos espectáculos, que é o mesmo que dizer 2 fabulosos comícios?! . E lá continuavam eles a perturbar o meu esforço para chegar a casa vivo “Espectáculos com Fabulosas surpresas….” Elá, isso já me interessa! Uma boa surpresa consegue levantar o ânimo a qualquer atleta moribundo…O que nos reservará? A apresentação de uma nova mandatária da juventude vinda da revista playboy? Uma revelação de última hora do cabeça de lista do partido sobre a descoberta de um campo de petróleo dentro da cidade?... “Um número único com Camelos Africanos”….???...Camelos?...Agora fiquei baralhado. Será que ouvi bem...Ou o esforço da corrida retirou-me discernimento sensorial? Ora bem, a pensar em camelos,… assim de repente não estou a ver nenhuma força partidária em particular que se distinga das outras pela capacidade de aguentar muito com poucos recursos. Sim, porque eu pensei logo no nobre Camelo do deserto e não naquele Camelo que serve de inspiração para o taxista designar o tipo que vai à sua frente a empancar o trânsito. E o nobre camelo contenta-se com uma pinguita de água para vários dias; não exige votos na sua bossa, almoços com champanhe no bucho ou milhõezitos para fundos da campanha. Continuava a pensar no tal do camelo e novas informações surgiram “Trupe de Malabaristas vindos da Geórgia!...” Aqui eu já me entendo. Não sei se vieram da Geórgia, mas que os tipos conseguem fazer malabarismo à cata de votos, lá isso conseguem. Fingir um beijo apaixonado numa peixeira é quase tão difícil como equilibrar duas cadeiras na ponta do nariz; fazer tentativas para convencer a malta que é com eles que o país vai deixar de viver afogado nas teias dos infindáveis tachos políticos, tem o mesmo grau de dificuldade do que lançar oito pratos ao ar e apanhá-los com os dentes. Lá prossegui no meu calvário físico e auditivo em busca de sossego. Mas este tardava em surgir, martelado por aquele som estridente: “E ainda os Iiiinacreditáveis e Iiiiincríveis Póneis Amestrados!...”. Agora é que eu vou parar. Já não aguento mais enigmas. Mas quem foi o idiota que se lembrou de colocar Póneis Amestrados numa campanha? Não, não pode ser um tipo de chalaça de mau gosto que estabelece como alvo aqueles empenhados jovens das juventudes partidárias que, de crina à frente dos olhos, abanam as bandeirinhas e saltam todos com iiiiinesgotável histerismo, mesmo quando o partido está na mó de baixo. A minha curiosidade para saber qual o partido de tão eloquente campanha estava prestes a ser saciada, uma vez que me apressava a cruzar-me com a tal da carrinha. Olhei para os autocolantes e lá vinha em letras garrafais “Israel Modesto Apresenta”… “Circo Merito”. Um doce alívio percorreu-me o corpo fatigado. Afinal aquilo era um circo a sério. Os palhaços eram daqueles com nariz vermelho e sapatos grandes; os trapezistas não voavam de tacho em tacho, mas de trapézio em trapézio; os camelos eram mesmo camelos. Consegui chegar a casa e, na acalmia da recuperação tudo começou a fazer sentido. Não haveria hipótese do Circo “Merito” ser um qualquer circo partidário. Em primeiro lugar só um indivíduo “Modesto” é que se lembraria de um nome tão apagado como “Merito”. As opulentas campanhas são tudo menos modestas, são mais do tipo Cardinalli ou Chen. Por outro lado, o circo Merito, faz jus ao nome e ao camelo que alberga. É poupadinho nos recursos. O Dono será simultaneamente apresentador, amestrador, contorcionista e venderá pipocas nos intervalos. Pelo contrário, as listas de concorrentes autárquicos não têm fim. Estava aqui a ver a lista para uma junta de freguesia local e contei nada mais nada menos do que 21 candidatos. Pus-me a somar todos os candidatos do partido para o concelho(incluindo suplentes), e deu-me um número esclarecedor: 308. Se multiplicarmos por 4 partidos, em cada autarquia teremos 1232 candidatos. Se multiplicarmos este número por todas as autarquias nacionais,…bom, esqueçam lá isso.&lt;br /&gt;Agora que a campanha terminou e a rapaziada teve de voltar ao trabalho, a minha mãe pode ficar mais descansada porque, vai finalmente ver resolvido o problema do lixo à porta de sua casa, provocado por contentor avariado há mais de 2 meses. Com tanta gente eleita, não correrá o risco de voltar a telefonar ao presidente da junta, para este lhe dizer para telefonar ao vereador e o vereador responder indignado “Incomodar um vereador com problemas desses?...”. E se, de entre 308 eleitos não aparecer ninguém que consiga resolver esse problemazito do lixo, sempre poderá contactar o circo “Merito”, que o Sr. Modesto, entre vender bilhetes, lançar umas tochas ao ar e chicotear uns asnos, arranjará decerto um tempinho para fazer aparecer o desejado contentor num iiincrível número de ilusionismo,.&lt;br /&gt;Afinal, parece que já não vai ser necessário. Ao terminar esta crónica, fiquei a saber que o presidente da junta lá conseguiu desencantar um novo contentor. Ainda bem, porque seria no mínimo humilhante, ver a sua competência suplantada por um ilusionista e amestrador de Camelos africanos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-1554986479064515167?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/1554986479064515167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=1554986479064515167' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/1554986479064515167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/1554986479064515167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/10/camelos-malabaristas-e-poneis.html' title='Camelos, Malabaristas e Póneis amestrados'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/Ss5gNrQ0ZPI/AAAAAAAABE4/IXcQjGAhIu4/s72-c/untitled.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-2062526026063582033</id><published>2009-09-28T11:48:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T15:05:10.741-07:00</updated><title type='text'>No país dos confettis</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SsEyrgyeKWI/AAAAAAAABEM/aL5vJ0pfL5A/s1600-h/ng1196594.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386642352429214050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 220px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SsEyrgyeKWI/AAAAAAAABEM/aL5vJ0pfL5A/s320/ng1196594.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                                        &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imagem retirada da net&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou na ressaca das eleições legislativas e não sei bem o que dizer. Sei que não me sinto lá muito bem, e não cometi nenhum excesso nocturno. Não passei a noite nos copos, nem andei a levar socos com umas luvas esponjosas na fronha. Mas o interior da fronha dói-me como raio. Estou a ver se entendo como é possível que aquele indivíduo venha dizer que ganhou as eleições. Só é possível, porque existiram muitos portugueses que votaram nele…?....não é possível! Neste esforço sobre-humano para eu conseguir entender como uns valentes milhares colocaram a cruzinha no senhor, tenho de me pôr a imaginar uma conversa entre dois portugas, no local privilegiado para que qualquer estudo comportamental tenha algum valor: a tasca da esquina.&lt;br /&gt;Entre um pratinho de tremoços e dois traçados o Alberto e o Júlio discutem as eleições.&lt;br /&gt;“Vê lá tu Júlio, que aquele estupor ganhou outra vez! Estou todo lixado!”&lt;br /&gt;“Pois é, mas sabes, a alternativa também não era lá grand…”&lt;br /&gt;“Não me lixes ó Júlio, pior do que este governo é difícil!”&lt;br /&gt;“Realmente os gajos excederam-se em algumas decisões, mas olha que os outros não são melhores…”&lt;br /&gt;“Ouve lá, mas tu estás a dizer bem do homem ou quê?”&lt;br /&gt;“Eu não. Só estou a dizer que o homem é igual aos outros.”&lt;br /&gt;“Mas, tu , tu não me vais dizer que votaste no malandro, ó Júlio!?”&lt;br /&gt;“Epá, há falta de melhor, tive de votar no mesmo, Alberto.”&lt;br /&gt;“O quê? Então não me tinhas dito na semana passada, quando viemos trincar as petingas, que não podias com o homem. Que o gajo até nem era engenheiro a sério; que estavas cada vez mais teso por causa do tipo,..”&lt;br /&gt;“Epá, mas o gajo fez uma grande campanha,…”&lt;br /&gt;“E depois? Não foste tu que te estavas a queixar dos balúrdios que se esbanjam nas campanhas eleitorais, quando a malta está cada vez mais à rasca?”&lt;br /&gt;“Mas viste o baile que o tipo deu no debate com a Manuela Ferreira Leite? O gajo é mesmo bom.”&lt;br /&gt;“Desculpa Júlio, mas continuo baralhado. Esse senhor do grande paleio não é o mesmo que há uns meses chamavas de “mentiroso dum catano”; que aquela coisa do Freeport estava muito mal explicada?”&lt;br /&gt;“Mas ó Alberto, por acaso assististe ao último comício do PS? Todas aquelas bandeiras cor-de-rosa, muitos gritos, muita gente importante a levantar o punho. Aquilo foi espectacular!”&lt;br /&gt;“Foscasse, tu piraste de vez ó Júlio! Já não te entendo. Este tipo é o chefe do governo que não quis receber 64 milhões da união europeia para ajuda na agricultura…”&lt;br /&gt;“É bem feito para esses malandros dos agricultores não andarem para aí a comprar jipes. E para mais, qual agricultura?...eh,eh,eh”&lt;br /&gt;Depois de acabarem com o prato de tremoços, chegou ao balcão o Rafael que pediu uma mini e meteu-se logo na conversa.&lt;br /&gt;“Ao menos o Sócrates pôs todos os malandros a trabalhar a sério!...”&lt;br /&gt;“Menos os desempregados, tá claro! A esses retirou-lhes o trabalho…a sério!” respondeu Alberto em tom irónico.&lt;br /&gt;“Eu ainda estou a pensar como é que o tipo conseguiu convencer aquela boazona, para mandatária da juventude. Só alguém com muita lábia…”&lt;br /&gt;“Desculpem-me lá os dois, mas têm de admitir que na área da educação o gajo lixou aquilo tudo.”&lt;br /&gt;“Ó Alberto deixa-te de tretas. Então e o “Magalhães”, os quadros interactivos, as novas tecnologias? O problema é que os professores estão mal habituados. Horários de luxo, férias em grande, só para dar umas aulitas a uns miúdos. A ministra pô-los na ordem e fez ela muito bem.”&lt;br /&gt;“Desculpa lá ó Rafael, mas tu quando acabas o trabalho vais continuar a trabalhar até às tantas para melhorar o trabalho do dia seguinte? Vais beber umas minis e comer tremoços p’rá tasca da esquina, não é? Pois é, e o professor que tenta educar o malcriadão do teu filho , aquele miúdo que tu devias educar em casa ao invés de passares a noite a emborcar minis e tremoços, é que é o malandro? ”&lt;br /&gt;“E viram o Figo? O Sócrates tomou o pequeno almoço com o Figo. G’anda homem!... Sportingue, Sportingue, Sportingue!”&lt;br /&gt;“Ó Júlio, eu sou do Benfica mas o tipo pensou em tudo e foi buscar o nosso presidente para o apoiar”&lt;br /&gt;“Quem, o Cavaco?...Não porra! O Luís Filipe Vieira!!!” Benfica! Benfica! Benfica!”&lt;br /&gt;“Sabem que mais, vocês os dois têm a trampa que merecem! Agora eu vou mas é à minha vida que amanhã entro na fábrica às 7 da matina e só saio às nove da noite.”&lt;br /&gt;“E ainda te queixas Alberto? Tens emprego, trabalhas que nem um moiro e recebes 600 euros todos os santos mesinhos? Que mais podes querer?&lt;br /&gt;A resposta do Alberto, ficará no foro íntimo, uma vez que poderia ferir algumas susceptibilidades.&lt;br /&gt;A minha susceptibilidade, essa, foi definitivamente exterminada com a descoberta de que neste país ainda existe muita gente que consegue ser ludibriada por campanhas cheias de confettis.. A minha dúvida, será a de saber, o que será preciso fazer mais de errado, para que a malta consiga combater esse instinto de autoflagelação e deixar de pôr a cruzinha no senhor das campanhas espectaculares. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-2062526026063582033?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/2062526026063582033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=2062526026063582033' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2062526026063582033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2062526026063582033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/09/no-pais-dos-confettis.html' title='No país dos confettis'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SsEyrgyeKWI/AAAAAAAABEM/aL5vJ0pfL5A/s72-c/ng1196594.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-4744560697546453607</id><published>2009-09-07T15:30:00.000-07:00</published><updated>2009-09-07T15:37:00.647-07:00</updated><title type='text'>Novas Oportunidades</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SqWK3GRPFNI/AAAAAAAABEE/Y3ZCbEkMxqo/s1600-h/rambo1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5378858009144267986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 235px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SqWK3GRPFNI/AAAAAAAABEE/Y3ZCbEkMxqo/s320/rambo1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SqWJp0mIvqI/AAAAAAAABD0/pcW0sCjfhR8/s1600-h/rambo+2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Estava na banca dos jornais a dar uma olhadela pela imprensa diária e do meu lado ouvi: “Isto só lá vai a tiro!”. Olhei e era um senhor com aspecto distinto, que folheava um jornal e não conteve a sua indignação quando os olhos absorviam uma qualquer alarvidade que todos os dias vamos lendo. “Mas que país é este que deixa os bandidos impunes?...”. Abanei a cabeça com o habitual “Pois é...” e retirei-me com o jornal debaixo do braço a matutar. O que levará um homem daqueles, aparentemente civilizado, com bom aspecto, dizer que sai por aí aos tiros para parar com os tiros da bandidagem? Cheguei a casa e pus-me a ler o Diário de Notícias. Os olhos não descolavam da notícia do idoso que foi trancado pelo filho numa garagem guardada por um cão feroz durante 14 anos, para lhe ficar com a reforma milionária de …200 euros mensais(?). Foram 14 anos a comer latas de feijão e a defecar dentro da sua prisão de zinco. 14 anos é muito ano; 14 anos é muito dia; muito dia a cheirar as fezes e urina, a coçar as pulgas da barba, a pensar em morrer para se ver livre daquilo. Descobriram o velhote, meteram-no num lar e parece que chora todos os dias. Não sei se chora pela experiência desumana por que passou, se pela condenação de 3 anos e meio de pena suspensa que o carrasco do filho “sofreu” pelo seu acto bárbaro. Aliás, tenho algumas dúvidas em classificar se o acto mais bárbaro foi a barbárie cometida por aquele traste disfarçado de homem, ou a barbárie da impunidade expressa na decisão daquela pessoa disfarçada de Juiz. “Isto só lá vai a tiro!...” eram as palavras que não me largavam as têmporas. Mas, como não queria deixar-me levar por tão primários sentimentos de justiça popular, tentei sair daquela notícia de forma impune mas tropecei logo na que estava por baixo. Um sequestro em tudo semelhante ao anterior, de uma mãe com um filho deficiente que foram mantidos trancados durante um ano, pelo outro filho, que em vez de comida e água lhes dava uns valentes tabefes. “Isto só lá vai a tiro!....”. Vá deixa-te disso e passa mas é para a página seguinte!... “Mulher raptada e mantida sob sequestro por pretendente” . Não! Não quero mais sequestros, não aguento isto sem me vir à memória o som libertado pelo maxilar do senhor com bom aspecto “Isto só lá vai a tiro!”. Ainda bem que o senhor tinha um aspecto distinto; um tipo mais rude diria logo “A esses cabrões era amarrá-los a um poste e enchê-los de porrada!”. Avança, vá,… avança para a notícia seguinte e não deixes que a fúria te cegue. “Brasileiro morto à pedrada em parque de Setúbal” . Epá ao menos este não foi sequestrado pelo filho, só foi apedrejado até à morte por dois indivíduos, aliás, dois jovens (são sempre jovens que matam) que andam a monte para serem apanhados e libertados ao fim de meia dúzia de anos por não terem antecedentes criminais. “Isto só lá vai …com medidas de fundo!” Ufa, pensei que irias voltar àquela coisa dos tiros, mas assim está melhor; medidas de fundo soam a resolução ponderada dos problemas. Na verdade, se a justiça funcionasse viveríamos muito melhor. Atenção que falei em Justiça, daquela a sério, daquela sem a venda nos olhos. Não sei quem foi o iluminado que criou o mito da justiça cega. Para se fazer justiça, não se pode fechar de forma sobranceira os olhos e decidir, sem confrontar o código penal com o olhar das vítimas. Esta sensação de nos apetecer sair por aí aos tiros, despoletada por uma indignação incontrolada, seria resolvida com formação adequada. Os juízes, especialistas em facultar Novas Oportunidades a homicidas, e violadores, poderiam também eles frequentar os cursos de Novas Oportunidades, tão em voga, que têm o mérito de oferecer muitas habilitações em muito pouco tempo. Assim, os Juízes teriam a oportunidade de se colocarem por momentos na pele da vítima. O curso, cujo tema aglutinador seria “Um dia como…”, facultaria aos formandos módulos experimentais divididos em vivências diárias contundentes. “Um dia como um polícia no Bairro da Bela vista”; “Um dia como um velhote fechado numa garagem escura”, “Um dia apedrejado por dois jovens delinquentes”, “Um dia como criança sodomizada nas mãos de um pedófilo”, “Um dia como taxista de navalha encostada à glote”, “Um dia como uma mulher a levar tabefes do marido”. Bastariam poucos dias para que, na hora da decisão, não se deixassem acometer pela tal cegueira judicial, encoberta em códigos e artigos. No caso de muitos magistrados optarem pela não frequência dessas Novas Oportunidades, e continuarem a presentear-nos com as suas aberrantes decisões, dever-se-iam criar cursos de Novas Oportunidades, para todos os cidadãos com algum bom senso, para que estes conseguissem lidar melhor com a indignação. A formação teria a designação de “Como perder a vontade de andar para aí aos tiros perante factos paranormais”, e teria como objectivo levar o cidadão a conseguir transformar os “factos paranormais” em “factos perfeitamente normais”. As aulas consistiriam numa leitura exaustiva de 5 jornais diários seguida de um ritual oratório, onde se teria de repetir durante 3 vezes seguidas a frase: “Não me vou exaltar, porque isto é perfeitamente normal!”. Eu próprio já comecei, de forma autodidacta, neste exercício de autocontrolo. Voltei a folhear o jornal e, na notícia do marido que matou a esposa grávida a tiro, que foi posto em liberdade 6 meses depois e reclama agora a guarda dos filhos que vivem com os avós, já ia conseguindo um certo distanciamento, uma certa compreensão para com aquele marido e pai homicida que só queria estar com os filhos, excepto aquele filho que matou na barriga da mãe…?... Ainda não consigo. Preciso de mais oportunidades para conseguir assimilar isto sem me lembrar do senhor de aspecto civilizado a dizer “Isto só lá vai a tiro!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-4744560697546453607?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/4744560697546453607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=4744560697546453607' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4744560697546453607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4744560697546453607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/09/novas-oportunidades.html' title='Novas Oportunidades'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SqWK3GRPFNI/AAAAAAAABEE/Y3ZCbEkMxqo/s72-c/rambo1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-7673644853637659749</id><published>2009-08-28T16:05:00.000-07:00</published><updated>2009-08-28T16:08:38.739-07:00</updated><title type='text'>O início do fim…</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SphjX7oz-HI/AAAAAAAABDs/4Rg1uPP_wZs/s1600-h/socrates_sic_pagina.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375155418063698034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 209px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SphjX7oz-HI/AAAAAAAABDs/4Rg1uPP_wZs/s320/socrates_sic_pagina.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Estamos no início do fim da crise” disse o senhor no alto da sua sapiência, convencido que a frase pegava. E pegou, porque o raio da frase não me deixa em paz, como também não me sai da cabeça a afirmação que se lhe seguiu “mas a crise está longe de ser resolvida!”…???. Passei grande parte das férias a analisar estas duas pérolas desconcertantes da inspiração vocal do Primeiro-Ministro, sem chegar a grandes conclusões. O “início do fim” é um conceito verdadeiramente anti-natura. É o mesmo que dizer “o calor do frio” , “a vertigem do baixo” , “a palidez do moreno” , “o egoísmo do altruísta” ou “a coragem do cobarde”. O fim está numa ponta e o início na outra. Para mais o fim não tem nenhum início. O fim é o fim e pronto. Corresponde ao momento em que alguma coisa acaba; não se prolonga no tempo, nem tem percursos intermédios. Assim como o início é outro momento bem definido. Numa corrida de 100 metros o início é dado pelo tiro de partida e é o início da corrida, não do… fim. O fim é a linha de chegada, é o momento de esticar o pescoço, de levantar os braços, de gritar ufa. Entre o inicio e o fim existe um percurso doloroso a percorrer. Daí eu não perceber muito bem a forma satisfeita como homem disse aquilo. Tenho de confessar que numa primeira análise senti um certo alívio porque me fixei na parte final da frase “…o fim da crise”. Mas quando ele disse que a crise estava longe de ser resolvida percebi que ali havia marosca. Dizer a um maratonista que aquilo é o início do fim da corrida, mas que ainda faltam 42 quilómetros, é de um sadismo a toda a prova. Como também não será de bom tom visitar uma mãe na maternidade e dizer para o recém-nascido, entre bilu-bilus e caretas parvas, que aquela coisinha fofa, está no inicio do fim da vida. Não se faz…Então porque é que o Primeiro- Ministro o faz? Porque não tinha mais nada que fazer. Estava enfadado, ou então enredado pela perspectiva de uma provável derrota eleitoral e lançou esse petardo sinalizador a ver se a coisa pegava. A minha grande dúvida será saber onde está o fim da coisa, se é que a coisa tem fim. Quanto tempo demorará o início a terminar num fim. Das poucas acções onde o tempo entre o inicio e o fim é quase imperceptível será o que dura a explosão de uma bomba num qualquer bairro de Bagdat. Mas longe de mim querer estabelecer analogias entre a cintura cheia de explosivos de um radical islâmico ou o elaborado jogo de cintura utilizado por alguns políticos para dinamitar a clarividência da malta. Teria sido mais agradável ouvir o “fim” sem o “início”. Porque o inicio da crise já eu o senti há muito tempo, mas curiosamente quando isolo a palavra “crise” a única cara de que me lembro é a do próprio senhor que inventou o “inicio do fim…”. O que eu gostaria mesmo era de ouvir que tínhamos chegado ao fim da insegurança, da corrupção, da impunidade, do facilitismo, do trabalho precário, do desrespeito, da pouca vergonha. Dizerem-me que estamos no início do fim do pesadelo é como dizer a um forcado antes da pega que já está no início do fim…da cornada. Não alivia, agrava a ansiedade. Pensando melhor, tenho de admitir que a frase até pode ter o seu quê de positivismo. Eu por exemplo, já não penso no início do trabalho, nem no fim das férias como algo desagradável. Penso que já estou no “início do fim do ano lectivo” e fico logo bem disposto. É preciso é que não apareça nenhum senhor a dizer com um sorriso iluminado “ Chegaste ao inicio do fim, mas tens de ver que o calendário é um pouco…extenso” &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-7673644853637659749?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/7673644853637659749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=7673644853637659749' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7673644853637659749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7673644853637659749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/08/o-inicio-do-fim.html' title='O início do fim…'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SphjX7oz-HI/AAAAAAAABDs/4Rg1uPP_wZs/s72-c/socrates_sic_pagina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-7833428191163772040</id><published>2009-07-31T15:30:00.000-07:00</published><updated>2009-07-31T15:35:04.503-07:00</updated><title type='text'>O Vírus do vírus</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SnNxYCrNrcI/AAAAAAAABCg/HQACb9_pvdw/s1600-h/5548416_us_gripe_suina_brasil_250_250.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364756238977314242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SnNxYCrNrcI/AAAAAAAABCg/HQACb9_pvdw/s320/5548416_us_gripe_suina_brasil_250_250.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;imagem retirada da net&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma amiga entrou no centro de saúde com queixas de febre e dor de garganta. Foi recebida como uma leprosa em estado de avançada decomposição. Todos colocaram máscaras e luvas, todos se afastaram com ar de “aí vem a peste” e por fim, com algum distanciamento lá lhe diagnosticaram uma letal…amigdalite. Foi aí que percebi que o vírus chegou em força. Não o vírus da gripe A, mas o vírus do vírus da gripe A, uma pandemia psicossomática que nos leva a falar e a pensar todo o dia num vírus que há-de chegar mas que ainda não chegou. Esta patologia que tinha assolado de forma aguda ávidos jornalistas e empregados do laboratórios da Roche, agora propagou-se para todo o lado, gerando uma contaminação em massa difícil de parar. Neste momento não me deixa de invadir um sentimento de alguma compaixão pela gripe vulgar. Essa, que nos toca à porta todos os anos, que afecta mais de metade da população, que nos dá febre e arrepios de frio como a outra, nos deixa com as pernas a doer como a outra, nos priva do apetite e até parece que mata mais do que a outra, vê-se agora substituída pela outra, nas luzes da ribalta. Ainda por cima chamam de gripe A à outra? Então e a velhinha gripe, é despromovida para a liga B? Não podemos cair nesta injustiça de votarmos ao abandono este vírus que sempre nos acompanhou nas noites frias de inverno.&lt;br /&gt;Quanto à proliferação, podem os médicos ficar descansados pois parece que agora se está a falar num método do paciente nem ter de sair de casa e não propagar o vírus nos corredores dos hospitais. A consulta e o tratamento serão feitos a partir do telefone, embora se estejam ainda a estudar os efeitos da administração do Tamiflu em doentes com otite que se enganaram na hora de dar os sintomas à médica telefonista.&lt;br /&gt;O vírus do vírus apareceu para as pessoas terem cuidado nas férias, por forma a puderem gozá-las descansadas. Vejamos então como um portador do vírus do vírus goza as suas férias descansado. Para começar tem de alancar com todas as malas porque o bagageiro do hotel que se presta a ajudar, já colocou as luvas nas malas de prováveis infectados com o vírus . Chegado ao elevador vê sair de lá de dentro 4 ingleses com aspecto suspeito de pegarem a doença; apanha o elevador do lado, mas estão ali os botões que já foram pressionados por dedos cheios de vírus. Sobe pelas escadas com as 5 malas às costas. Chega ao quarto, dirige-se para ver a varanda, mas lembra-se que a porta de correr tem um fecho que centenas de pessoas (alguma delas com o vírus) já abriram. Desce pelas escadas até à piscina, senta-se no chão porque as cadeiras já foram contaminadas por algum “bife” com o bicho. Está calor, escolhe a sombra em vez da piscina, porque não acredita nas qualidades de desinfecção do cloro, naquela água empestada de vírus e demais micróbios. No almoço de buffet tem dificuldade em pegar na colher da carne assada na qual agarrou aquele espanhol de aparência adoentada. Opta pela sua própria colher. Está a trincar a batata e lembra-se que talvez a cozinheira não tivesse lavado as mãos depois de ter dado um abraço ao primo que veio do Canadá. Pensa em ir à praia, mas desiste porque tem pôr os pés na areia, pisada por milhares de pessoas e alguma delas já terá apanhado o vírus numa viagem a Punta Cana. Está cansado de ver vírus por todo o lado, de lavar as mãos vezes sem conta e decide voltar para casa prematuramente. Tem de pagar o Hotel de multibanco e colocar o código nos botões onde todos os infectados já pressionaram. Alanca outra vez com as malas até ao carro mas tem de encher o depósito para o regresso. Ali está a pistola do gasóleo, qual revólver apontado à fronha, pronto para o exterminar com o raio do vírus.&lt;br /&gt;Se a pandemia do vírus do vírus consegue lixar as férias a um tipo, também contribui para lhe lixar as poupanças. Parece que as notas são o maior veículo de propagação do vírus. Assim, a reforçar a máxima lançada por Obama “comprem, comprem, comprem”, na cabeça do portador do vírus do vírus repete-se a ideia “despacha-te das notas, despacha-te das notas, despacha-te das notas”. Aquela senhora do Porto é que não foi em conversas e disse logo que não tinha medo nenhum de meter as mãos nas notas. Eu estou como ela. Para além de não ter medo nenhum do vírus das notas, também passei uma semana em grande num hotel empestado de vírus.. Assim, quando o vírus genuíno me atacar as carnes, já ninguém me tirará as belas banhocas na piscina contaminada por todos aqueles vírus provenientes de Inglaterra e Espanha ou o sabor daquele queijinho fresco que comi ao pequeno almoço, cortado com a espátula onde todos os infectados colocaram as mãos. A única coisa que me preocupa no dia em que for assolado pela febre será, quando ligar para a Saúde 24, ouvir do outro lado : “Boa tarde! Está a falar com a Ângela Costa e gostaria de o informar da campanha de verão que estamos a fazer para os clientes especiais. A partir da 4ª chamada para os nossos serviços, paga uma embalagem de Tamiflu e leva duas.”&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-7833428191163772040?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/7833428191163772040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=7833428191163772040' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7833428191163772040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7833428191163772040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/07/o-virus-do-virus.html' title='O Vírus do vírus'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SnNxYCrNrcI/AAAAAAAABCg/HQACb9_pvdw/s72-c/5548416_us_gripe_suina_brasil_250_250.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-3018906230767601791</id><published>2009-07-15T07:06:00.001-07:00</published><updated>2009-07-15T11:32:27.511-07:00</updated><title type='text'>Isto e Aquilo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/Sl3iciTXikI/AAAAAAAABCY/AAFa6bMehh8/s1600-h/231541.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358688111513012802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/Sl3iciTXikI/AAAAAAAABCY/AAFa6bMehh8/s320/231541.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imagem retirada da net&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Não é isto que eu quero!” Podem os leitores ficar descansados que eu quero mesmo escrever esta crónica. Não estou nada contrariado, ou… talvez um bocadito,… mas é que acabo de ouvir tão rude afirmação, ou antes, tão rude negação, que não posso ficar indiferentemente bem disposto. Qualquer um que ouça alguém gritar “não é isto que quero!…” fica logo de pé atrás. E fica assim por causa do “Isto” entre o “não” e o “quero”. Pela nossa mente passam logo rápidos preenchimentos para o “isto”, todos eles pouco apelativos. Passemos para o plano prático. Se uma namorada diz para o seu companheiro “Não é isto que eu quero!”, o rapaz completará o enigma de acordo com o seu grau de sensibilidade. Poderá substituir o “isto” por “esta relação” no caso de ser um romântico . Já se for do tipo abrutalhado, o “isto” representa claramente o “sexo” que gostaria de experimentar. De qualquer das formas, a cruel afirmação expelida da boca da rapariga em jeito de desmancha prazeres deixá-lo-á pelas ruas da amargura. “Não é isto que eu quero!” pretende ser uma machadada nas aspirações de qualquer ouvinte; soa mal, soa a tampa, soa a música de Tchaikovsky tocada por um aprendiz de violino. Arranha o ouvido; dá pontapés nas canelas. Neste momento estamos apenas a colocar-nos na posição desconfortável do ouvinte que gostaria de ter ouvido “É isto que eu quero!”. No entanto, para fazer justiça, teremos de encarnar o papel de quem produziu a afirmação de forma tão convicta. Esta reacção surgirá quando o “isto” é mesmo desagradável a puxar para o azedo. Quando um tipo vai à frutaria e a senhora nos quer vender umas maçãs farinhentas “Não é isto que eu quero!”. Quando nos tocam à porta para contribuirmos para a 35ª liga dos toxicodependentes em recuperação “Não é isto que eu quero!”. Quando a senhora diz para o cabeleireiro que lhe mostra como modelo o penteado de Manuela Ferreira Leite “Não é isto que eu quero!”. Quando um reformado olha para o preço exorbitante do medicamento que faz bem às suas artroses “Não é isto que eu quero!”. Basicamente para não se querer uma determinada coisa, será porque ela nos desagrada efectivamente… Mas com a conversa já me ia esquecendo de dizer da boca de quem ouvi tão eloquente afirmação. Estava aqui em frente à televisão a tentar curar uma crise de rinite alérgica que dá um desconforto do caneco, quando uma senhora, que foi agora eleita para deputada do parlamento europeu, e que quer ser candidata a autarca local(?), lançou a afirmação que me martelava na cabeça por causa da tosse e da ranheta que me invadia as fossas nasais “Não é isto que eu quero!”. Alto lá! Mas o que é que é isto? Ou antes, o que é “o” isto? O Eco das minhas preces para a erradicação da rinite? Foi mesmo o que a eurodeputada candidata a autarca disse. A entrevistadora perguntou-lhe se ela queria brócolos com feijão frade? Se queria dar beijos rechonchudos na bochecha de Paulo Rangel? Se desejaria experimentar ficar fechada numa jaula com um urso siberiano e o Manuel Pinho? Nada disso. A entrevistadora apenas perguntou se ela iria para o Porto caso fosse eleita e as palavras saíram de forma fluida em que o “isto” significava  a função de “eurodeputada”. Pensem agora comigo. A senhora andou a abanar bandeirinha para a elegerem como deputada do parlamento europeu . Foi eleita. Os portugueses que votaram nela ficaram contentes. Mas logo no primeiro dia de apresentação no parlamento europeu diz “Não é isto que eu quero!”(?). Pela sua repulsa, pensei logo que, qual criança no primeiro dia de aulas, a tinham praxado de forma ignóbil e lhe colaram pastilhas elásticas no cabelo, colocaram pioneses na sua cadeira ou a presentearam com vigorosos calduços à entrada do parlamento, mas parece que não. Parece que o que a senhora queria mesmo era… “Aquilo”. Aquilo? Sim, ser presidente da Câmara do Porto. Decida-se lá de uma vez por todas! Então e o mandato? Não é “isto” que a senhora quer. O que a senhora quer mesmo é voltar abanar a bandeirinha para ter “aquilo” no Porto, mas não perder já “isto” em Bruxelas. É que por muito mau que “isto” seja, as remunerações e os subsidiozitos de deslocação e de estadia, sempre poderão fazer esquecer “aquilo” do Rui Rio, do vinho do porto e do frio de rachar de Bruxelas. Bom bom seria ficar com “Isto” e “Aquilo”.&lt;br /&gt;“Não é isto que eu quero!” . O quê? A ranheta entupindo-te as fossas nasais? Não. O “isto” quer mesmo dizer “esta corja que me entope o optimismo”. E como “aquilo” seria tão melhor sem “isto”. Ou seria “isto” sem “aquilo”? …Acho que o ideal seria mesmo ficarmos sem “Isto” nem “Aquilo” e apenas com o “Aqueloutro” . Parece que para o “Aqueloutro” não é preciso abanar bandeirinhas… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-3018906230767601791?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/3018906230767601791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=3018906230767601791' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3018906230767601791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3018906230767601791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/07/isto-e-aquilo.html' title='Isto e Aquilo'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/Sl3iciTXikI/AAAAAAAABCY/AAFa6bMehh8/s72-c/231541.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-2089475120860579150</id><published>2009-07-02T10:29:00.000-07:00</published><updated>2009-07-03T11:25:49.696-07:00</updated><title type='text'>O colector</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SkzuuAMVKVI/AAAAAAAABCQ/xaMITQsuiek/s1600-h/barcelona04.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353916531129788754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SkzuuAMVKVI/AAAAAAAABCQ/xaMITQsuiek/s320/barcelona04.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Às vezes ponho-me a pensar até quando se param de inventar coisas novas. E não é que há sempre alguém que se lembra de coisas que não lembram nem ao próprio Colombo que inventou o tal do ovo que se punha em pé? As possibilidades inventivas do ser humano caminham assim até infinito, em caminhos quase sempre surpreendentes. Não deveremos questionar muito a utilidade das invenções, uma vez que o grande mérito da invenção está na capacidade de alguém imaginar algo de totalmente novo.  Tomei hoje conhecimento da fabulosa invenção chamada Dinner Sky, que reúne 20 comensais em torno de uma mesa colocada a 40 metros do solo. Antes de cairmos na tentação mesquinha de libertar entre dentes “Estes gajos não têm mais nada para inventar?”, lembramo-nos de outras invenções com similar grau de utilidade como o guarda-sol para carros, o alarme de pai natal, o apagador de velas de aniversário(?), o coletor de peidos, o protector de orelhas para cachorro, a campainha para pessoas enterradas vivas,…?...,esta última de particular relevância, para quem, como eu, sempre se preocupou com o facto de o enterrarem vivo e depois ter de agatanhar a tampa do caixão e sufocar entre gritos de socorro. A mesa lá subiu aos céus e toda aquela malta sorria à espera da refeição, amarrados às cadeiras com cintos de segurança anti-queda. O repórter entrevistava lá em cima o mentor do projecto sobre as vantagens da ideia e este respondia “As pessoas têm aqui uma experiência totalmente nova...”  Também um tipo ser enterrado vivo representará uma experiência totalmente nova e mesmo irrepetível (a não ser que tenha a tal campainha à mão)… “Os nossos clientes ficam estarrecidos com  o facto de comerem longe do solo, com esta paisagem magnífica”. Pessoalmente acho que os pardais é que foram feitos para comer a esvoaçar, até porque se a moda pega, temos novos inventores que se lembrarão de pendurar na grua uma banheira, uma cama, um sofá, um campo de futebol, um jogo de matraquilhos, para que se consigam fazer actividades de índole terrestre num meio quase aéreo. E digo “quase” porque para comer a 40 metros de altura, mais valia estar na marquise de um apartamento no 56º andar, ao menos não se corre o risco de um pardal fazer das suas em cima do nosso prato de caviar  ou o transeunte que tem o azar de passar por debaixo da mesa apanhar com uma colher na cabeça. “E o preço?” pergunta o repórter “Bom, varia entre os 150 euros um pequeno almoço e os 350 euros um almoço!” responde o anfitrião… “Não acha que é um pouco puxado num momento de crise?” insiste o entrevistador “Este produto tem como destinatários clientes restritos…” Aí esteve bem. De facto, haverá poucos indivíduos que não saibam mesmo o que fazer aos rodos de dinheiro que têm no banco. Para nós, que passamos o mês sem sabermos bem o que fazem ao nosso parco dinheiro que passa rapidamente pelo banco, temos dificuldade em perceber como se dá 350 euros para estar amarrado a uma cadeira, pendurado por uma grua a beber champanhe e  comer ostras. Ainda se fosse uma bela feijoada acompanhada por umas imperiais bem tiradas… Mas isto há gostos para tudo. Também há quem ponha protector de orelhas  nos cães, ou quem não deixe o filho apagar as velas do aniversário. Continuei a ouvir o senhor a explicar as potencialidades do Dinner Sky e fiquei com a nítida sensação de ver um tipo do outro lado da mesa a esbracejar. Parecia querer gritar algo ao senhor que teve a ideia de o colocar ali em cima amarrado à cadeira. Estou mesmo a ouvi-lo perguntar qualquer coisa como “Olhe! Psst! Se faz favor!...Acho que estou com uma vontade súbita de ir ao WC! Como faço?” O mentor resolver-lhe-ia rapidamente a questão “Sabe que não podemos descer isto a meio da refeição. Mas não tem problema! Debaixo das cadeiras está a nossa última invenção: Um colector de dejectos fisiológicos totalmente hermético e inodoro!”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-2089475120860579150?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/2089475120860579150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=2089475120860579150' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2089475120860579150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2089475120860579150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/07/o-colector.html' title='O colector'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SkzuuAMVKVI/AAAAAAAABCQ/xaMITQsuiek/s72-c/barcelona04.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-247965893839697563</id><published>2009-06-29T07:11:00.000-07:00</published><updated>2009-06-29T07:13:56.548-07:00</updated><title type='text'>Tinonim...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SkjMCSqNgYI/AAAAAAAABCI/B7rwhl7ioFI/s1600-h/ca967162-b341-4feb-88dd-fecb0766bf67_738D42D9-134C-4FBE-A85A-DA00E83FDC20_967863F7-3D41-445A-A36C-E0C04EF6B049_img_detalhe_noticia_pt_1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352752496870523266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 164px; CURSOR: hand; HEIGHT: 219px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SkjMCSqNgYI/AAAAAAAABCI/B7rwhl7ioFI/s320/ca967162-b341-4feb-88dd-fecb0766bf67_738D42D9-134C-4FBE-A85A-DA00E83FDC20_967863F7-3D41-445A-A36C-E0C04EF6B049_img_detalhe_noticia_pt_1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foi com alguma estupefacção que recebi a notícia da falta de carros disponíveis na Esquadra de Investigação Criminal da Amadora. Parece que estão todos avariados e um deles teima mesmo em permanecer na oficina há quase um ano. Parece que se dá melhor com as chaves inglesas e macacos pneumáticos do que a circular entre projecteis de bala no bairro da Cova da Moura. Temos assim a estranha situação de, no concelho com a maior percentagem de bandidagem por metro quadrado, os polícias da investigação criminal, andarem a perseguir a rapaziada a pé ou de autocarro. Pus-me a pensar nas causas desta situação e exclui desde logo a hipótese da falta de meios. Se todos os ministros, secretários de estado, adjuntos dos secretários dos secretários renovam a frota de automóveis de luxo de dois em dois anos, não faltaria verba para apetrechar os nossos agentes da lei. A falta de veículos policiais tem a ver com uma estratégia mais profunda de reabilitar as corridas de meio-fundo no continente europeu. De facto, desde há alguns anos que os países africanos monopolizam todos os pódios das corridas nos grandes eventos do atletismo mundial. Isto surgiu por falta de alternativa e de…carros. Os quenianos e etíopes, para chegarem à escola ou aos correios, têm de correr muitos quilómetros que nem uns condenados. A necessidade aguça o engenho e assim se fizeram os grandes campeões do atletismo mundial. Aos nossos polícias, foi-lhes retirada a alternativa do carro, para os obrigar a correr … muitos quilómetros que nem uns condenados. Mais nenhum país europeu se lembrou desta jogada brilhante. Daqui a muito pouco tempo teremos o Agente Bastos com a medalha Olímpica dos 3000 metros obstáculos ao peito. “Sim, porque na Amadora, p’ra a malta caçar os tipos, temos de passar por cima de muito muro e vedação!”. É o treino ideal fornecido pelas excelentes condições naturais oferecidas pelo Concelho da Amadora que conseguem articular uma grande área geográfica aliada a uma rica proliferação de gatunos. Um polícia atleta e sem carro está sempre em acção, a correr entre o assalto da Buraca, a violação na Brandoa e o esfaqueamento na Damaia. São séries sem repouso que transformam comuns mortais em ressuscitados Zatopeques. Mas atenção que o treino na Amadora não se restringe apenas ao desenvolvimento da resistência para corridas longas. Os agentes portugueses terão também uma palavra a dizer nas corridas de velocidade, dominadas também elas por africanos, excepto o Obikwelo, que é português e veio de… África(?). Se os bandidos forem muito rápidos na fuga (na amadora existem muitos africanos) ou tiverem um armamento muito rápido apontado ao agente, o desenvolvimento da velocidade far-se-á sem grandes problemas ou recurso a substâncias dopantes, quanto muito, a um analgésico ou outro no caso de algum ferimento por ricochete. Se a moda pega é ver os nadadores australianos a fugir das mandíbulas de tubarões esfomeados ou os ciclistas espanhóis a escapar de manadas de toiros bravos Pirinéus acima. Mas voltemos aos nossos bravos agentes apeados e ao momento em que já não podem mais com as pernas de tanta perseguição ou fuga. No caso de fadiga extrema, sempre têm o autocarro ali à porta da esquadra!? …Não deixa de ser engraçado pensar no pobre do guarda a tentar furar no meio da confusão para chegar ao motorista e gritar-lhe “Persiga-me aquele BMW de vidros fumados que vai ali a chiar pneu!!!” . Temos de ser pragmáticos e admitir que não há mesmo alternativa para substituir a corrida a pé. Entre apertar a farda contra as carnes que se gladiam pelo melhor lugar no autocarro e correr que nem um condenado pelas ruas da Reboleira… antes correr que nem um condenado pelas ruas da Reboleira. No meio de tudo isto só há uma coisa que me entristece: A falta de sirenes a apitar. No nosso imaginário hollywoodesco não existe uma perseguição aceitável sem umas belas sirenes a fazer barulho. Como medida para salvaguardar o impacto da perseguição policial, já estão na calha, para serem comprados pelos próprios agentes da autoridade, uns capacetes com a sirene acoplada. Seremos assim, o país europeu, com os melhores corredores, sendo estes também os únicos que se deslocam com uma coisa esquisita na cabeça que faz luzinhas e emite um som espectacular do tipo…Tinonim, tinonim,…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-247965893839697563?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/247965893839697563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=247965893839697563' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/247965893839697563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/247965893839697563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/06/tinonim.html' title='Tinonim...'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SkjMCSqNgYI/AAAAAAAABCI/B7rwhl7ioFI/s72-c/ca967162-b341-4feb-88dd-fecb0766bf67_738D42D9-134C-4FBE-A85A-DA00E83FDC20_967863F7-3D41-445A-A36C-E0C04EF6B049_img_detalhe_noticia_pt_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-5497941933396161591</id><published>2009-06-16T14:42:00.000-07:00</published><updated>2009-06-16T14:45:02.667-07:00</updated><title type='text'>O Pai do Yakari</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SjgSUUE6EPI/AAAAAAAABBc/yM4cVVfTD1M/s1600-h/003379_big.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348044697698439410" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 215px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SjgSUUE6EPI/AAAAAAAABBc/yM4cVVfTD1M/s320/003379_big.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A minha filha aproximou-se quando eu estava entretido a ler o jornal. “Oh pai esse aí não é o Primeiro-ministro?”. Olhei com atenção e lá estava ele sorridente no cantinho da página. “É sim filha!” respondi. “Não é este que se porta mal?”. Aí fiquei um pouco mais atrapalhado e não sabia como responder sem faltar muito à verdade. Por um lado, a minha faceta pedagógica dizia-me que teria de contrariar o adjectivo depreciativo da miúda sobre um alto chefe de estado, por outro, existem momentos em que não deveremos ignorar a clareza incorruptível de uma criança. Neste dilema saiu-me um balbuciante e nada convencido “sabes, esse senhor não se porta… mal,… é apenas…um bocadinho,…., deixa ver,….incompetente”. Nisto apareceu o mais novo em passo de corrida e sem respirar atirou-me “incompetente é o quê pai?”. Não me conseguia libertar da parede aonde estava encostado… “Incompetente é uma pessoa que não cumpre bem a sua função. Um professor é incompetente quando não ensina os seus alunos; um médico é incompetente quando não diagnostica bem as doenças; um cozinheiro é incompetente quando coloca ingredientes incorrectos no consumé; um político é incompetente quando contribui para um decréscimo das condições de vida da população”. O miúdo prossegue a inquirição “não estou a perceber bem o que tu queres dizer”. Tive de me empenhar e socorrer-me de linguagem mais infantil “Um país é como a tribo do Yakari, aquele indiozito que tu gostas muito. O Seu pai, como chefe da tribo, é o responsável para que nada falte à aldeia. A comida, a segurança e o bem estar de todos. Quando tu vês o Yakari ele está sempre pronto e contente para mais aventuras em cima do seu cavalo Minitrovão na companhia do sonolento Olho-de-Bolha. Se o Chefe não deixasse os seus índios caçarem búfalos, se não protegesse as mulheres e crianças dos malfeitores ou se passasse o dia a esbofetear o Yakari, este não andava lá muito bem disposto, nem o Olho-de-Bolha teria muita vontade de dormir descansado. Significava que o Chefe não cuidava bem do seu povo e por isso era incompetente” pensei que tinha sido desta “Ahhh, já estou a perceber, era assim uma espécie de pessoa que se… porta mal!?” gritou o miúdo. Voltámos ao início, mas eu não iria argumentar mais. A minha filha atacava de novo “Mas porque é que o senhor está sempre a sorrir, se as pessoas não estão lá muito contentes com ele?”mais uma botifarra para eu descalçar “Ele sorri para que as pessoas acreditem que está tudo melhor…”, “é uma espécie de mentirinha, não é pai?”, tento amenizar “se calhar ele quer que as pessoas fiquem optimistas e também sorriam, mesmo desempregadas”. O mais novo, mais pragmático e sem grande polimento político rematou “Então porta-se mal e diz mentiras?” . Temia que se alongasse mais o debate a coisa se agudizasse e fiquei-me por um descomprometido “Não é bem assim…”. Antes que ele lançasse um “Então é como?” tratei de o despachar “Agora vai lá brincar que eu tenho de pôr a mesa para o almoço!”. Colocava eu os pratos sobre a toalha, quando chegaram os dois cada um com um marcador e, entre sorrisos, começaram a pintar enfeites na cara do senhor do sorriso. Estou a escrever esta crónica com alguns pesos na consciência porque não fiz nada naquele momento em que os petizes riam por cada bigode que punham no engenheiro. Não agi, não repreendi, apenas continuei a colocar talheres e copos, sem interferir naquela espécie de usurpação da imagem de jornal do primeiro ministro. Pensei que a culpa era minha. Quando a miúda disse que o homem se portava mal se calhar já o tinha ouvido da minha boca num momento de desabafo. No entanto senti alívio por ela ter utilizado o adjectivo mais suave que o pai costuma pensar quando se lembra do senhor do sorriso. Mas eu deveria ter impedido que lhe pintassem dentes de azul escuro. O sorriso e o optimismo afundavam-se. Só faltavam os guardanapos e os miúdos continuavam na sua pintura. Eu deveria ter pousado os guardanapos e agido com um veemente “Não façam isso!” , ao invés fui à procura do fundo para os tachos, fingindo que não era nada comigo. Acabei de pôr a mesa e lá me saiu um tímido “Agora já chega de pinturas vamos lá comer a sopa!”. A minha curiosidade não me deixava desfrutar a refeição em paz se não fosse inteirar-me da obra que, no fundo, eu desejaria ter concebido, e lá fui espreitar pelo canto do olho. O senhor do sorriso estava com uma popa, tinha agora óculos, precisava de uma visita ao estomatologista e usava um bigode parecido com o do D. Duarte. Afinal não foi tão mau assim. Com as minhas frustrações latentes eu teria , bem á vontade, pintado uma cicatriz na cara, uns cornichos na cabeça e uma tatuagem “Born to Destroy” no peito. A minha conscienciosa filha durante o almoço lá confessou que não se sentia muito bem por ter pintado o bigode no senhor. Eu tive de concordar e expliquei-lhe, que por muito mal que as pessoas se portem, não deveremos pintar-lhes os dentes com marcador azul. No jornal do dia seguinte, o senhor do sorriso, estava sem sorriso a admitir que dificilmente teria maioria absoluta. Aí eu pensei: “será que a pintura teve um efeito de macumba e o senhor começou a revelar alguns traços de bom senso?” Para a próxima terei mesmo de pintar uma tatuagem no peito do senhor a dizer “Born to Be Good”. Pode ser que resulte…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-5497941933396161591?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/5497941933396161591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=5497941933396161591' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5497941933396161591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5497941933396161591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/06/o-pai-do-yakari.html' title='O Pai do Yakari'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SjgSUUE6EPI/AAAAAAAABBc/yM4cVVfTD1M/s72-c/003379_big.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-4070310542408531898</id><published>2009-05-13T15:38:00.000-07:00</published><updated>2009-05-13T15:42:30.567-07:00</updated><title type='text'>A Maria Joana</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SgtMwFjIVzI/AAAAAAAABBU/HcJVWfniwj8/s1600-h/marijuana.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335442572557440818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 222px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SgtMwFjIVzI/AAAAAAAABBU/HcJVWfniwj8/s320/marijuana.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A marcha pela legalização da “cannabis” invadiu a capital com cerca de …500 participantes. Quando eu pensava que estava tudo maluco, que este país iria parar ao inevitável sifão, eis que surge este movimento repleto de clarividência, onde a palavra de ordem, entre tambores e apitos, seria “deixem-nos fumar charros à vontade qu’a malta assim é que é feliz!”. Mas eu iria mais longe. A Marijuana, não só deveria ser legalizada, como devia fazer parte da lista de prescrição dos Pediatras como substância potenciadora de um desenvolvimento infantil mais harmonioso. Assim, ao substituir o aerosol por uma vaporização de maconha após o banho, a criança, para além de lhe passar a crise dos brônquios, ficaria de tal forma calma, que já não faria birras para comer a sopa ou fitas a caminho da lavagem dos dentes. E porque razão se deveria estimular este processo de entorpecimento, logo a partir da infância? Porque assim, os jovens viveriam sem ter de lidar com o trauma de perceber a dura realidade que lhes ensombra o quotidiano. Assim, se um tipo fumar umas ganzas logo pela manhã, até acha uma certa graça quando o Primeiro Ministro abre a boca. De facto, os efeitos medicinais da droga, perdão, da erva, são evidentes. Que melhor prova dos benefícios da mesma, senão a forma alegre e despreocupada como aqueles tipos desfilaram no Largo do Rato, sem demonstrarem qualquer sintoma de artrite, hérnia discal, pedra na vesícula, doença bipolar ou gota. Até ostentavam orgulhosos as rastas nos cabelos como que a dizer “o pessoal nem se precisa de pentear porque, com o efeito da maconha, até achamos que estamos bonitos quando nos vimos ao espelho, pá!”. Tenho de confessar que nunca fumei daquilo, mas há momentos em que…, olhem agora estava a lembrar-me da história de todos os partidos (aquela espécie de organização que fala muito de moralização, ética e coisas assim) terem votado um aumento estapafúrdio do seu financiamento, numa época de crise mais ou menos profunda. Com maconha a inebriar-me os sentidos, até poderia achar algum sentido a esta falta massiva de dever cívico; trocava a vontade incontrolada de lhes chamar “filhos da p****” por uma expressão mais descontraída do tipo “É isso bravos heróis, vós precisais de mais verbas para as nobres campanhas que se avizinham”. A manifestação pró-marijuana lá continuou com alegria e o tipo do bloco de esquerda (que está sempre presente em relevantes causas sociais) lá ia dizendo que o consumidor de cannabis não deveria ter de comprar o produto a traficantes de heroína e cocaína. Está encontrada a razão pela qual a maioria dos fumadores de cannabis descambam em consumidores de drogas pesadas. Por falar em drogas pesadas, lembrei-me agora da mais recente declaração do engenheiro Sócrates, que pedia a maioria absoluta… maioria absoluta???...Pela legalização da Cannabis já! Até porque o exemplo deverá vir de cima, e, só um homem profundamente perturbado ou entorpecido pelo efeito de substâncias alucinogéneas poderia proferir uma barbaridade destas, depois da fabulosa governação que empreendeu. Arrisco-me a propor um outro passo ainda mais ambicioso: o da nacionalização da marijuana. Todos sabemos que a nossa agricultura ou não existe, ou, a que existe brevemente deixará de existir. Assim, aproveitar-se-iam os campos abandonados de trigo no Alentejo, para plantar erva em barda. Teríamos de mudar a designação espanholada de “marijuana” para uma mais caseira “Maria Joana”. E a “Maria Joana” espalhava alegria e optimismo por todos nós, considerados os mais tristes e pessimistas da Europa. A vida seria mais fácil, como mais fácil seria aceitar a estirpe de políticos que nos governam. Aprenderíamos a desresponsabilizar ainda mais os tipos, e a responsabilizar ainda mais a erva. “Deixa lá o homem em paz! Então tu não vês que quando o tipo tomou a decisão de avaliar os polícias pelo número de detenções, estava com uma moca do caneco? Aquilo foi na farra, a culpa é da droga …” . Lembrei-me da falada e hipotética formação de um governo central, resultante da união entre os dois partidos rivais. Só com muita Maria Joana nas vias respiratórias, é que conseguiríamos acreditar que essa união se daria por interesses nacionais e não por interesses corporativos de distribuição racional de “tachos” e “panelas”.&lt;br /&gt;Parece ter chegado a altura de se desvendar de uma vez por todas o mistério associado à mítica frase partilhada entre Sócrates e Durão, no meio daquele abraço e do sorriso aquando da assinatura do tratado de Lisboa: Depois de sair aquele espontâneo “Porreiro Pá!...” provavelmente alguém ouviu o resto… “Sabes ó Durão, não há melhor do que a nossa Maria Joana! …Um gajo fica mesmo disposto a dizer, a ver e a ouvir todo o tipo de baboseira…com um sorriso nos lábios”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-4070310542408531898?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/4070310542408531898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=4070310542408531898' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4070310542408531898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4070310542408531898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/05/maria-joana.html' title='A Maria Joana'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SgtMwFjIVzI/AAAAAAAABBU/HcJVWfniwj8/s72-c/marijuana.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-3311902258668137415</id><published>2009-04-27T14:32:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T14:47:10.210-07:00</updated><title type='text'>A Identidade do Cidadão</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SfYlaFw5zhI/AAAAAAAAA7s/hRob3-poXTU/s1600-h/c_cidadao1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329488339193679378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 205px; CURSOR: hand; HEIGHT: 140px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SfYlaFw5zhI/AAAAAAAAA7s/hRob3-poXTU/s320/c_cidadao1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sempre achei que a identidade era uma coisa importante. Com o passar do tempo comecei a achar que mais importante do que a identidade, seria o bilhete de…identidade. Tive pela primeira vez essa sensação, quando não pude embarcar num avião só porque o dito bilhete tinha terminado o prazo de validade. Ainda tentei explicar à senhora do check in que o bilhete tinha caducado, mas não a própria da identidade. Eu continuava a ser eu, com os mesmos olhos, a mesma boca, o mesmo cabelo,…bom..talvez menos,…os mesmos pais e avós. A senhora foi irredutível e eu perdi o voo por causa daquele reles cartão plastificado. Depois desse lamentável episódio, pus-me a reparar nas vezes em que nos pedem o bendito bilhete e perceber que até poderia ter alguma relevância. Para abrir uma conta, ser sócio do clube de vídeo, pagar uma televisão às prestações, mostrar ao guarda de trânsito, ou seja, faz-se fé num bocado de papel que poderá ser falsificado e ignora-se a verdadeira identidade que nem com muitos liftings pode ser usurpada.&lt;br /&gt;Depois de ouvir repetidamente e de forma quase indignada que os meus filhos não tinham o bilhete de identidade, decidi que deveria zelar para que eles encontrassem a sua identidade. Foram fazer a fotografia “à lá minuta”, disse-lhes até a baboseira do “olhó passarinho!” para que pudessem exteriorizar o seu melhor sorriso (para a identidade aparecer risonha) e lá fomos contentes para o registo civil. Fui-lhes contando que aquilo não custava nada, até iriam borrar o dedo numa tinta preta, facto que deixou o miúdo radiante, com particular queda que tem para a javardice. Chegámos e tirámos a nossa senha. Seria rápido pois apenas tínhamos duas pessoas à frente. Ao esperarmos, íamos percebendo que aquelas duas pessoas, teriam uma identidade algo complexa, pois demoraram um bocadinho mais do que eu estaria à espera, mesmo com uma limpeza apurada do dedo carimbado. Chamaram a nossa senha e impacientemente lancei um “vínhamos tirar o bilhete de identi….” antes de terminar a frase, a senhora respondeu: “já não existe bilhete de identidade !” O quê??? Está-me a dizer que eu perdi o avião por causa da falta de uma coisa que já não existe? Então e a identidade dos meus filhos?...como posso continuar a dizer que não têm o bendito bilhete de identidade? Para já não falar no desapontamento do mais novo por não poder borrar o dedo com tinta preta. “Agora existe o Cartão do Cidadão!” contrapõe a senhora com um ar orgulhoso de quem finalmente enterrou um bilhete decrépito e criou um pujante cartão do futuro. Aliás, não foi por acaso que se substituiu o termo “bilhete” por “cartão”. Um bilhete lembra um ingresso de cinema, um talão de compra do talho, um ticket de comboio, uma passagem de avião,…outra vez a perseguir-me o maldito voo perdido. “Cartão”, para além de rimar com “Cidadão”, lembra o que todos desejamos ter a enfeitar o porta moedas. Uma panóplia de rectângulos coloridos que servem para dar dinheiro e descontos ou perder dinheiro e descontos: cartões de crédito, de multibanco, do continente, da sportzone, do intermarché, das piscinas, do campismo e caravanismo, das pousadas, dos bombeiros, do Belenenses. O cartão representa um espécie de fetiche lusitano. Até há quem defenda que um cartão CaixaGold a reluzir na carteira, poderá constituir um factor facilitador de conquistas amorosas . Eu cá só queria o bilhete de identidade para os miúdos; Mas não podia ser. Teria de ser o pomposo e moderno Cartão do Cidadão. “Então é preciso o quê, para se ter esse cartão?” perguntei cabisbaixo. “É preciso o cartão de contribuinte, o cartão de eleitor, o cartão do utente de saúde, o cartão da segurança social, o bilhete de identidade(?)”. Agora fiquei baralhado. Por um lado, os miúdos não tinham nenhum desses cartões, por outro fundem-se 5 cartões em apenas um(?). Então e o que vai acontecer ao brilhantismo das nossas carteiras, sem a panóplia de cartões a enfeitar? O cartão de cidadão não substitui o cartão Continente? Ah, assim já podemos ficar mais descansados. A senhora procedeu a todo o processo de certificação do cidadão e demorou cerca de meia hora para cada cachopo. Apesar de toda a malta que estava à espera, achar aquilo tempo de mais, eu penso, que para um indivíduo se tornar cidadão até foi muito rápido. Antigamente para se ser cidadão a valer tinha de se ser um tipo asseadinho, cumpridor das regras sociais, ajudar a mãe a lavar a loiça, levar o irmão mais novo à escola, ajudar os colegas de estudo, beber o leite ao pequeno almoço. Agora a coisa parece mais facilitada. Um tipo assina numa máquina, mete o dedo numa máquina, faz um sorriso para uma máquina, diz o estado de saúde e pagamento de impostos à máquina e a máquina trata da nossa cidadania.&lt;br /&gt;Quando a minha mulher se preparava para ser também ela cidadã, a senhora diz-lhe que aquela criança ao colo do senhor tinha prioridade para tirar o cartão de cidadão. Está traçado o caminho do progresso efectivo, onde a cidadania se compactua num electrónico cartão multifunções e, onde existem uns que, por serem levados ao colo, poderão adquirir mais cedo as vantagens inerentes ao cidadão de futuro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-3311902258668137415?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/3311902258668137415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=3311902258668137415' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3311902258668137415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3311902258668137415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/04/identidade-do-cidadao.html' title='A Identidade do Cidadão'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SfYlaFw5zhI/AAAAAAAAA7s/hRob3-poXTU/s72-c/c_cidadao1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-6431415426424810841</id><published>2009-04-15T14:13:00.000-07:00</published><updated>2009-04-15T14:17:47.506-07:00</updated><title type='text'>Alerta Amarelo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SeZO5tKweFI/AAAAAAAAA7k/5ooPpzwOixc/s1600-h/230555.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325030362696415314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 219px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SeZO5tKweFI/AAAAAAAAA7k/5ooPpzwOixc/s320/230555.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Querido não achas que levamos roupa a mais? Afinal vamos só passar 3 dias fora!....” o marido preocupado responde “Não vês que eles deram alerta amarelo?...mete mas é mais duas camisolas de lã e um kispo para a chuvada que aí vem!”. Quantos de nós não nos revemos no pobre do marido que condiciona os seus actos de acordo com as previsões meteorológicas. “Marcaste hotel no Algarve? Então não viste que os tipos davam um temporal acompanhado de maremoto na costa sul?”; Mas esses gajos da meteorologia não têm mais nada que fazer senão atazanar-nos os planos? Deixem-nos ir à vontade de férias, na doce ignorância, depois lá, logo se verá. Se chover, compramos um chapéu de chuva de 2 euros aos vendedores de rua que também têm de ganhar a vida. Mas pior do que os meteorologistas para nos lixar o ócio, apareceram agora uns tipos da protecção civil, um organismo que foi criado para lidar com as situações de emergência, coordenando os meios operativos existentes,….?..... Fazes o quê? Coordeno! Sempre tive uma certa admiração pelos indivíduos que coordenam. Constróis casas? Não, coordeno a construção!; Dás aulas? Não, coordeno os professores!; Serras lenha? Não, coordeno a serração.; Apanhas ladrões? Não, coordeno a polícia! Apagas fogos? Não, coordeno a distribuição dos aviões alugados a preço de ouro! Qualquer trabalhador que se preze não pode pôr as mãos na massa sem antes arranjar alguém que coordene as suas acções. Será até de certa maneira constrangedor se, ao perguntarem a um electricista se não tem ninguém a coordenar as suas montagens eléctricas, ele responder que não…Não? Então e os perigos? Os choques? Quem coordena esses arrojadas acções com o busca-pólos em cima do escadote?&lt;br /&gt;Mas voltemos à protecção civil e à coordenação que fazem dos meios de emergência e das nossas férias. Os tipos, como perceberam que é difícil coordenar situações de emergência, resguardam-se na prevenção e fazem eles muito bem. “Ó Isabel, põe aí mais um gorro e um par de luvas que isto do alerta amarelo não é para brincadeiras!”.&lt;br /&gt;Esta coisa dos alertas, foi um golpe de génio. Pôr a malta alerta, é despertar um estado de vigília permanente. Promover a desconfiança, o receio, a atenção, ou seja, afogar-nos no desconforto antes mesmo de levar com chuva na cachimónia. Como a ordem de alerta dada pelo major (o coordenador) ao sentinela da noite de um quartel rodeado por uma multidão de inimigos talibãs. O que pensa o sentinela? Que provavelmente se adormecer estará lixado e se não adormecer …lixado estará. Pelo sim pelo não, não vai conseguir adormecer, porque a levar um balázio ao menos que seja acordado. E é assim que nos sentimos quando vamos uns dias de férias ensombrados por o alerta agoirento pairando sobre as nossas aspirações de dias de descontracção. Vamos contraídos, envoltos em cachecóis e impermeáveis, esperando o pior dos vendavais, o mais ignóbil dilúvio. “Mas já viste o sol que está? Eles não diziam que…”, pergunta a mulher de forma optimista, “Espera que o pior ainda está para vir, mantém-te alerta!” contrapõe o pragmático marido.&lt;br /&gt;No gabinete do coordenador da protecção civil, a conversa desenrola-se: “Não achas que exagerámos um bocadinho com o alerta? Afinal só dão aguaceiros e uns ventitos…”, “Shiuuu, cala-te! Não viste como ia ardendo toda a reserva do Gerês no mês passado? Foi porque não lançámos nenhum alerta!...ou lançámos?...mas de que cor?...”. Também quem se lembrou de pôr amarelo ao alerta? Amarelo não intimida; é alegre, radioso, até lembra o sol iluminando malmequeres. Já agora um alerta cor-de-rosa para nos avisar de uma breve brisa marítima. O alerta vermelho faz mais sentido. Lembra-nos sangue, tragédia, fogo, Benfica, enfim, imagens pouco apelativas e mais consonantes com cenários de flagelo.&lt;br /&gt;“Mas ó Manuel, já estamos quase no último dia de férias e ainda não pingou…”, o Manuel continua firmemente convicto “Vais ver que vamos apanhar a intempérie na viagem de regresso a casa e ainda ficamos presos no caminho…”&lt;br /&gt;As expectativas do céu amarelado não se confirmaram e o casal regressou a casa com um sol radioso, apenas interrompido por uns pingos ali perto de Mealhada, que serviu de pretexto para mandar os dentes a um naco de leitão. Chegados a casa, ao tirar do carro toda a tralha que tinham levado para combater as condições de inverno rigoroso previstas, o Manuel de forma resignada perguntou: “Achas que o coordenador é daltónico?”&lt;br /&gt;Acabo de escrever esta crónica a ouvir a chuva que cai lá fora, e os pingos que caem cá dentro por causa do dilúvio da tarde. Será que o coordenador lançou um alerta amarelo para hoje e eu não ouvi?....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-6431415426424810841?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/6431415426424810841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=6431415426424810841' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/6431415426424810841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/6431415426424810841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/04/alerta-amarelo.html' title='Alerta Amarelo'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SeZO5tKweFI/AAAAAAAAA7k/5ooPpzwOixc/s72-c/230555.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-6840385252811280522</id><published>2009-03-31T15:48:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T15:52:56.999-07:00</updated><title type='text'>Relativamente...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SdKevdY_StI/AAAAAAAAA7c/CoVmEocda7I/s1600-h/miopia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319488648058456786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 299px; CURSOR: hand; HEIGHT: 218px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SdKevdY_StI/AAAAAAAAA7c/CoVmEocda7I/s320/miopia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho de tirar o chapéu ao nosso ilustre ministro da administração interna que, mediante o clima de insegurança instalado, consegue dizer ao cidadão inseguro que afinal está seguro(!?).Mas vamos por partes. Sai o relatório anual de segurança interna e toda a gente fica atenta. Depois de se passar a vida a ouvir falar de assaltos por tudo quanto é lado, agressões a polícias à descarada, tráfico de droga em barda, armamento pesado em bairros sociais, eis que surgem os números: Afinal não há lugar para alarmismos! A criminalidade violenta aumentou apenas 11% relativamente ao último ano!? O que nos diz o ministro destes números? Nada mais aconchegante do que: “Portugal continua a ser um país relativamente seguro”. Então não é que o homem tem razão??? Tem razão porque colocou ali no meio a tal palavrinha que nunca compromete: o “relativamente”. E com o “relativamente” tudo se resolve; tudo acaba em bem. Eu por exemplo sou um tipo “relativamente” bonito; afinal existem sempre figuras com a aparência de um Jaime Gama ou um Jorge Sampaio. Sinto-me um tipo “relativamente” rico, quando penso na malta que trabalha numa fábrica de calçado de Guimarães. Sou mesmo relativamente milionário, se conseguir imaginar os 3 euros ao mês de um tipo que cose bolas de futebol no Bangladesh. Apesar de estar sempre de fato de treino, visto-me “relativamente” bem, quando imagino a figura do Alberto João Jardim mascarado de baiana no carnaval da Madeira. Sinto-me “relativamente” bem disposto sempre que sou atendido pela senhora do registo predial. Sou “relativamente” inteligente quando penso na ministra da educação. Sinto-me “relativamente” muito saudável se pensar no cadavérico e malogrado César Monteiro. Tenho um poder de oratória “relativamente” grande quando ouço Vasco Pulido Valente.&lt;br /&gt;Resumindo, serei um tipo “relativamente” bafejado pela sorte pois sou “relativamente” bonito, rico, bem vestido, bem disposto, inteligente, saudável, bem falante. O drama é se me ponho a pensar no Brad Pitt, Américo Amorim, Calvin Klein, Fernando Mendes, Einstein, Nelson Évora ou Barack Obama .Aí já começo a sentir-me “relativamente” feio, pobre, mal vestido, tristonho, mentecapto, fraquinho, tartamudo. Mas ao menos sinto-me “relativamente” seguro. E tudo graças ao nosso salvador ministro Rui Pereira, que diz que somos “relativamente” seguros, forçando a imaginação a vaguear sobre os tiroteios das favelas do Rio de Janeiro. Esqueçam o Brasil! Nós temos índices de criminalidade dos mais baixos da Europa, com os espantosos valores de 37% contra 70%...?....70%? Com 70% de criminalidade, as probabilidades de ser esfaqueado à saída do autocarro em Berna ou em Basileia serão enormes. Ainda bem que raramente passo a fronteira. Olhe! Sôr Ministro!...Por acaso não confundiu os papéis e onde aparece Europa não estaria Medellin da Colômbia?&lt;br /&gt;Mas não há dúvida que o facto de nos sentirmos “relativamente” seguros nos transmite alguma serenidade, até para analisarmos os 23% de aumento dos assaltos de carjacking. Só 23%? Isso é quase o valor do IVA nas latas de Atum e ninguém se queixa; até dizem que é rico em ómega 3. Este estado “relativamente” tranquilo que nos invade o espírito, apenas sofrerá uma pequena mutação quando nos assaltarem a casa. Aí ficaremos “relativamente” chateados e com vontade de chamar uns nomes “relativamente” feios aos tipos que dizem que estamos “relativamente” seguros.&lt;br /&gt;Esta imagem do Ministro segurando os óculos com as duas mãos, não pretende fazer sarcasmos com uma hipotética miopia do senhor que lhe tolherá a clarividência. Aliás, as suas dioptrias serão “relativamente” irrelevantes quando comparadas com as do Mr Magoo. Mas não haverá motivo de preocupação porque a medicina tem dado grandes passos. A questão será a de saber se para este tipo de limitação visual os nossos oftalmologistas não serão apenas “relativamente” bons… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-6840385252811280522?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/6840385252811280522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=6840385252811280522' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/6840385252811280522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/6840385252811280522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/03/relativamente.html' title='Relativamente...'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SdKevdY_StI/AAAAAAAAA7c/CoVmEocda7I/s72-c/miopia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-8235979605887468056</id><published>2009-03-11T17:10:00.000-07:00</published><updated>2009-03-11T17:21:24.288-07:00</updated><title type='text'>Uma vista de olhos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SbhVVs4Pk7I/AAAAAAAAA6U/XQgXzTPW_30/s1600-h/camila.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5312089591796175794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 318px; CURSOR: hand; HEIGHT: 247px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SbhVVs4Pk7I/AAAAAAAAA6U/XQgXzTPW_30/s320/camila.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não é António?” Perguntei a um aluno distraído sobre a matéria que tinha acabado de transmitir. “É sim senhor!” respondeu ele convicto do que não tinha ouvido; a coisa complicou-se quando insisti “É o quê?”. Como o António tinha estado a ouvir a informação ministrada pelo seu colega do lado sobre os atributos anatómicos da Marta, respondeu com um engasgado “Pois…? Sabe…é que…”. Expliquei que nunca se responde “sim” a algo sobre o qual não se faz a mínima ideia, sob pena, de responder afirmativamente a questões comprometedoras sobre a sua vida íntima, ou sobre a sua eventual precária capacidade intelectual. Isto vem a propósito do último congresso do PS. Um verdadeiro festival, com muita bandeirinha a abanar, muito punho no ar, muita beijoca e o tipo que nos “governa” a dizer que melhor do que ele só o Ghandi e, eventualmente, o Dalai Lama . A coisa começou a complicar quando o repórter se lembrou de perguntar aos congressistas o que achavam da moção que estiveram a votar. “Então o que acha da moção?” Pergunta o jornalista. “Eu acho que está muito boa!”; o repórter insiste “mas qual o aspecto da moção que acha mais válido?”,… “bom,… assim de repente,…deixa ver,…acho que estão todos bons!”; o raio do jornalista não dava tréguas e replicava objectivamente “Mas você leu a moção?”, ao que o protagonista responde “dei uma vista de olhos, não aprofundei muito, sabe…”. Dizer que se dá uma vista de olhos é o mesmo que dizer que não se viu a ponta de um chavo, ou seja, que os olhos não tiveram vista nenhuma. É totalmente anti-natura; um insulto a todos os cegos deste país, ávidos que os seus olhos lhes dessem a vista que lhes teima em faltar. O cego não vê porque não consegue; o ignorante não vê porque … quer dar uma vista de olhos. O que estamos a falar não é de cegueira sensorial, mas de cegueira intelectual. Mas voltemos ao espampanante congresso. O jornalista lá percorria os vários congressistas em busca da vista perdida e ia obtendo respostas variadas, mas de conteúdos similares. Os ignorantes mais politizados até arriscavam com respostas abalizadas do tipo “é claramente uma moção que combate a exclusão social, o desemprego, a crise…”, tanga que caía por terra quando se ouvia “ mas o senhor leu a moção?”,… “ ler, ler,…mas é claro que dei uma vista de olhos!”….Nããããõ seu ignorante! Você diz-me que a moção é melhor do que a Madonna nua numa suite do Hilton, quando nem sequer a viu? Deveria dizer o repórter para achincalhar a sua estupidez.&lt;br /&gt;Correcta estava aquela senhora que não teve com meias medidas e disse logo “Olhe, eu não li coisa nenhuma, mas votei “sim” porque gosto muito do homem; é muito simpático e se ele acha que sim eu também acho!”. Ao menos assim assume, sem subterfúgios a sua cegueira…pelo homem. E lá foi comer o pastelinho de bacalhau e beber o seu sumol entre um aceno e um aplauso. Existe um pequeno pormenor que me deixa um pouco incomodado. A moção que se estava a votar intitulada “A força da mudança“ , não propunha uma mudança no guarda-roupa do primeiro-ministro para as suas corridas matinais. A moção, para além de falar da maioria absoluta, tinha aspectos com implicações significativas no nosso dia-a-dia no caso de termos a infelicidade do governo continuar o mesmo. E dão pastelinhos de bacalhau, lá no congresso? Atão eu voto sim!…A expressão “mandar areia para os olhos” nunca fez tanto sentido. Um indivíduo com areia nos olhos pouco vê. E este tipo que nos governa é mestre da propaganda, eficaz na arte de arremesso de areia para o olho alheio, o que até nem é muito difícil com a apetência que o povão sem sentido crítico tem para se deixar cegar com a poeira da “mudança”.&lt;br /&gt;Estou a tentar acabar de ler o livro “Ensaio sobre a cegueira” de Saramago. Nele se fala de uma epidemia que torna todas as pessoas cegas. Todas, excepto uma: A senhora que fica responsável por conduzir todas aquelas dependentes pessoas sem alternativa, em busca de alimento, de uma cama, de uma qualidade de vida aceitável. E a senhora era boa; tinha compaixão; era competente; tentava minorar a cegueira colectiva; A nós, na vida real, calhou-nos um indivíduo que tenta impulsionar a cegueira colectiva. Porque quantos mais forem os ceguinhos, maiores serão as possibilidades das barbaridades que se continuam a cometer, permanecerem impunes e, com alguma sorte, até apreciadas como um sinal de coragem(?).&lt;br /&gt;Lembrei-me agora dos cães guias, esses fabulosos animais que apareceram como uma das melhores ajudas para os cegos se tornarem autónomos . São eles que evitam que os cegos choquem nos carros, embatam nos postes, tropecem nos passeios. Para que consigam assumir essa responsabilidade, de garantir a plena segurança do cego, são exaustivamente treinados, por forma a não se deixarem distrair com facilidade. Parece que nem todos os cães guia serão assim. Existem uns rafeiros que, para além de morderem às pessoas que deveriam proteger, têm um faro que se distrai facilmente com o odor de cadelas com o cio, deixando os cegos entregues à sua sorte. Quando, finalmente, voltam cansados da rebaldaria e, antes de apanharem com o jornal, estendem a pata, abanam o rabo e entregam o pastelinho de bacalhau que surripiaram na mercearia do bairro… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-8235979605887468056?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/8235979605887468056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=8235979605887468056' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/8235979605887468056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/8235979605887468056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/03/uma-vista-de-olhos.html' title='Uma vista de olhos'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SbhVVs4Pk7I/AAAAAAAAA6U/XQgXzTPW_30/s72-c/camila.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-7057258304844472945</id><published>2009-02-17T09:49:00.000-08:00</published><updated>2009-02-17T09:56:25.900-08:00</updated><title type='text'>Crianças Índigo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SZr6E0fk-AI/AAAAAAAAA0c/ggxAquyujGo/s1600-h/gse_multipart53861.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303826471899691010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 244px; CURSOR: hand; HEIGHT: 259px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SZr6E0fk-AI/AAAAAAAAA0c/ggxAquyujGo/s320/gse_multipart53861.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; I&lt;span style="font-size:78%;"&gt;magem retirada da net&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou mais aliviado. Aliás, todos deveríamos estar mais aliviados. A minha irmã acabou de me dar a feliz notícia do nascimento das crianças Índigo. Eu sei, também eu fiz essa cara, de quem pensou tratar-se da catrefada de gémeos que nasceram daquele casal americano, resultado de uma inseminação artificial com sémen de elefante, mas não. Estas crianças nasceram de inseminação natural e parecem que constituem 90% de todos os miúdos nascidos a partir da década de noventa. Parece que são seres com uma série de atributos intelectuais e sensoriais acima dos padrões, até então, normais. De entre as principais características mais marcantes vou realçar apenas duas copiadas da Wikipédia: “Chegam ao mundo com sentimento de realeza” ; “Custa-lhes aceitar autoridade que não oferece explicação nem alternativa”. Ora aí está, o que toda a criançada da minha geração, desejava ser: Uma espécie de príncipe que pode comer todas as guloseimas sem ter de dar cavaco a ninguém. Infelizmente, não nascemos com essa aura espiritual, uma espécie de campo electromagnético azul-índigo, descoberta pela parapsicóloga americana Nancy Tappe. Sinceramente eu tenho alguma dificuldade em perceber bem essa coisa da aura e muito menos o método de descobrir a cor da mesma, mas não interessa. O que interessa é que já não temos de chamar “malcriadão” ao miúdo que chama nomes à mãe só porque esta não lhe comprou um jogo para a consola. A partir de agora já podemos substituir esse ar de indignação e vontade de mandar uns tabefes, por um desculpabilizante sorriso e a frase “Aquela criança é tão… Índigo” . Acabaram-se pois os nossos problemas de indisciplina dentro da sala de aula. Se 90% da turma manda borrachas e papelinhos aos colegas enquanto o professor escreve o sumário no quadro, não são “acções produzidas por umas quaisquer bestas quadradas” mas “comportamentos perfeitamente normais de crianças índigo que fazem exercícios de aeromodelismo com o seu material escolar”. Se para um adulto retrógrado, a borracha apenas serve para apagar, a criança índigo consegue ver na borracha uma nave espacial em busca de um novo planeta chamado…nuca da Ana Luísa. A criança Índigo desmotiva-se com facilidade porque tem capacidades de apreensão e criatividade para além dos rudimentares valores transmitidos pelo adulto . Tem dificuldade de assimilar regras impostas, porque com a sua criatividade pode criar as suas próprias regras. É por isso que estou mais aliviado. A probabilidade de qualquer um dos meus filhos ser índigo é grande, afinal 90% é muita coisa. Como tal posso relaxar mais. É que exercer autoridade dá uma trabalheira do caneco, e assim, perante crianças que têm uma aura de criatividade especial, pode-se ser mais condescendente. Ainda ontem tive de me chatear à bruta para os meter na cama a horas que eu considero decentes; A vantagem do índigo é que define a própria decência. A criança índigo é uma espécie de panela Bimby versão infantil: educa-se a si própria. É só preciso colocar alguns ingredientes fundamentais lá dentro como sejam bolicaos, consolas, telemóveis, gomas, sapatilhas de marca, chaves do carro do pai e o cachopo faz o resto, ou seja, transforma-se num jovem índigo. Cá para nós, desconfio que os parapsicólogos que inventaram,… ops,… perdão,… descobriram o conceito de crianças índigo, tinham em casa miúdos daqueles muito, mas mesmo muito …índigos. Assim já não correriam o risco de lhes chamar cavalgaduras, quando eles davam largas à criatividade com as paredes da casa. Os especialistas defendem que as crianças índigo fomentam a desordem na sala de aula, porque aprendem os conteúdos muito rápido e depois ficam desmotivados. Esqueceram-se de dizer, que conteúdos(?), isto, porque o Manuel do 4º ano, o filho do senhor André da rua de baixo, deu 38 erros no ditado de língua portuguesa. Das duas uma, ou não teve a felicidade de ser abençoado por aquela aura azul que apenas deixa por iluminar 10% das crianças, ou então deveria estar a pensar na língua eslovaca que só aprenderia daqui a uns anitos. Tenho de reconhecer que até há pouco tempo, sempre que ouvia dizer que um pai tinha ido à escola ralhar com o professor porque este tinha ralhado com o seu filho só porque este estava a mandar sms à namorada durante a aula , apenas me vinha ao pensamento a palavra “energúmeno”. Agora percebo, que com as crianças índigo, também surgiram os pais índigo; pais muito à frente do nosso tempo, que já tinham percebido que isto não vai lá com castigos traumáticos para as crianças que “chegam ao mundo com sentimento de realeza”. Ainda tenho alguma dificuldade em assimilar que me nasceram dois nobres brasonados em casa, à espera de serem servidos pelas suas aias. Ainda não assimilei que eles não assimilam bem as regras dos adultos. Ainda ralho quando dão azo à sua real agressividade, materializada por batalhas fratricidas entre irmãos; ainda me chateio quando não conseguem jantar sem correr à volta da mesa; ainda fico fulo quando faltam ao respeito a pessoas mais velhas. Talvez um dia eu aspire a ser um pai índigo. Não sei bem porquê, mas estava agora aqui a pensar naquele jovem que foi baleado durante uma fuga à polícia. Fiquei indi…gnado. Então não explicaram ao agente da autoridade que aquele jovem que lhe apontou uma arma, que tinha como passatempo roubar carros a outras pessoas com elas dentro, afinal poderia mesmo ser um jovem índigo?&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-7057258304844472945?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/7057258304844472945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=7057258304844472945' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7057258304844472945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7057258304844472945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/02/criancas-indigo.html' title='Crianças Índigo'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SZr6E0fk-AI/AAAAAAAAA0c/ggxAquyujGo/s72-c/gse_multipart53861.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-8648055294739562822</id><published>2009-02-09T14:43:00.000-08:00</published><updated>2009-02-09T14:46:14.377-08:00</updated><title type='text'>Passa a outro e não ao mesmo...</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SZCxt1UTAOI/AAAAAAAAA0U/CEywDsAP0nc/s1600-h/pinocrates"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300932162379514082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 235px; CURSOR: hand; HEIGHT: 193px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SZCxt1UTAOI/AAAAAAAAA0U/CEywDsAP0nc/s320/pinocrates" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;imagem retirada da net&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje ao pequeno almoço, estavam os meus filhos a discutir a história do Pedro e do Lobo. Pedi que me relembrassem os pormenores e o mais novo avançou logo com um eloquente “o Pedro era mentiroso e já ninguém acreditava nele!…”. O moral da história estava traçado, sem ser necessário perder-se muito tempo com as entrelinhas.  Os miúdos lá continuaram a desenvolver o enredo do banquete que o lobo fez com o cachopo mentiroso e a minha mente vagueava em direcção do… Freeport(?). A história, embora diferente, tem alguns contornos parecidos. Um tipo mente compulsivamente e depois, num momento de aflição, quer que  acreditemos nele . Eu não acredito no homem! …ou antes,… Eu já não acredito no homem! E esta minha legitimidade para a descrença, deixa-me triste, sobretudo porque estamos a ser governados por esta versão adulta do Pedro mentiroso. Eu sei que posso estar a cometer uma profunda injustiça, por achar que lá por o nome do tipo estar na cabeça da lista dos suspeitos, de ter permitido fazer-se uma obra em tempo recorde em cima de uma reserva ecológica, de existirem gravações de conversas de luvas, não quer dizer que seja culpado, certo?…Errado! Sabem quando eu comecei a acreditar que o tipo era culpado? Quando começou a dizer que não o  era. Ora temos de analisar de forma paradigmática os factos, com base na teoria dos antónimos. Um tipo que mente diz o facto ao contrário. Os impostos vão subir e ele diz que vão descer; o desemprego aumenta e ele diz que diminui; a ministra é incompetente e ele diz que é competente; o benfica joga muito mal e ele diz que joga de forma esplendorosa. Se o tipo diz que não tem nada a ver com o caso Freeport, nós deduzimos o quê?…&lt;br /&gt;            Mas existe uma coisa que ainda me incomoda mais do que um indivíduo mentiroso; é o indivíduo mentiroso e queixinhas. Existem duas expressões muito portuguesas que retratam a personagem: o “Sacudir a água do capote” e o “Passa a outro e não ao mesmo”. A primeira expressão reporta-se a esta característica de raramente se conseguir assumir a culpa própria. Essa incapacidade está impregnada no material genético de muitos humanos. O bébé quando chora, quer logo dizer que não teve a culpa de cagar nas fraldas. E este é o início de vida do indivíduo que gosta de sacudir a água do capote, com forte possibilidades de descambar no ser abjecto de “passar a outro e não ao mesmo”. Esta subespécie de mentiroso  deixa-me pessoalmente sem qualquer respeito para dar. Um tipo que parte uma chávena, diz que não foi ele e aponta para o indivíduo do lado, é o personagem que merece todo o meu desprezo e até alguma regurgitação. E quem personaliza esse ser de que falo? Querem que eu dê uma pista?…Então aqui vai : “Sou inocente! Isto é uma campanha para denegrir a minha imagem! Uma campanha orquestrada pela oposição!…” lembra-vos alguma coisa? Aqui estão as duas expressões em plena harmonia: “sacudir água do capote”- Estou inocente e “Passa a outro e não ao mesmo” - a cabala. A culpa é sempre dos outros, sejam eles oposição, amigos ou animais de estimação.&lt;br /&gt;            Eu sou um acérrimo defensor  de que nas escola deveriam existir acções de formação na área da responsabilização individual, intituladas  “Como assumir a culpa em 20 lições”. Em alguns casos, onde se incluem os candidatos a políticos sérios, ter-se-ia de aprofundar até às 268 lições, assumindo carácter de disciplina plurianual. Até à 30ª lição, o exercício da  jarra no canto da mesa que tinha de se derrubar e, depois de olhar para os cacos no chão tinha de se conseguir inibir o automatismo de dizer baboseiras do género “Quem foi o estúpido que colocou a jarra quase a cair!”; “A culpa é do médico que me receitou comprimidos que originam movimentos involuntários!” , “O raio dos chineses que não sabem fazer jarras resistentes!?”. O desafio estaria ultrapassado quando , depois de muito esforço o aluno conseguiria gemer um “acho que…a culpa foi …minha”. Talvez depois destes cursos, os futebolistas não culpassem a canela do adversário que molestaram, os pedófilos não culpassem as crianças que violaram, os cavalgaduras não culpassem os outros da sua falta de ética, os incompetentes corruptos não culpassem a conjuntura internacional, o ladrão não culpasse o dono do carro por ter deixado as chaves na ignição.&lt;br /&gt;Para nossa desgraça, desconfio que, no sub-mundo dos partidos políticos, existirá formação no sentido inverso ou seja, “Como  sacudir a água do capote e depois passar a culpa a outro em 20 lições”. Com a natural apetência para a patranha, as aprendizagens estariam consolidadas  ao fim da 5ª lição.&lt;br /&gt;            Sinto que chegou a hora de esperar que o lobo apareça rápido e espete de uma vez por todas os dentes nas carnes do rapaz mentiroso. Tenho no entanto algum temor. Em primeiro lugar, de que os aldeões continuem a acreditar nas patranhas com um tonto sorriso nos lábios; em segundo lugar, de que o predador,  quando chegar , seja apenas outro mentiroso disfarçado com pele de lobo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-8648055294739562822?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/8648055294739562822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=8648055294739562822' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/8648055294739562822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/8648055294739562822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/02/passa-outro-e-nao-ao-mesmo.html' title='Passa a outro e não ao mesmo...'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SZCxt1UTAOI/AAAAAAAAA0U/CEywDsAP0nc/s72-c/pinocrates' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-2041856603370853968</id><published>2009-01-19T15:51:00.000-08:00</published><updated>2009-01-19T15:58:31.441-08:00</updated><title type='text'>A entrada nos “Entas”</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SXUTmJYbnbI/AAAAAAAAAzw/XM3XJXPnVn0/s1600-h/40-year-old-birthday-cake.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293158483118235058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SXUTmJYbnbI/AAAAAAAAAzw/XM3XJXPnVn0/s320/40-year-old-birthday-cake.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não sei bem quem inventou essa treta dos “Entas”. Nunca tinha dado grande importância ao facto, até eu próprio chegar aos quarenta anos. “Agora já pertences ao clube dos entas!” dizem-me os amigos. Será um clube restrito, onde a malta fina joga bridge, bebe uns Wishkies, fuma uns charutos cubanos e discute as acções da bolsa?...a ilusão acaba-se quando completam com a animadora perspectiva: “Agora é que é o delas! É cada vez pior; sempre em queda descendente!...”. Não querendo assumir a faceta de páraquedista, penso que já não pretendo integrar o tal clube. Quero voltar atrás; voltar à avioneta dos trinta; é que não me dou lá muito bem com alturas e não gosto que me empurrem assim à bruta.&lt;br /&gt;O estigma associado à fronteira dos entas, encontra-se reforçado pela passagem do “Ainda?” para o “Já?”. Quando temos 39 anos, as pessoas dizem-nos radiantes e de forma elogiosa “Ainda só tens 39?”; No dia em que mudamos de ano e arredondamos felizes a coisa, levamos logo com um desprestigiante “Já tens 40?”, associado uma expressão facial fatalista, sintomática de quem está a pensar “Coitado, já não há nada a fazer, estás um trapo!...”. Na realidade não senti essa súbita mudança; essa espécie de golpe de mágica degenerativa, que transforma um vigoroso atleta num artrítico ser. Isto porque de vigoroso atleta já tenho pouco. O artrítico ser, esse, começou antes dos “entas”, sempre que me levantava da cama a ranger tudo o que era articular. Que me perdoem as pessoas de 80 anos, que devem achar ofensivas as queixas de alguém que tem a sorte de “apenas” ter 40 anos, mas a culpa é de quem criou a fronteira dos “entas” para nos achincalhar; para nos tentar levar à depressão. Deixa-te disso, então e os 50, 60, 70 ou 80?...nessas idades já o mal está feito. O mal foi termos chegado aos “entas”. E é aqui que surge a velha máxima defensiva do tipo que está todo empenado e lança um orgulhoso “A velhice está na cabeça, não no corpo!” , faltando, no entanto, completar com um “…agora passa-me aí o andarilho para eu conseguir chegar à casa de banho!”. Tenho de admitir que também eu vacilei na entrada dos “entas”, quando a minha filha me perguntou se eu já era “velho”. Ainda pensei em responder-lhe com um convincente “nããã”, ou com aquela dos “velhos são os trapos”, mas tive que assumir que “já” não era novo. E o que aquilo me custou dizer. A injustiça é não se fazer a coisa com suavidade, para nos irmos preparando. Passamos 39 anos e algumas horas a viver na ignorância da juventude, para, de seguida, nos brindarem com um atestado de velhice, facultando-nos uma terminação inalterável, ainda por cima comunicando-nos que a sorte grande ficou para trás . O fardo dos 40 cai-nos no colo como uma bigorna em forma de presente. E a bigorna é tramada, que descai logo para a barriga, que vai crescendo de forma descontrolada, como crescendo vai a vontade de comer tudo o que está no frigorífico, naquela hora que não devemos comer tudo, porque já chegámos ao traste do metabolismo dos “entas”. Ao menos podiam-nos deixar trincar o chocolate descansados; até como terapia para afogarmos as mágoas de sermos entradotes. Para além da bigorna, da barriga e das restantes adiposidades, mandam-nos também os problemas do colesterol, dos triglicéridos, da hipertensão, da vista cansada, das dores de costas e o espectro da aproximação do traumático exame à próstata. Já um gajo não pode envelhecer sossegadinho perto do frigorífico e sem pensar no raio do médico calçando as luvas de silicone a dizer que não vai doer nada?!&lt;br /&gt;Nesta passagem para os “entas”, teremos assim duas alternativas: A primeira, da negação, dando origem às figuras deprimentes dos tipos que aproveitam essa idade para pintar o cabelo de roxo, colocar piercings nas narinas e expressar-se através do dialecto das tribos adolescentes. Assim, com essa mudança de visual, apesar das hérnias discais, é vê-los aos saltos a gritar “Eu tou bué da jovem men! Hoje vou ripar no skate, amanhã vou curtir umas ondas!” . Este tipo terá fortes probabilidades de passar alguns meses, num centro de fisioterapia a apanhar choques e a levar chapadas nas carnes. A segunda alternativa, será a do “Deixa andar e que se lixe” que muitos especialistas classificam como a forma de saber envelhecer com serenidade. Basicamente, prende-se com a incapacidade da consciência pesar, mesmo depois de se ter trucidado o resto do pudim que ficou no frigorífico ou de ter adormecido no sofá a ver as “Escolhas de Marcelo”.&lt;br /&gt;Na fase de recente quarentão, ainda tenho algum pudor em mandar a toalha ao chão e partir para o abandalhamento com serenidade. Também não admito a hipótese de furar a chicha com brincos ou começar a frequentar “raves” até de madrugada. No meio das dúvidas próprias deste período de reflexão existencial, tenho apenas uma certeza: quando me perguntarem a idade, assumirei orgulhosamente os meus Quar…inta. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-2041856603370853968?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/2041856603370853968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=2041856603370853968' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2041856603370853968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2041856603370853968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/01/entrada-nos-entas.html' title='A entrada nos “Entas”'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SXUTmJYbnbI/AAAAAAAAAzw/XM3XJXPnVn0/s72-c/40-year-old-birthday-cake.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-4017160629327933886</id><published>2009-01-04T15:10:00.000-08:00</published><updated>2009-02-09T14:47:40.314-08:00</updated><title type='text'>A Liliana resolve</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SWFCNSm-kvI/AAAAAAAAAzI/OOgFzZHcNU0/s1600-h/9ap1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287580233610728178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 217px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SWFCNSm-kvI/AAAAAAAAAzI/OOgFzZHcNU0/s320/9ap1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imagem retirada da net&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois da viragem para o novo ano dei de caras com uma tal Liliana Queiroz; direi antes, que dei de caras com as mamocas de uma tal Liliana Queiroz(?). Foi aliás com algum espanto que, depois da festarola, do champanhe, das passas e da contagem decrescente, começámos a fazer zapping pelos vários canais televisivos e eis que surge a nossa miss Playboy, exibindo desinibida os seus fartos atributos carnais. Ao princípio estranhei. Havia algo que não batia certo; quase sempre nos mandam com filmes do Van Damme, melodramas dos anos 80, ou ainda análises prognósticas do ano que aí vem. Mas desta vez, ali estava a moçoila semi-despida com os seios pululando de alegria. Por mera curiosidade pus-me a analisar um pouco da história. A rapariga muito bonita tinha um primo muito bonito que namorava com outra rapariga muito bonita. Iam para um rancho muito bonito, com vacas muito bonitas, onde a rapariga muito bonita num exercício de imaginação pré-incestuosa, começou a achar que o primo afinal era bonito de mais para ser apenas… primo. Na voz off, a rapariga confessava a sua ininterrupta estimulação sensual; tudo lhe despertava sensualidade, desde o primo, à namorada do primo, ao feno, aos cortinados, aos lençóis de algodão, à ovelhinha, ao odor da furgoneta. Tudo era suficiente para se começar a despir. Está bom de ver que aquilo descambou numa grande e confusa algazarra…sensual. O canal de televisão teve uma boa ideia. Perante a perspectiva de um ano ensombrado e negro, manda-nos com as tetas silicónicas da Liliana, rapariga que se satisfaz com qualquer coisita. A estratégia é do mais elaborado que existe. Espetam-nos uma farpa no nosso cérebro reptiliano, na nossa faceta mais abrutalhada, com uma imagem da boazona da Liliana sempre a despir as vestes, por causa do clima escaldante. Transmite-nos assim uma sensação de calor e aconchego, perante um panorama gélido e sem grande piada. A imagem das mamocas felizes da Liliana, leva-nos a encarar as agruras do dia-a-dia com outro optimismo. Basta para isso um exercício de alguma imaginação. Ao ouvirmos o discurso do Presidente no primeiro dia do ano, apelando à nossa (infindável) paciência perante as (infindáveis) adversidades, ao invés de desenvolvermos alguma repulsa por aquele frouxo timoneiro que não faz nada para salvar o barco, bastará pensarmos que a doce Liliana descobriria na voz do Cavaco qualquer coisa de sensual. Se começarmos a ficar com azia sempre que Sócrates liberta mais uma das suas baboseiras, teremos de imaginar o que a Liliana poderia dizer: “então este não foi considerado um dos governante mais sensuais da Europa?...até as patranhas têm algo de estimulante!”. A Liliana funciona assim como o nosso anjinho; a voz positivista da consciência, apenas com uns seios maiores. Quando começarmos a fazer contas; a ver o fim do mês cada vez mais longe, porque o tipo da voz sensual nos pediu para ter paciência, e o outro da mentira estimulante nos entesa cada vez mais, basta pensar na angélica Liliana a sussurrar-nos delicadamente ao ouvido “meu doce, esquece as contas para pagar, pensa que com pouca roupinha se cria outro clima de sensualidade...”. Pensarmos no aumento de 20% do desemprego, nada que a Liliana não resolva com um “é da maneira que têm todo o tempo para rebolarem ali nos fenos ou na caixa aberta da furgoneta, com toda a sensualidade e sem pensar em acordar cedo para pegar no trabalho”. A onda de assaltos violentos? A Liliana tem a solução “Às vezes a violência é tão estimulante! Um homem de capuz a entrar numa casa aos berros é tão sensual!...eu,…eu,.. batia-lhe logo com o chicote e amarrava-o à cabeceira da cama!” . O estado da educação em Portugal, dos miúdos que brincam apontando armas de plástico à cabeça das professoras,… “era disso que eu me tinha esquecido. O capuz, o chicote e… a pistola. Só depois o amarrava à cabeceira. É tão sensual um homem apontando a pistola. E então quando grita: ou me dás positiva ou disparo! é do mais afrodisíaco que pode haver…”.&lt;br /&gt;Será desta forma, acompanhado pela imagem da positiva, despreocupada e sensível Liliana, que tentarei superar os espinhos mais dolorosos do novo ano. Ela facultou-me a lição de que até os seres mais abjectos poderão esconder qualquer tipo de sensualidade, bastando fazer um pequeno esforço para o descobrir. Quem sabe se a breve trecho, consiga vislumbrar na assembleia da república, uma espécie de quinta da playboy, onde até as moscas das vaquinhas exalam sensualidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-4017160629327933886?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/4017160629327933886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=4017160629327933886' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4017160629327933886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4017160629327933886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2009/01/os-seios-da-liliana.html' title='A Liliana resolve'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SWFCNSm-kvI/AAAAAAAAAzI/OOgFzZHcNU0/s72-c/9ap1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-2753144982229491080</id><published>2008-11-25T14:09:00.000-08:00</published><updated>2008-11-25T14:12:11.535-08:00</updated><title type='text'>A arte do Simulacro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SSx31RVASKI/AAAAAAAAAi4/-gRBcONgem4/s1600-h/235.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272721020812282018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 235px; CURSOR: hand; HEIGHT: 193px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SSx31RVASKI/AAAAAAAAAi4/-gRBcONgem4/s320/235.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A catástrofe assolou o país durante dois dias. Caiu um viaduto, incendiou-se um posto de combustível, desabaram dezenas de casas, explodiu uma fábrica, descarrilou um comboio, soterrou-se uma escola, despenharam-se carros, deram-se fugas de gás e rupturas de condutas de água, pessoas feridas no chão, rostos de sofrimento,…Corta!!! Já chega!...Terminou o simulacro! … Um simulacro, pá? E vem a malta aqui a esta hora, ao frio, convencidos que o sangue era mesmo a sério, mas afinal é tudo a fingir!? Indignam-se os curiosos que assistem incrédulos às operações de salvamento. Mas o espectáculo foi em grande; rivalizava com qualquer filme de Ridley Scott. Bombeiros, helicópteros, forças militares, ambulâncias, polícias e tudo para salvar malta que… não precisava de ser salva. Falava alguém sobre a importância dos simulacros, para estudar as lacunas da protecção civil em caso de emergência. “Para se perceber como agir em situações reais é necessário fazer simulações, criar situações a fingir…” , “A fingir o catano! Atão e a minha horta? Quem me paga os estragos nos tomateiros?” gritava a dona Idalina depois dos solícitos soldados da marinha lhe terem partido a porta de casa e pisado as hortaliças, para conseguirem chegar ao cenário de derrocada…a fingir. Parece que os rapazes levaram mesmo aquilo à séria e vai disto ó Evaristo, pensando que a idosa era também figurante daquele filme. “Em vez de andarem a pisar tomates, vão mas é apanhar os traficantes de droga na costa vicentina!”, parecia querer dizer a dona Idalina.&lt;br /&gt;Mas de resto a coisa até correu benzito. As pessoas estavam calmas, os polícias estavam calmos, os bombeiros estavam tão calmos que parece que demoraram algum tempo a chegar. Aliás, uma das grandes conclusões do simulacro, foi a grave lacuna associada ao tempo excessivo que os mortos demorariam a chegar ao instituto de medicina legal. Um aspecto verdadeiramente importante, até porque as dezenas de mortos estavam vivos e cheios de frio.&lt;br /&gt;O simulacro representou também uma experiência extraordinária para toda a ladroagem que existia em Lisboa e arredores. É que grande parte das forças de segurança estava distraída a resolver problemas a fingir. “Ó Jota, já sabes, quando a chota for ali ajudar os bombeiros na derrocada do viaduto em Alcântara-Mar, tu atacas na ourivesaria do Lumiar!”…”E se ouvires sirenes, não te preocupes que são os gajos a levar mortos a fingir…”&lt;br /&gt;Gosto muito de ver espectáculos megalómanos de muita luz e acção. E apreciei de sobremaneira toda esta encenação, até porque a conjugação de várias sonoridades de sirenes, do ruído das hélices e todo o colorido das fardas, deixou no ar uma imagem arrebatadora de estoicismo. Só não percebi bem a parte do simulacro. Sinceramente, acho que gastar dinheiro a simular catástrofes, quando o país se encontra mergulhado numa tão grande, seria escusado. Com assaltos a bancos quase todos os dias; acidentes de viação hora a hora; assassinatos várias vezes ao dia; tráfico de droga e de armas em barda; pedófilos a atacar crianças que ninguém quer conhecer; bancários a roubar à bruta; políticos amigos de bancários que roubam à bruta. Então para quê o simulacro? Por causa dos sismos. Têm razão. Para a coisa parecer mais negra, só falta mesmo a terra tremer e abrir brechas, para nós cairmos definitivamente no buraco, embora eu pense que num sismo a sério a malta vai toda sair a correr para todo o lado, se possível para longe das sirenes.&lt;br /&gt;Mas se a catástrofe grassa no nosso quotidiano, então e o simulacro? Não existe uma especialidade em mentir à descarada? A grande novidade reside no facto de habitualmente se usarem simulacros para se esconderem as catástrofes. Aliás, o nosso Primeiro ministro é um mestre na arte de bem simular. Simula licenciaturas, simula empregos, simula competência, simula riqueza, simula ordem, simula julgamentos, simula educação e tudo com muita calma, com muito descaramento. E, se lhe perguntarem como resolveria o transporte dos mortos, diria logo que ninguém morreria, mas no caso (remoto) de isso acontecer, os corpos chegariam à morgue em segundos e, ele próprio, patrocinava funerais com belas coroas de flores para todos.&lt;br /&gt;A grande vantagem de termos à frente do país um tipo especialista no simulacro é que, no caso de surgir um terramoto a sério, ele conseguirá como ninguém, iludir o pessoal de que aquilo, quanto muito, será o resultado de uma má digestão de um qualquer elefante perdido na mata de Monsanto. É caso para Recuperar as palavras de Pinheiro de Azevedo, primeiro-ministro em 75, depois de um quantos petardos lançados num terreiro do Paço a abarrotar de manifestantes em pânico, ele gritava: “O povo é sereno! o povo é sereno!...isto é só fumaça!...”. A essas palavras só faltaria acrescentar: “E já agora tenham cuidado para não pisar a horta da dona Idalina!...” &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-2753144982229491080?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/2753144982229491080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=2753144982229491080' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2753144982229491080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2753144982229491080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/11/arte-do-simulacro.html' title='A arte do Simulacro'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SSx31RVASKI/AAAAAAAAAi4/-gRBcONgem4/s72-c/235.gif' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-7021200485670979815</id><published>2008-11-21T02:05:00.000-08:00</published><updated>2008-11-21T10:51:42.755-08:00</updated><title type='text'>Interpretações  Galináceas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SSaJJqM0S6I/AAAAAAAAAiw/bp-ry2U9Ncw/s1600-h/2588226273_e1f8d9f925.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271051212923620258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 244px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SSaJJqM0S6I/AAAAAAAAAiw/bp-ry2U9Ncw/s320/2588226273_e1f8d9f925.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Já não escrevia há algum tempo. Estive a passar por um período de recolhimento forçado resultante da avalanche de fenómenos paranormais que vão surgindo e a minha capacidade de filtragem ser extremamente limitada. Precisava de tempo para conseguir fazer a minha interpretação dos factos. Estava eu aqui no meu canto, a interpretar sossegadinho, e dou comigo a chocar com a própria da interpretação(?). E esse meu encontro com a “interpretação”, foi para mim um momento feliz; ao nível de um encontro da minha dentição com um prato de favas estufadas. Procurava algo que me pudesse saciar o apetite, sem ter de ficar com um travo de alho colado ao hálito. A “interpretação” deu-me essa sensação de repasto bem nutrido. Descobri que não há melhor forma de acalmar os nossos fantasmas mais corrosivos do que chamar a “interpretação” ao barulho. “Aquele tipo chamou-te ca***ão?”. “Sabes, eu acho que ele me queria chamar Carlitos, mas tropeçou numa pedra da calçada e teve de transformar aquela palavra num som mais próximo de Carlão” . Existe um facto; um tipo insulta outro; O outro, num golpe de mágica, consegue transformar o insulto num elogio, e não tem de andar à chapada. É um indivíduo mais feliz. Esta é a génese da verdadeira interpretação. Perante um facto, cada um o interpreta como quiser. Assim, se existem uns que conseguem pintar o facto de cor-de-rosa suave e apelativo, outros há que, assombrados pela interpretação negativista, começam logo a imaginar que a seguir daquele palavrão o tipo vai puxar das matracas escondidas debaixo do casaco de cabedal e desatar à matracada. Existe no entanto uma interpretação que sempre me pareceu difícil de fazer, talvez baseada na minha ignorância: a interpretação da lei. Sempre pensei que a lei fosse,…lei. Desprovida de equívocos; de subterfúgios; de mais ou menos; de …interpretações. Isto vem a propósito das declarações da ministra da educação que ouvi, entre duas músicas da rádio comercial. (A rádio comercial também tem as suas fragilidades e fracas interpretações)…Então dizia a senhora, que houve uma falha na interpretação da lei…?...Qual lei?...a do estatuto do aluno, que diz no artigo 22 da lei nº 3/2008 , que os alunos que atinjam o limite de faltas, qualquer que seja a sua natureza, terão de fazer uma prova de recuperação na disciplina em causa. “As escolas interpretaram mal lei!”, vociferou sem qualquer tipo de pudor. A interpretação é um dos melhores bodes expiatórios que existem, no fundo, materializada com a velha máxima “vocês é que perceberam mal!”. E eu de facto percebi tudo mal. Percebi mal que fosse preciso um instantâneo e lamentável desperdício de ovos contra o vidro duma limusina, para a lei ser transformada numa espécie de “assim-assim”. Se eu fosse galinha poedeira também teria percebido mal como a trabalheira e a força produzida de rabo voltado para a palha, pudesse ser estragada de forma tão leviana. Também percebi mal o poder que 3 simples omoletas espalmadas num vidro podem ter, quando comparadas com 120 mil professores na rua, que reivindicam a mudança de uma lei que não conseguem entender, nem com muito contorcionismo interpretativo. Deixo aqui a interpretação que faço em relação à importância que as galinhas poedeiras operam na interpretação da lei. Galinhas ao poder, já!...Pensando no panorama político actual,….ao menos tínhamos ovos à fartazana e não era só a gasolina que aumentava; o colesterol também ia por ali acima. E as galinhas tiveram também o dom de me fazer lembrar a excitação do Primeiro Ministro que, de olhos esbugalhados, cacarejava do seu poleiro, que Portugal iria ser em breve um país em que todos teriam acesso…imaginem….vá lá são capazes!....a emprego?....nã!...a bons serviços de saúde?...nãaã!...a salários mais aceitáveis?....nããã!?.... a navegar na Internet a 100 megabytes em todo o lado! Extraordinário! De entre as interpretações possíveis destas palavras, as mais lúcidas andariam na casa do “pirou de vez” ou “depois do Chavez lhe estragar o Magalhães ficou assim aparvalhado” ou então “não há maneira de ficar perdido de uma vez por todas no lago de Maracaibo durante uma prospecção de petróleo?”.&lt;br /&gt;Estava eu aqui a vaguear pela complexidade dos múltiplos processos interpretativos e lembrei-me do Jorge Palma e daquele lamentável concerto que assisti há pouco tempo. O tipo entrou cambaleante no palco e arrotou uma série de baboseiras antes de começar a amarfanhar as canções. E a sua interpretação não poderia ser mais desconcertante, ou direi antes des…governada? Diziam os jornais, que ele estava em estado ébrio, que é uma maneira delicada de dizer que estava bêbado que nem um cacho. Mas, apesar da revolta que eu senti, por ter pago um bilhete para ver um tipo embriagado no palco, nunca em nenhum momento, o ouvi dizer que nós é que tínhamos interpretado mal o que ele estava a tocar. É que o tipo é bêbado mas ainda preserva alguma decência e capacidade de assumir que ele é que conseguia destruir o que tinha produzido. E verdade seja dita, que as suas canções foram bem criadas. E este tipo bêbado, poderia muito bem explicar aos nossos governantes que, pior do que serem incapazes de produzir trabalhos decentes, é acusarem-nos de os percebermos mal. “Shiu pá! Vai mas é beber um vodka e deixa-nos aqui mandar essa da “interpretação” dúbia, a ver se cola!”&lt;br /&gt;Uma palavra final para as galinhas poedeiras, no sentido de ficarem descansadas porque, da minha parte, os vossos ovos serão sempre comidos no prato depois de terem passado pela frigideira e polvilhados com sal, alho e orégãos. Está visto que não me consigo livrar do mau hálito… &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-7021200485670979815?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/7021200485670979815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=7021200485670979815' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7021200485670979815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7021200485670979815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/11/interpretaes-e-galinceos.html' title='Interpretações  Galináceas'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SSaJJqM0S6I/AAAAAAAAAiw/bp-ry2U9Ncw/s72-c/2588226273_e1f8d9f925.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-5527764211960948373</id><published>2008-10-24T11:47:00.000-07:00</published><updated>2008-10-24T11:48:25.353-07:00</updated><title type='text'>O Bang-bang do Senhor Armando</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;            Há pessoas que nos marcam. E há clichés que nunca pensaríamos usar de forma pública, mas que, por transmitirem tão bem o que sentimos, têm forçosamente de ser utilizados sem qualquer inibição e em escrita bem vincada: Há pessoas que nos marcam!...O senhor Armando é uma dessas pessoas.  Para a maioria dos leitores o senhor Armando será alguém desconhecido; para mim não, nem para todos os que, o desconhecendo, o conheciam.  O Senhor Armando foi levado por uma daquelas doenças fulminantes, que nos levam  as coisas boas com a crueldade de não nos prepararem primeiro. Podiam-nos  ter avisado antes, de forma calma e sem dramas;  afagarem-nos o cabelo e dizerem entre dentes “olha, prepara-te,…que esta pessoa terá de partir daqui a pouco.”, e seguidamente, encher-nos a imaginação de imagens idílicas da morte, como aquela da estrela no céu representando a alma da perda. E porque escrevo esta crónica? Eu tinha jurado nunca escrever sobre alguém a título póstumo. Não valeria a pena; o visado não iria ler.  Escrevo, simplesmente porque muita gente não conhecia o senhor Armando e deveria ter conhecido, mesmo desconhecendo.   Todos os dias quando ia buscar a minha filha à escola, esbarrava no seu incondicional sorriso e um vigoroso aperto de mão de quem nunca se queixa da vida.   E aquele encontro sempre me parecia fugaz; ocasional; a correr, para meter as mãos na miúda e ir embora. Mas sempre que saía dali, levava debaixo da epiderme aquele sorriso e o calor do cumprimento. Era uma espécie de elixir contra a má disposição que muitos dias nos teima em invadir o espírito. Dizia-se que o Senhor Armando não tinha família, que vivia para o colégio. Mas como um homem assim, não pode ter família? Agora percebo. Ele conseguia fazer de todos nós a sua família. E como pode ser grande a família. Nunca fui a um petisco com o senhor Armando, nem viajei pelo Alentejo dentro do seu citroen; nunca ficámos na conversa até de madrugada, nem bebemos sequer um café juntos e é isso o mais admirável; como uma pessoa que nos toca por tão breves momentos, nos pode deixar uma marca tão grande.  De facto, não o conhecia, mas passou-me tudo o que pretendia passar: a simpatia e a positividade perante as agruras do dia-a-dia. &lt;br /&gt;Ouvi hoje alguém dizer  “que morreu um senhor que era  funcionário do colégio”. O senhor chamava-se Armando e era muito mais do que um funcionário; era parte do colégio. Os cachopos adoravam-no porque ele era licenciado em pedagogia da mais elaborada. Jogava à bola com eles, tocava viola para eles, abraçava-se a eles, contava-lhes histórias e ralhava com eles quando era preciso. Era um professor sem canudo mas cheio de canudo para a coisa.&lt;br /&gt;Estou a escrever esta crónica numa espécie de limbo. Estou triste, mas não  posso estar triste, porque o senhor Armando ficaria triste se me visse triste.  Tenho assim de fingir que escrevo com alegria, neste momento de enorme tristeza. Ouviu senhor Armando! Eu não estou triste!...estou só a matutar aqui com os meus botões sobre a sua arte de nos animar, de nos tornar pessoas melhores!  Hoje tive de explicar ao meu miúdo que já não valia a pena sair do carro a correr para conseguir apanhar o senhor com a sua arma imaginária, antes de ser surpreendido por um Bang-bang seu!  Para tornar a coisa mais leve, também tive de lhe passar aquela história de que o senhor agora é uma estrela no céu,  à qual poderemos acenar sempre que nos sentirmos tristes. &lt;br /&gt;            Pelo sim, pelo não, quando acabar de escrever esta crónica, vou ali fora à procura da sua estrela. Vou acenar-lhe, vou  dizer-lhe obrigado  e depois, vou espetar o dedo indicador na sua direcção e libertar um sonoro Bang-bang, seguido de uma bela gargalhada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-5527764211960948373?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/5527764211960948373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=5527764211960948373' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5527764211960948373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5527764211960948373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/10/o-bang-bang-do-senhor-armando.html' title='O Bang-bang do Senhor Armando'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-4456951786197241136</id><published>2008-10-07T07:07:00.000-07:00</published><updated>2008-10-07T07:12:41.049-07:00</updated><title type='text'>O fintinhas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estou aqui a tentar tratar os dados de um inquérito que tive que realizar junto dos meus alunos. Já passou uma hora e ainda não passei da resposta número três. Vagueava entre as inúmeras respostas sobre o que o aluno costuma comer ao pequeno almoço; se gosta mais de grelhados, cozidos ou fritos, se se acha alegre, triste, agressivo ou preguiçoso; se sai com os amigos ou se joga consola e veio-me à memória o “Frasco”. O Frasco? Eu sei , também me lembrei do frasco de cianeto, como a forma mais rápida de resolver os meus problemas de professor afogado em papelada inútil, mas em primeiro lugar lembrei-me do outro Frasco, o jogador do FCP da época de  80, com o seu bigode farfalhudo e as pernas arqueadas, fintando tudo o que havia para fintar. Ninguém tirava a bola ao homem. Para o Frasco nenhuma finta era demais. Quantos mais jogadores ele driblasse, melhor se sentia. A baliza para ele representava um mero adorno perdido na sua arte de trocar as voltas aos adversários. Basicamente o que faltava ao Frasco era objectividade. Fintava um adversário, estava em frente à baliza e tinha de arranjar mais alguém para passar a bola entre as pernas, porque só assim satisfazia o seu ego de fintinhas inveterado. “Remata agora Frasco!” e o Frasco respondia “Epá deixa-me só ir ali fazer mais uma cueca àquele matulão do holandês, que depois eu remato…”.   Tenho a sensação, que o grande drama do Frasco seria não o deixarem fintar todos os jogadores e espectadores antes de chutar à baliza. E aqui continuo eu de volta dos inquéritos, na fase dos programas preferidos dos alunos, a passar para a música preferida dos alunos, para os filmes preferidos dos alunos. Depois é só converter isto em percentagem e já está quase,….  Mas eu sou professor ou aspiro a integrar os quadros do Instituto Nacional de Estatística?  Atenção que estes dados são fundamentais para a elaboração do PDC que é parecido com o PCT e estão ambos dependentes do PCE, que por sua vez está em estreita ligação com o PA. Para todos os que não são professores, não se preocupem, porque só os professores é que irão usufruir desta fabulosa multiplicidade de inter-relações em código secreto. Afinal todas as siglas começam por um P, representando sempre um plano ou um projecto; até é fácil de completar. Então e as aulas?...Calma aí que ainda falta colocar o PEI  e o RI…o RI? Assim já me estás a baralhar as voltas,…então e o P? Se quiseres, podemos sempre pôr um P antes do RI e sempre lembrará uma apitadela de um árbitro…Priiii! Então e as aulas? …Aguenta aí que estamos a ver se conseguimos encontrar mais algum Planozeco que é para a gente encher bem os dossiers da avaliação.  Então e as aulas, Porra? Vês? criaste mais uma sigla começada por P, só não sei o que é o ORRA? Perguntavas tu, das aulas? Há-de arranjar-se aqui um espaço entre a elaboração do PDC, do PCT e das Diagnoses, para preparares as tuas aulitas. Eu quero dar aulas! Deixem-me dar aulas! Aulas! Passem-me o Cianeto!...Eu não quero o outro Frasco, o das fintinhas! Estou farto de fintinhas, eu quero é meter a chicha dentro da baliza! Estou farto de driblar PDCs , PCTs e grelhas de avaliação com muita coluna! Mas há sempre um raio de um Frasco para nos acrescentar mais algum parâmetro para colocarmos em mais alguma coluna!? Ou me deixam dar aulas ou me dão o Cianeto!  Toda a malta de fora, estará radiante por finalmente os professores irem ser avaliados à séria. A dar aulas?...Não! A fazer fintinhas. De facto, os professores irão ser avaliados nos mesmos moldes de um trabalhador da Soporcel, ou seja, na produção de muita pasta de papel.  “Epá mas a fintinha é útil, adorna muito bem a coisa! Dá outra espectacularidade ao jogo!”  “Útil é marcar golo, seu, seu,…Frasco de meia tijela!”.  Continuo de volta dos inquéritos e cheguei à parte em que os alunos expressam a sua opinião do que representa ser um bom professor. Em termos de percentagem  dará que cerca de 98% considera um bom professor como alguém que estabelece uma boa relação pedagógica com os alunos; alguém exigente e explícito. E as fintas? Ninguém perguntou aos miúdos se não gostavam de fintas? Talvez aqueles 2%? Não?...&lt;br /&gt; Daqui a aproximadamente 4 horas, depois de acabar o tratamento dos dados, irei concentrar-me na elaboração do PDC para poder estabelecer as minhas metas enquanto professor de sucesso. E todas as metas terão de ser quantificáveis, tal qual como na mercearia do Senhor Fonseca. Uns quilos de alunos com positivas,  somando aos quilos dos dossiers com papelada, obtém-se a subida percentual e paralela da avaliação do professor, isto sem chegar ao Muito Bom ou Excelente que é só para alguns. Então e as aulas? As aulas, essas, se calhar aparecerão como prioridade, quando surgir o PEF: o Plano da Erradicação dos Fintinhas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-4456951786197241136?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/4456951786197241136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=4456951786197241136' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4456951786197241136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4456951786197241136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/10/o-fintinhas.html' title='O fintinhas'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-5019768446055313034</id><published>2008-09-28T02:28:00.000-07:00</published><updated>2008-09-28T02:32:54.669-07:00</updated><title type='text'>O Pombo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SN9PK7mPFwI/AAAAAAAAAio/1qKnYfrPoSs/s1600-h/4962c1ffbd.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5251002739752638210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SN9PK7mPFwI/AAAAAAAAAio/1qKnYfrPoSs/s320/4962c1ffbd.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um pombo cagou-me no ombro. Eu sei que é uma forma um pouco rude para começar uma crónica, mas na verdade estou a ser delicado, atendendo à reacção que tive quando ouvi o som parecido com o lançamento de um ovo espalmado em cima da minha camisola nova. Poderia romancear a coisa, com uma descrição do género “o voo de uma bela pomba sobre os beirados, em perfeita harmonia com a natureza…”, desculpem mas não consigo pensar em harmonia, depois de ver o meu algodão conspurcado com uma cagadela esverdeada. Olhei para cima, para poder insultar olhos nos olhos a ave, mas já tinha dado à asa; um caso claro de defecação e fuga. Depois de limpar os resquícios da digestão do pombo, comecei a desculpabilizá-lo. Achei logo que seria um borracho em plena actividade lúdica. Penso mesmo que, se eu próprio fosse pombo, me divertiria a bombardear as carecas daqueles seres que não me davam nem uma migalhita. No fundo, uma versão columbófila da traquinice humana do toque às campainhas e fuga. E nós também temos uma arma fantástica para atenuar a nossa revolta. Depois de limpar o dejecto, a minha irmã lançou-me o desafio: “Olha que isso pode ser sinal de sorte! Vamos mas é fazer o euromilhões!”. E lá fomos todos contentes com a certeza de que a cagada nos iria presentear com um generoso reforço da conta bancária. As superstições operam maravilhas; conseguem transformar trampa em esperança. Um tipo entorna vinho na mesa e põe-se logo a tocar com dedo molhado atrás da orelha porque dá sorte…?..., até pode ser, mas têm que explicar com jeitinho à pessoa que vai limpar a nódoa da toalha. Se um indivíduo apanhar com uma ferradura na cabeça, além do hematoma, é sinal de muita sorte, porque poderia partir a cabeça(?)…e só fez um galo. Este atenuar da desgraça com a benfeitoria dá algum jeito. Como a história de que muita cera nos ouvidos é sinal de riqueza,…hã?...diga?…não o estou a ouvir! De facto, com tanta barbaridade que a malta vai ouvindo, só com cera a obstruir a audição, se terá a sorte de ficar na ignorância. O que me custa mais a perceber são as superstições do azar. Aquela do gato preto que se atravessa no caminho, é um claro sinal de discriminação pelo tom do pêlo. A curpa é sempre dos preto pá? De facto, já um pobre de um gato preto, não pode procurar gatas com o cio, que está sempre a receber insultos racistas. E o azar que se tem quando se mata uma aranha em casa? No meu caso, o azar que dá matar aranhas em casa, é sempre compensado com o facto de não ter de tropeçar nas suas teias por todo o lado. Olha ainda agora fiquei com mais um bocadinho de azar, aqui agarrado à meia do pé esquerdo. A superstição de que dinheiro em cima da mesa dá azar, só poderá vir de uma mente etérea, que pensa sempre no lado da espiritualidade para explicar a matéria. Imagina que os alimentos nos caem do céu, trazidos por cegonhas do Quénia e os livros da escola dos miúdos são oferecidos pelo filantropo editor. Ter dinheiro em cima da mesa, é bom sinal: é sinal que se tem dinheiro e mesa.&lt;br /&gt;Bom, mas tudo isto começou com a cagadela do pombo no meu ombro. Andei toda a semana a dizer bem do pombo, que me iria permitir ajudar um monte de malta com a massa do euromilhões e, no dia do sorteio,…nem uma cruzinha,…nem uma estrelinha. Raio do pombo! Apetecia-me subir ao beirado e defecar-lhe em cima da penugem nova, que é para ele ver como é bom p’rá tosse. Epá não podes ser assim tão rancoroso com o pombo, coitado do bicho! A minha indignação, nem é tanto com o pombo, é mais com a superstição associada à cagadela do pombo. Eu até já tinha limpo os dejectos e tudo. O mal foi acreditar que a bosta traz sorte. A minha sorte foi perceber que também existem contradições nas superstições. De uma leitura mais apurada das várias crenças populares, surge aquela que me deixa um pouco mais aliviado mas também baralhado: “Criar Pombos dá azar”. Ora aí está, alguém inteligente. Mas, se criar pombos dá azar, como é que uma cagada de pombo dá sorte? Esta superstição anti-columbófila só pode ter sido criada por alguém que como eu, viu a sua camisola nova conspurcada pelo bomba viscosa mandada lá de cima do beirado. Pelo contrário, a superstição pró-laxante, foi decerto criada pelos próprios pombos, como protesto contra o tipo que não dá migalhinhas e que deve ser o mesmo da camisola conspurcada. Estava eu aqui no jogo supersticioso do gato e do rato, quando percebi que ambas as superstições não têm grande relevância. Na verdade o pombo é um excelente animal; até consegue encontrar o caminho de casa quando o abandonam a milhares de quilómetros. Teria sim relevância se alguém se lembrasse de, inspirado nestas duas superstições aparentemente antagónicas, criar uma em que todos acreditássemos: “Se um dos nossos governantes se atravessar à tua frente é sinal de que irás ter azar nos próximos anos”. É que, à semelhança dos pombos nos beirados, não haverá ser que consiga defecar com tanta perfeição na cabeça dos seus cidadãos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-5019768446055313034?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/5019768446055313034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=5019768446055313034' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5019768446055313034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5019768446055313034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/09/o-pombo.html' title='O Pombo'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SN9PK7mPFwI/AAAAAAAAAio/1qKnYfrPoSs/s72-c/4962c1ffbd.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-3424300425911979589</id><published>2008-09-21T09:10:00.001-07:00</published><updated>2008-09-21T09:12:33.575-07:00</updated><title type='text'>O estreito de Magalhães</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SNZyZHX8NUI/AAAAAAAAAiY/W20slY3-l8c/s1600-h/260px-Ferdinand_Magellan.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5248508191548650818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SNZyZHX8NUI/AAAAAAAAAiY/W20slY3-l8c/s320/260px-Ferdinand_Magellan.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;“O Magalhães chegou às escolas” Assim de repente, quando ouvi a notícia, fiquei admirado e um pouco emocionado, afinal não era todos os dias que assistiríamos ao renascer do nosso mais corajoso navegador português. Depois fiquei confuso quando completaram com um “agora até os mais pequenos só têm de clicar nas teclas…”. Mas que raio tem o “clicar nas teclas” a ver com Magalhães, conhecido pela arte no manuseamento do leme das suas Naus? Será que o inventor do computador para crianças se lembrou mesmo de Fernão de Magalhães, ou apenas o teria feito em honra de um amigo, um tal de António Magalhães, dono da mercearia, e grande percursor da troca do lápis atrás da orelha, pelo clicar na máquina registadora? Eu inclino-me mais para esta tese, até porque, se o herói Magalhães desconfiasse que deram o seu nome a um objecto de plástico com botões, fabricado nos Estados Unidos, iria ficar um pouco aborrecido. Mas o computador cria nas crianças desde muito cedo a habilidade de navegar e descobrir um mundo sem limites. Pronto, está explicado. O computador representa para a criança de 6 anos, o fast-food da navegação. O lema será: “Navega com facilidade, trabalha sem dificuldade”. É isso que se pretende, facilitar a vida do petiz. A máquina evita que tenha muito trabalho a escrever ou a procurar informação; basta navegar com o cursor, que a coisa fluirá sem problemas. Parece pois, que a navegação é o denominador comum entre o Magalhães e Magalhães. A grande diferença está na trabalheira que o genuíno (o Fernão) teve para descobrir o raio do Estreito que fazia a ligação entre dois continentes. Agora é ver um monte de Magalhãezinhos a navegarem até à Patagónia chilena, apenas com um clique , troçando das longas semanas que o outro Magalhães passou, a tentar sair daquele labirinto gelado e descobrir uma passagem que ninguém sonhava existir. O feito do nosso verdadeiro navegador, nada tem de instantâneo, revela uma perseverança e astúcia, que não se coadunam com um simples clicar no botão do lado esquerdo do rato. E ali está ele, Fernão Magalhães, em frente do tal Oceano, que haveria de chamar de Pacífico, pronto para se lançar à descoberta…Pssst,…Ó Magalhães!...Magalhãaaaees!...sou eu, o Xavier do 2º ano turma B! …Olha Magalhães, se queres descobrir as Molucas, basta colocares aqui em cima na janela do Google, o nome “Molucas” e elas aparecem num instantinho, com mapas e tudo pá! É que isso de te mandares à maluca dá uma trabalheira p’ra chegares à Moluca! Eh, eh, gostastes do trocadilho intelectual que acabei de fazer pá? Mas como Magalhães não sabia o que era o Google, lá foi ele, atravessar o Pacífico durante três meses,… com comida para duas semanas. O Xavier do 2º ano, que sabe procurar no motor de busca, nem sonha o que será ter de comer o couro das amarras ou os ratos do convés para sobreviver ao desafio da descoberta de um novo oceano.; Para a Beatriz do 4º ano é simples navegar, sem ferir as mãos a caçar a vela ou sentir os lábios gretados pela desidratação; para o Jaime do 3º ano é óbvio identificar a Micronésia sem lhe conhecer o cheiro. Para Fernão de Magalhães nada era fácil ou óbvio. Para se ser empreendedor tinha de se suar estopinhas. Magalhães descobriu que a terra era redonda porque levantou a bunda do sofá e foi à luta. Pssst, pssst,….ó Magalhães, sou eu outra vez, o Xavier do 2º ano. Essa coisa da luta é careta; agora é mais wrestling e moches pá! E para mais, eu descobri que a terra era redonda, sem ter de deixar a minha cadeirinha ergonómica a amparar-me o nadegueiro. Bastou ir ao globo tridimensional do Google Earth, e não custou nadinha.&lt;br /&gt;Continuo sem conseguir explicar tão absurda colagem do nome do herói Magalhães a um negócio de bytes-milhões, encoberto por hipotéticos benefícios educacionais. Não quero sequer imaginar que tal associação se possa dever à forma como o navegador morreu na Indonésia, às mãos do cacique Lapu-Lapu. Acredita-se que Fernão de Magalhães cometeu um suicídio; foi ao encontro de uma morte voluntária. O meu temor é que o computador Magalhães, represente também ele o Harakiri do próprio ensino; a facada final na memória que temos de um Homem com as proeminências no sítio certo, dizendo à sua tripulação que aquela era uma aventura pela qual valeria a pena arriscar a vida. Pssst,….pssst, ouve lá ó cronista de meia tijela, aqui o Xavier do 2º ano, não percebeu o que é que tem o Harakiri a ver com o tal do Magalhães??? Diz aqui na wikkipédia que isso era uma coisa dos Samurais…?...onde é que o Magalhães é p’rá qui chamado pá?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-3424300425911979589?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/3424300425911979589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=3424300425911979589' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3424300425911979589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3424300425911979589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/09/o-estreito-de-magalhes.html' title='O estreito de Magalhães'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SNZyZHX8NUI/AAAAAAAAAiY/W20slY3-l8c/s72-c/260px-Ferdinand_Magellan.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-429215673557903606</id><published>2008-08-23T03:30:00.000-07:00</published><updated>2008-08-23T03:32:28.914-07:00</updated><title type='text'>Campismo em quadrupedia</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SK_nHMUFiTI/AAAAAAAAAiA/I76O9iEjyLw/s1600-h/gd-asset_11728289.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237659002405751090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SK_nHMUFiTI/AAAAAAAAAiA/I76O9iEjyLw/s320/gd-asset_11728289.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Imbuído de uma enorme nostalgia, dos meus tempos de campista adolescente, da tenda canadiada e do fogão camping gás onde fazia umas arrozadas de salsichas, pensei como seria agradável, partilhar estas minhas remotas vivências campistas com os meus filhotes. Chegámos ao parque de campismo e disseram-nos que apenas existia um espaço para o nosso iglo, ali entre duas tendas familiares. Á medida que a estrutura da nossa tenda de 4 lugares ganha forma, percebemos que o fabricante era definitivamente chinês, uma vez que aquele espaço daria quanto muito para albergar 4 chinezinhos ou uma família de porquinhos da índia. No momento de espetar as espias naquele solo empedernido, falta-nos o que falta sempre ao aspirante de campista: o martelo. Vamos à procura de pedras para bater na espia e encontramos sempre uma que magoa a mão e é pouco eficaz na hora de espetar o ferro no betão. Quando entortamos a quarta espia e partimos a terceira pedra, olhamos para o lado e deparamo-nos com o personagem que dá cabo do nosso ego de campista esporádico. Ali está ele, o campista residente, com um olhar de desdém pelo nosso empenhado esforço no sentido de conseguir cravar as espias. E não há nada mais humilhante do que, depois de nos ver ali algum tempo a de gladiar entre a espia, o calhau e o cordel, nos dizer se precisamos de uma ajuda abalizada. Declinamos de forma educada e continuamos, com alguma dignidade, a nossa luta para deixar a coisa apresentável. O campista residente retira-se para o seu luxuoso abrigo: Uma tenda de fazer inveja ao Sultão do Dubai; com todo o conforto eléctrico de qualquer casa, parabólica e micro-ondas incluídos, o mosaico incrustado no chão, cadeiras de encosto em frente da televisão e sebes bem regadas à volta do espaço.&lt;br /&gt;Nós, tínhamos aquela carapaça de cágado, onde teriam de caber 4 corpos de cágados com toda a roupa e farnel. E é na posição de cágado que temos de entrar nos aposentos e com ela destruir toda a nostalgia da adolescência. Aí percebemos esse lado pernicioso do campismo que nos obriga a um exercício de alternância constante entre o bipedismo e a quadrupedia. Vamos dar um mergulho à praia e…”Onde estão os fatos de banho dos miúdos?”pergunto, “Estão no fundo da tenda ali debaixo das calças e por cima dos casacos!”, entro a rastejar e procuro no meio do monte de roupa onde poderão estar. O monte de roupa cai em cima dos sacos de cama e saio a rastejar com os fatos de banho na boca. “E o protector solar?”. Rastejo novamente e novamente chafurdo naquele amontoado de peças. Saio triunfante, com o troféu 40 UV seguro na mão.&lt;br /&gt;Depois do mergulho na praia, voltamos à carapaça que, depois de ficar todo o dia ali ao sol, se transforma numa espécie de sauna em miniatura. Entramos no forno em quadrupedia para encontrar o champô e as toalhas para o duche. Chegamos ao duche e encontramos uma bicha que vai até aos urinóis. Esperamos que chegue a nossa vez e finalmente lá entramos para o retemperador duche…frio??? Melhor assim que se poupa água. Esfrega rápido o miúdo; esfrega rápido o pai, embrulha na toalha e vá de correr com cabelos ao vento até à tenda em busca do quentinho. Entramos os dois e procuramos a roupa. O monte já passou a colina; chegam as duas cágadas e instala-se um pandemónio ao nível de uma luta na lama numa discoteca em Albufeira. Conseguirmo-nos vestir ali no interior da minúscula carapaça sem dar uma cotovelada ou um pontapé no nariz de alguém, revela-se uma árdua tarefa. Rastejamos a suar para o exterior e cheiramos a arte dos nossos vizinhos residentes. Qualquer campista que se preze tem de ter um grelhador para assar os seus petiscos; Da direita vinha o fumo da bela da sardinha, da esquerda o odor do picante frango na brasa. Estávamos na confluência de cheiros, a comer a nossa lata de atum com batatas pála-pála, sentados numa manta e envoltos em fumo do petisco dos outros. Os outros, sentam-se à mesa e exibem entre os dedos e os dentes, as iguarias das quais nós só sentimos o cheiro.&lt;br /&gt;Chegou à hora da soneca. Conseguimos encaixar os quatro muito a custo e temos de fechar as aberturas por causa das melgas. O termo-acumulador funcionou na perfeição durante o dia e agora, estava ali, em processo de compostagem, com o nariz encostado ao pano lateral da tenda e o cabelo a roçar no que resta da colina de roupa. “Que se lixem as melgas!”. Abri os orifícios e pus a cabeça de fora. Agora sim, está mais fresco. Vou finalmente dormir,…,péra lá que o vizinho está a explicar à mulher os planos para amanhã; o tipo da caravana em frente está a falar numa língua esquisita que deve ser sueco; e oiço também lá longe a rapaziada que chegou agora da nigth. No campismo é assim; o som propaga-se mais fácil, tornando difícil o descanso pleno. É agora!...depois de uma hora a ouvir toda a animação circundante, estou quase a aterrar…isso, num sono profundo,….Dlim,dlão,…dlim,dlão(?). As vaquinhas que pastam junto da vedação onde encostei a tenda, têm badalos, que badalaram a noite toda, badalando-me também o meu estado de vigília,… dlim,dlão.&lt;br /&gt;Com olheiras e picadelas de melgas arrumei as tralhas, e pisguei-me dali na manhã seguinte, pensando como a falta de material e disponibilidade adequados poderão ensombrar as nossas doces recordações. No entanto, a minha memória, está a ver se insiste na partida do campismo; de me obrigar a comprar uma tenda maior, uma mesa com banquinhos e um grelhador, mas tenho quase a certeza de que um dia, ainda me vou lembrar de um tal hotel de 5 estrelas onde passei dias muito felizes na adolescência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-429215673557903606?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/429215673557903606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=429215673557903606' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/429215673557903606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/429215673557903606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/08/campismo-em-quadrupedia.html' title='Campismo em quadrupedia'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SK_nHMUFiTI/AAAAAAAAAiA/I76O9iEjyLw/s72-c/gd-asset_11728289.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-4782170312050555422</id><published>2008-08-21T14:38:00.000-07:00</published><updated>2008-08-23T03:49:13.073-07:00</updated><title type='text'>Torcer o Nariz</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SK_rGLejpGI/AAAAAAAAAiQ/OiqH29XQ7eg/s1600-h/241092.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237663383047873634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SK_rGLejpGI/AAAAAAAAAiQ/OiqH29XQ7eg/s320/241092.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Sentei-me no sofá a ver os Jogos Olímpicos. O meu filho mais novo sentou-se ao meu lado e lançou a pergunta da ordem: “Oh pai, estás a torcer por quem?”. Eu respondi-lhe: “Pela portuguesa.”&lt;br /&gt;“E achas que ela vai ganhar?”&lt;br /&gt;“Parece-me bem que não, mas está a esforçar-se…”&lt;br /&gt;Depois de um breve silêncio, volta à carga&lt;br /&gt;“Mas porque é que ela vai em último?”&lt;br /&gt;Tinha chegado a altura da explicação pedagógica, com ênfase na relativização dos resultados mediante o amadorismo dos nossos atletas; no seu esforço, na sua superação,..&lt;br /&gt;“E as medalhas?...só os outros é que ganham medalhas?”, não desistia o cachopo&lt;br /&gt;E eu pensei… “É lá!...querem ver que tenho aqui um repórter desportivo em potência?”. De facto o tipo reproduzia de forma fiel as palavras da maioria dos jornalistas que cobrem o evento…”então e as medalhas?”. Já acho alguma piada, à cara que os tipos fazem quando, suspendendo a respiração, perguntam “È agora?”….para depois expirar com um fatídico desconsolo “…ainda não foi desta”. Também me dá um certo gozo, quando têm de soletrar amargurados, a trigésima sexta posição que o atleta português ocupou no final. Eu sei que é um pouco cruel, mas os tipos têm de aprender a não ser gulosos. Para se exigir colocar os dentes no petisco, tem de se dar o seu contributo com alguns ingredientes. De entre os campeonatos de futebol da 1º, 2º 3º e distritais, as notícias do judo, do atletismo, da vela, do badminton ao longo do ano, continuam a aparecer, apenas quando um desses atletas semi-amadores consegue a improbabilidade de ganhar uma medalha contra um qualquer Golias profissional. Bom, mas voltemos ao que interessa. Cabia-me a tarefa de explicar ao miúdo que dos 40 em competição só os três melhores ganham medalhas, e que muitos daqueles 37 que não sobem ao pódio, são também os melhores dos seus países.&lt;br /&gt;“Queres dizer que esta atleta que ficou em último é a melhor que temos em Portugal?”&lt;br /&gt;“Sim.”&lt;br /&gt;“Mas porquê?”&lt;br /&gt;Esta mania do “porquê” deixa-me irritado; a coisa poderia ter ficado muito bem com o “sim” e não se falava mais nisso. Agora com a curiosidade exagerada do petiz, ou me pirava dali com uma desculpa estapafúrdia ou teria de explicar ao miúdo que somos um país pequenino, que tem outras prioridades para investir e, outras balelas, que não lhe interessam para nada.&lt;br /&gt;Sentei-me no sofá a ver os Jogos Olímpicos. O meu filho sentou-se ao meu lado:&lt;br /&gt;“Oh pai, há portugueses em prova?”&lt;br /&gt;“Não.”&lt;br /&gt;Como já não tinha o entrave patriótico a atrapalhar, perguntou esperançoso:&lt;br /&gt;“Estás a torcer por quem?”&lt;br /&gt;“Por aquele tipo da Nova Zelândia”&lt;br /&gt;“Então eu também vou torcer por ele.”&lt;br /&gt;Deu-se a partida para a corrida.&lt;br /&gt;“Oh, pai não é ele que está a ficar para trás?”&lt;br /&gt;“Penso que sim.”…&lt;br /&gt;…“Achas que posso torcer antes por aquele americano que vai à frente?”&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-4782170312050555422?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/4782170312050555422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=4782170312050555422' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4782170312050555422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/4782170312050555422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/08/torcer-o-nariz.html' title='Torcer o Nariz'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SK_rGLejpGI/AAAAAAAAAiQ/OiqH29XQ7eg/s72-c/241092.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-5149657316718394450</id><published>2008-07-19T10:06:00.000-07:00</published><updated>2008-07-19T10:24:50.982-07:00</updated><title type='text'>Comichões</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;        Não sei quem disse que um homem só materializa a sua existência depois de plantar uma árvore, fazer um filho e escrever um livro. Depois de ter plantado algumas árvores, de ter contribuido para a produção de duas magníficas crianças, decidi compilar algumas das minhas crónicas e editar um livro de devaneios. Curiosamente, depois de me olhar várias vezes ao espelho, tentar imitar a voz de um másculo tenor ou de ter espreitado para o interior das calças, não notei grandes alterações existenciais, que corroborassem a teoria de que agora é que sou um homem a valer. Depois de pensar muito, sem grandes respostas, ...mas querem ver que é por causa do trabalho para os conseguir? Nããã... Pensando no trabalho, é curioso como esse três vértices da existência humana o têm incluido na sua génese. O trabalho para se fazer um filho é pouco (e até dá algum gozo), mas o trabalho para o criar é muito; no caso da árvore, existe um certo equilíbrio de esforço: Dá trabalho a plantar e dá trabalho depois de plantar (com as regas e as podas). No caso do livro, a relação apresenta-se algo inversa à da procriação, dando trabalho antes de editar e nenhum trabalho depois da coisa estar feita. Bom mas sem chegar a qualquer tipo de conclusão, a não ser que a existência dependerá de obras bastante mais magnânimes do que estas, aqui deixo a capa do meu livro e o seu prefácio....&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224776440051377186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_Jj59h8flGw8/SIIifXwXpCI/AAAAAAAAAh4/huLMJ4x7FKQ/s320/filhospint+001_rotation.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;       A comichão é tramada. Mas aquela era particularmente tramada. Numa comichão normal, apenas tramada, existe um misto de incómodo e de prazer; chateia quando aparece, mas depois de uma boa coçadela, transforma-se em alívio, quase sempre acompanhado por um sonoro e descomprimido ahhhhh. A  comichão que me assolava naqueles dias não tinha nada de normal. Não era despoletada pela mordidela de uma pulga, a picadela de um mosquito ou  o contacto com uma erva daninha. Não atingia uma área específica do corpo, nem mostrava sinais de abrandamento perante as minhas vigorosas coçadelas. Pus-me a pensar, pensei mais um pouco e cheguei à conclusão que a comichão aparecia quando pensava demais. Estes surtos de urticária neural surgiam sempre que a minha mente decidia vaguear pelos meandros mais intrincados das nossas vivências sociais. Depois de muito penar, lá descobri o antídoto para essa minha irritadiça comichão: a escrita. Nunca tinha escrito nada de relevante até ao dia da primeira comichão mais que tramada. Depois desse dia continuei a não escrever nada de relevante, mas aquilo aliviava o prurido. Era uma espécie de terapia anti-coceira. Foi então que, em jeito de catarse, me pus a escrever umas coisas, sobre coisas que me causavam comichão. E é a magnitude da comichão que decide o tipo de escrita.  Se o agente alergénio  for de grande porte, a puxar para a sarna, a escrita descamba numa expressão rude de sentimentos do tipo antibiótico de largo espectro. No caso da ténue comichão, do tipo cóceguinha atrás  da orelha, basta uma suave escrita “aspirina” para que os sintomas rapidamente se dissipem.&lt;br /&gt;Quando pensei que os meus rudimentares escritos ficassem perdidos algures entre a escrivaninha e  os gatafunhos infantis dos meus filhos, alguém leu um desses desabafos e pediu-me para os editar no Jornal Torrejano. E foi assim que dei em cronista. Podia ter dado em coisas piores . Eu acho que depois da minha segunda crónica, já o João Lopes tinha ficado arrependido de me ter endereçado o convite, mas nunca teve coragem de me dizer: “Desculpa lá, mas os teus gatafunhos ficam bem é no meio dos gatafunhos dos teus filhos!”. Então, essa pedra no sapato do JT foi-se mantendo por  nove longos anos, durante os quais fui descobrindo o efeito secundário em alguns dos escassos leitores das minhas crónicas: uma terrível e prolongada comichão(?).  É verdade, eu deixava de ter coceira porque escrevia, e o leitor passava a coçar-se porque lia. Até que cheguei a este ponto de loucura extrema ao decidir  compilar alguns desses devaneios escritos, neste livro de gatafunhos terapêuticos para a comichão. &lt;br /&gt;Ainda pensei em convidar um escritor a sério para fazer o prefácio do meu livro, mas não tive coragem. Por muito menos, já vi grandes personalidades arruinarem o seu aparente inabalável prestígio.  Assim, coube-me a mim, apresentar esta obra literária de média…vá… de pouca envergadura, desta maneira algo comichosa.&lt;br /&gt;A forma como as crónicas serão apresentadas, não obedece a qualquer tipo de organização. É que eu nunca fui lá muito arrumadinho, para desgosto dos que comigo convivem. No meio do caos, preocupei-me apenas em colocar para abrir, uma das piores e mais deprimentes crónicas, no sentido de garantir que, à medida que se avança pelas restantes páginas, a qualidade será sempre melhor.&lt;br /&gt;Como última nota, apenas a recomendação para, no caso do leitor sentir em algum momento uma irritadiça comichão, o favor de fechar o livro e esperar que passe sem se coçar muito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-5149657316718394450?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/5149657316718394450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=5149657316718394450' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5149657316718394450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5149657316718394450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/07/comiches.html' title='Comichões'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_Jj59h8flGw8/SIIifXwXpCI/AAAAAAAAAh4/huLMJ4x7FKQ/s72-c/filhospint+001_rotation.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-6946253965839119702</id><published>2008-07-10T08:23:00.000-07:00</published><updated>2008-07-10T08:36:03.521-07:00</updated><title type='text'>A ditadura do flash</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_Jj59h8flGw8/SHYrCW011MI/AAAAAAAAAhw/F2v7H1Y6TmQ/s1600-h/003.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221408137469613250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_Jj59h8flGw8/SHYrCW011MI/AAAAAAAAAhw/F2v7H1Y6TmQ/s320/003.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fui ao casamento de um amigo. Aliás, só um amigo consegue fazer com que suporte, de ânimo menos pesado, um casamento. Pensando bem, um amigo que se preze, não se casa, só para não ter que fazer os amigos gramar o frete da boda. Bom, mas lá fui, antecipando aquele longo dia sentado à mesa num obsceno exercício de gula, entre 4 pratos e múltiplas batidelas com os talheres nos copos à espera do beijo público dos noivos. Quando quis cumprimentar os noivos, dei de caras com um dos tipos de maior poder na sociedade portuguesa. Não, não falo do Américo Amorim ou do professor Marcelo, mas do fotógrafo do casamento. Barrou-me o caminho com as suas costas, dizendo: “Agora não, que tenho de fazer uma fotografia com o altar ali de fundo!” É, de facto, ele quem manda naquilo tudo; É ele que faz esperar o noivo no altar; é ele que diz ao padre onde se ajoelham os noivos; é ele que decide quando os convidados podem começar a trincar as iguarias. Mas vamos por partes. Primeiro a parte das fotografias da noiva em cima da cama, com o vestido sobre a colcha de renda. A noiva; a noiva com os pais; a noiva com os padrinhos; a noiva com o afilhado; a noiva com a irmã mais velha; a noiva agarrada ao urso de peluche. A noiva trinca um rissol, dá um gole no champanhe… “Isso! de perfil,...deixe os lábios no rebordo do copo!...que foto fantástica com a luz a bater no espumante!” reforça o artista. A noiva apressa-se a sair de casa dos pais. “Um momento! Alguém a segurar no vestido!...assim,… estica, isso mesmo,…agora estica mais para a direita,…isso, mantém,…agora o sorriso… o senhor agora não passa! ninguém passa no portão!…Isso! tudo quieto!.. pronto já está!” . Ao sinal do líder de máquina a tiracolo, toda a malta já pode correr para os carros. A noiva entra no carro. “Não entra ainda! …espera!...quem segura a porta?...tem de ser o pai!...onde está o pai?...agora entra devagar para eu conseguir apanhar todo o momento!”…o momento(?). Sim! O da entrada no veículo antes do enlace. O noivo já espera há meia hora, mas é da praxe a noiva não ser pontual. Porquê? Por causa do fotógrafo. Chega à igreja, o (outro) momento: a saída do carro. “O pai!...atenção ao vestido bem aberto,…bom,… a tapar bem a escadaria!...o pai do lado direito da noiva, isso!...mas com um sorriso senhor António,…afinal é a sua filha que se vai casar, homem!...”. O noivo olha para ela com ar de quem está farto de esperar e ela sorri: “sabes, …o fotógrafo”. O casamento decorre, sempre com a câmara entre o padre e os noivos num frenético alvoroço. A entrega da aliança é feita devagar para que não falte pitada à reportagem fotográfica e videográfica. A cerimónia decorre mais rápido do que previsto; o padre despachou-se; vamos ao que interessa!... ao petisco. Mas, e as fotografias dos noivos em frente ao altar? com os pais, padrinhos, amigos,… Toda a gente sai para a cena do arroz na cabeça e espera cá fora ao sol. Continua a espera…então os noivos? saem ou não saem? …está ali o fotógrafo a disparar mais umas poses “Isso, agora com um beijo na testa!...ali mais junto da sacristia!”. Parece que já vêm os noivos, é agora o arroz, vai ser agora que a malta vai mandar!…Atenção! “Pára!”...grita o homem da máquina… “Só lança o arroz quando os noivos passarem no segundo degrau!”. Então a malta já não pode mandar o arroz quando quer? O arremesso para ser lúdico, tem de ser espontâneo e com força, para se embrenhar no penteado da noiva; não pode obedecer a restrições. “Mas é por causa do efeito estético; a imagem fica mais conseguida”.&lt;br /&gt;No restaurante dá-se a expressão máxima do poder do fotógrafo. Encosta os noivos a uma sebe, bem iluminada pelo sol, e vai disparando ininterruptamente, indiferente ao suor das vítimas e à fome dos convidados das vítimas. Ele domina claramente a situação. 200 pessoas à espera para trincar a vitela assada e os noivos ali com um sorriso nos lábios esperando por mais uns tiros do esquadrão de fuzilamento. Está tudo ali, com vontade de mandar um croquete à cabeça do ditador, mas quando ele se vira, ouve-se alguém: “Eu também quero uma com os noivos!”. Ao fim de duas horas à soleira com o permanente sorriso nos lábios, os noivos sobreviveram apenas com ténues sinais de desidratação e rigidez facial. Os convidados, esses, já tinham enfardado todos os croquetes e rissóis das entradas e nem sequer pensavam já na vitela e no bacalhau com natas. Quando o fotógrafo decide libertar os moribundos noivos à beira da insolação, já só nos apetece o cafezinho.&lt;br /&gt;Ainda não foi desta que consegui chegar à sobremesa. Depois de tanto frito no bucho, fiquei-me pelo primeiro prato. Mas fui ao casamento do meu amigo e aguentei até onde pude. Ele vai perdoar a minha retirada mais cedo do combate; compreenderá as minhas limitações. Agora, no repouso do lar, temo que a qualquer momento surja a pergunta que não terei arcaboiço para responder afirmativamente : “Olha, não queres ver o vídeo do nosso casamento?”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-6946253965839119702?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/6946253965839119702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=6946253965839119702' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/6946253965839119702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/6946253965839119702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/07/ditadura-do-flash.html' title='A ditadura do flash'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_Jj59h8flGw8/SHYrCW011MI/AAAAAAAAAhw/F2v7H1Y6TmQ/s72-c/003.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-2284477019087307863</id><published>2008-06-19T02:46:00.001-07:00</published><updated>2008-06-19T02:47:39.639-07:00</updated><title type='text'>Se até o chimpanzé percebe...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SForIvfhkzI/AAAAAAAAAgg/j8EpmJtdMVM/s1600-h/ecoponto1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213526947822408498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SForIvfhkzI/AAAAAAAAAgg/j8EpmJtdMVM/s320/ecoponto1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O meu carro cheira a leite podre. Quem conhece o meu natural desleixo já deve estar a pensar que me voltei a esquecer das peúgas suadas debaixo do banco ou da casca de banana no porta-luvas. Mas não. O carro tresanda mesmo a leite a puxar assim para o azedo. E é com este odor pouco agradável como fundo, que aproveito para lançar daqui a minha mais profunda homenagem a todos os ecoresistentes deste país, que andam com o carro a cheirar a leite podre e a sacudir varejas do tabliê à procura de ecopontos. Tudo começou com um chimpanzé a explicar como fazer a separação dos lixos. E a campanha publicitária dizia qualquer coisa do género: “Se até o chimpanzé percebe como se faz…”. O anúncio é bem feito; desperta a hominização que existe em cada um de nós. E esse nosso orgulho humano não poderia ficar indiferente ao ser suplantado por um símio que come bananas e amendoins. A confusão entre o balde amarelo, o verde e o azul já não existe, até porque o espectro do bicho peludo a dizer que “até ele percebe”, não me deixa espaço para confessar a minha distracção, de forma totalmente assumida. O que o chimpanzé não percebe é a trabalheira que dá a uma pessoa, despejar o lixo que conseguiu separar em casa. Sim, esta coisa de colocar a lata de Coca-cola na mão do bicho e pô-lo a deitar no balde azul (?)… ou será o amarelo (?), que está ali a dois passos, eu acho que com algum trabalho, até punha os meus cães a fazer. Eu gostaria era de ver o chimpanzé, com o saco cheio de pacotes de leite amassados às costas, conseguir descobrir um ecoponto e depois, ter o engenho para despejar os resíduos lá dentro de forma célere. A campanha começou bem com o chimpanzé a explicar como se faz, mas qualquer esforço de mudança de maus hábitos enraizados, deverá assentar na filosofia da facilitação. Metem-se os sacos na bagageira do carro e vamos à procura dos ecopontos. Quando por fim, lá os encontramos, deparamo-nos logo com esse fabuloso factor facilitador: A abertura. A história do elefante passar pelo buraco da agulha, ensombra o nosso esforço, sempre que queremos empurrar os nossos volumosos pacotes de leite compactados, por aquele orifício…zinho. Aliás o nome “Plasticão” rima na perfeição com o asneiredo que sai da nossa boca, quando estamos a fazer força no fundo do saco para aquilo entrar lá dentro e. verificarmos por fim, que a coisa não entra. Ao retirar alguns pacotes para estreitar o volume, aquele pedaço de leite coalhado espirra em direcção da nossa roupa lavada. Fazemos mais umas rimas e, ao fim de algum tempo, conseguimos empurrar, com a ajuda de todo o nosso peso, os plásticos lá para dentro. Depois das embalagens, vamos buscar o papel para despejar no “papelão”. A luta “orifício pequeno/ volume grande” continua animada. Temos um molho de papéis na mão, vem uma rabanada de vento e vemos os estratos bancários voar na direcção do quintal do lado. Sai outra rima brejeira em honra ao orifício do papelão e vamos apanhar o saldo bancário ao espinho de uma roseira. Por fim, conseguimos apanhar todos os papéis e metê-los no orifício. Coragem, que já só falta o vidro. O Vidrão tem o buraco mais pequeno de todos. Assim à primeira vista parece passar à vontade uma mini de cada vez. É curioso porque o nome “vidrão” (assim como os seus primos anteriores) indicia uma coisa em grande, com uma abertura em grande, para se poder despachar coisas em grande e depois, selecciona criteriosamente todos os invólucros, qual posto fronteiriço entre Israel e a Palestina. Estamos nós a espetar garrafa a garrafa lá para dentro e, ao nosso lado, bem ao nosso lado, está um caixote de lixo vulgar, com uma abertura enorme e vulgar, a chamar por nós. É um teste à nossa consciência; o Lúcifer apontando o caminho da perdição. Não basta dificultar a tarefa, como nos espetam com a opção mais apetecível a acenar bem ali à mão. É como querem impingir-nos um prato de comida macrobiótica, com o odor da feijoada ali encostado ao nosso nariz.&lt;br /&gt;O meu carro continua a cheirar a leite podre. Esqueci-me de despejar à ida para o trabalho e não tive tempo para despejar à vinda. Quase a chegar a casa, tenho outro caixote de lixo grande e lustroso a chamar pelo meu leite coalhado: Aqui! Podes deixar esse cheiro a azedo aqui! É só abrires a tampa e já está! Do que estás à espera? Não sei bem…talvez iludido à espera do dia em que se lembrem de me facilitar a vida. Parece que até o chimpanzé percebe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-2284477019087307863?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/2284477019087307863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=2284477019087307863' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2284477019087307863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/2284477019087307863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/06/se-at-o-chimpanz-percebe.html' title='Se até o chimpanzé percebe...'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SForIvfhkzI/AAAAAAAAAgg/j8EpmJtdMVM/s72-c/ecoponto1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-3063837365045741845</id><published>2008-06-15T15:22:00.000-07:00</published><updated>2008-06-15T15:26:40.210-07:00</updated><title type='text'>A Metamorfose</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SFWXDjodvHI/AAAAAAAAAgU/14TzT_gIxyE/s1600-h/sem+tÃ&amp;shy;tulo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5212238231111580786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SFWXDjodvHI/AAAAAAAAAgU/14TzT_gIxyE/s320/sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fui buscar o meu filho ao infantário. “Temos aqui uma caixinha para levar para casa!...”. Esta frase antecipa um dos momentos mais aguardados por qualquer progenitor: o dia em que o convidam a acolher em sua casa, os simpáticos bichos-da-seda, esses mandrakianos seres que se conseguem transformar em borboletas. Pretende-se que as crianças acompanhem de forma activa esse processo de metamorfose, mas cedo percebemos que vai sobrar para nós. Começa logo, porque a doce criatura é esquisita como raio e só come folhinhas de amoreira(?)… mas,… e aonde é que existem essas amoreiras?, perguntamos convencidos da sua enorme abundância em todos os jardins da cidade. “Amoreiras, ora deixa cá ver,…, existe uma ali p’rós lados do Vale e outra junto àquela rotunda …”. Começamos a fazer contas de cabeça e multiplicamos as centenas de pais, que levaram para casa dezenas de bichos-da-seda, depois dividimos pelas 4 amoreiras que existem na cidade, o que dá assim a grosso modo uma média de muito bicho por cada árvore. Mas não podem ser folhas de alface? De oliveira? De uma qualquer erva daninha? Não!...o bichinho parece que não vai muito à bola com essas folhas; causam-lhe distúrbios no frágil metabolismo. Andamos nós a ensinar às crianças as vantagens de uma alimentação variada, a não torcerem o nariz quando lhes colocamos uns brócolos no prato, a sorrirem perante uma sopa de espinafres e depois pomo-las a satisfazer os caprichos de uma larva esquisita. Mas vale o esforço; afinal o bicho transforma-se em borboleta. Lá me meti no carro e fui à procura de tão rara espécie vegetal. Depois de algumas voltas, encontrei a bela da Amoreira, ou o que restava dela. Parece que outros pais, já se tinham antecipado e deixaram-me uma Amoreira depenada do pescoço para baixo. As folhas que sobreviviam, encontravam-se a uma altura alcançável por um basquetebolista americano ou pelo Tarzan nos seus melhores dias. Assumi desde logo que não tinha molas nas pernas, nem tão pouco a Jane à minha espera no cocuruto da árvore, restando-me a versão “pés em cima do tejadilho do carro” como forma de alcançar tão difícil verdura. Estava eu a resmungar em pontas dos pés em cima da chaparia do veículo, quando passou outro veículo que abrandou a sua marcha. Com duas folhitas numa mão e o ramo seguro pela outra, olhei para baixo e deparei-me com o olhar reprovador do condutor. Sentia-se no ar um “Não tens vergonha? a roubar folhas de uma árvore tão rara…”. Não estou para isto! Um tipo tem de fazer quilómetros para encontrar umas folhas especiais para um estafermo multipatas que não crava os dentes em qualquer repolho; depois tem de se pôr aos saltos para ver se alcança o raio da verdura; e ainda se sujeita ao desdém do senhor do automóvel. Raios partam a minhoca. Mas se ela até se transforma em borboleta…Pronto, está bem. Lá meti umas quantas folhas no saco e levei-as para os meus filhos satisfazerem o apetite daqueles selectos seres. Quando as folhas caíram na caixa, os doces bichinhos da seda que se transformam em delicadas borboletinhas, mandaram-se a elas como um boçal brutamontes da idade média morderia um naco de pernil. Não basta as tipas só comerem folhas de uma árvore em vias de extinção, como não demonstram qualquer tipo de preocupação na preservação dos parcos recursos. Trituram a amoreira quais térmitas trucidando escrivaninhas. Mas deixa lá; até se transformam em borboletas. Depois de assistir ao fugaz e javardo banquete das larvas, lá nos retirámos com a certeza de que teríamos de voltar a depenar a pobre da amoreira a breve trecho. No dia seguinte, os miúdos curiosos espreitaram para dentro da caixa e nada. Nem sinal dos bichos. Só restavam vestígios de folhas trucidadas e muitas caganetas de larva. Será que os bichos-da-seda se transformaram em trampa? Uma metamorfose difícil de explicar às crianças. A caixa tinha ficado aberta. Não pensámos que as lagartas fossem pelas suas próprias patas à procura da amoreira. Até teria um cunho pedagógico, no sentido de perceberem o que as custa alimentar. Foi então que pousou um passarinho junto da caixa vazia. Parecia olhar lá para dentro em busca de algo. Percebemos o destino dos bichos-da-seda. Lamentavelmente existiu outro ser que ignorou as invulgares capacidades do bicho se transformar em borboleta e decidiu transformá-lo em alimento para as crias. Tive de explicar aos meus filhos que, na natureza, também se dão este tipo de cruéis metamorfoses. A lagarta, ao invés de esvoaçar em forma de borboleta, esvoaçaram com ela para dentro do ninho de um insensível pardal.&lt;br /&gt;Parece que depois de ter servido de alimento, a larva decidiu vingar-se e operou uma metamorfose no pássaro que a trincou. A partir de então, foi ver o pardal desesperado esvoaçando por tudo quanto era lado, em busca da folhinha de uma árvore difícil de encontrar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-3063837365045741845?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/3063837365045741845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=3063837365045741845' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3063837365045741845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3063837365045741845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/06/metamorfose.html' title='A Metamorfose'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SFWXDjodvHI/AAAAAAAAAgU/14TzT_gIxyE/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-5995435216491116986</id><published>2008-05-27T10:33:00.000-07:00</published><updated>2008-05-27T10:38:56.141-07:00</updated><title type='text'>O barril de crude</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SDxGOvmLN0I/AAAAAAAAAgM/POHpWHRGHpI/s1600-h/novo_simbolo_gasolineiras.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205112488442148674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SDxGOvmLN0I/AAAAAAAAAgM/POHpWHRGHpI/s320/novo_simbolo_gasolineiras.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fui assaltado. E o azar foi de tal maneira grande, que esta semana já fui assaltado 5 vezes(?). O curioso é que em todas as vezes que fui roubado, parece que já tinha a sensação de que me iriam meter a mão no bolso; uma espécie de premonição. Então se sabias que te iam roubar, porque razão te foste meter na boca do lobo?...porque o malandro do meu carro não anda sem gasolina!...E é assim que eu me sinto sempre que levanto o manípulo do gasóleo: um pobre tipo a ser roubado à descarada. Estava eu a recompor-me desta sequência de roubo por esticão, quando ouvi a notícia do investimento dos postos de gasolina em sistemas mais eficazes de segurança contra ladrões(?). E eu achei fabuloso. Melhor do que isto, só a revelação do gangue do narcotráfico da Cova da Moura em pretender apetrechar-se com um sistema revolucionário anti-roubo da sua mercadoria. Os tipos que me roubam todos os dias vão instalar um sistema de protecção contra… roubos.&lt;br /&gt;Parece que andam por aí uns indivíduos encapuzados de arma em punho a assaltar gasolineiras. É lamentável, ainda para mais usando a violência. Esses imbecis não aprendem nada com quem realmente sabe do assunto. Não é preciso carapuço, nem tão pouco uma arma apontada à testa. Basta clicar na tecla e passar a coisa de 1,30 para 1,33 euros; e repetir essa operação durante vários dias seguidos. Alguma malta nem percebe; mas como é muita malta, os cofres das gasolineiras percebem na perfeição. Se o assaltado começar a dar por ela, fala-se da escalada do preço do barril de crude, treta que dá para um tipo se resignar. Mas estes assaltantes com nível, para além do poder de persuasão, têm também a seu favor a arma da persistência. O vulgar gatuno entra de rompante dentro da loja, empunhando uma shot gun e diz para esvaziarem rapidamente a caixa, pondo-se em fuga, caso oiça as sirenes do alarme. O gatuno do gasóleo, ri-se quando lhe gritam ao ouvido “Seu ladrão! eu,eu,eu, nem sei o que te faça!....”. Depois do ladrão o chacotear com uma grande gargalhada, responde-lhe com um lacónico: “P’ra começar o que tu podes fazer é dar mais 20 cêntimos por cada litro. Depois, se refilas muito, amanhã pagas mais 50 cêntimos!...queres dizer mais qualquer coisa?...queres ir para casa a pé?”. E para um cidadão urbano, o “ir para casa a pé” é quase tão mau como “levar uma coronhada no toutiço” . São essas as alternativas oferecidas pelos assaltantes. É com alguma repulsa, que eu próprio, apesar de tentar contrariar essa tendência, me sinto quase à beira de esboçar um ténue sinal de complacência para com os tipos que roubam as gasolineiras. Mas não! Não posso compactuar com a ideia do “ladrão que rouba ladrão…” a assaltar a bomba e embrenhar-se na floresta de Sherwood para distribuir o fruto do roubo com os seus amigos pobres. Nenhum roubo justificará outro roubo, …, desculpem lá mas lá estou eu outra vez a cair na tentação de pensar no Robin Hood como herói da minha juventude.&lt;br /&gt;Parece que algumas gasolineiras, vão passar a uma nova estratégia, baseada no assalto sem subterfúgios. Como já perceberam que podem assaltar à vontade com os pategos, vão mais longe e pretendem prolongar o seu gozo, colocando nos seus postos de abastecimento enormes outdoors com a inscrição “Nós roubamos como ninguém”. O cliente irá abastecer, sabendo que está a ser roubado, sem correr o risco de lhe dizerem que a culpa é do barril de crude. A opinião favorável dos pategos é unânime: “Estes gajos roubam, mas são sinceros! Um tipo assim já sabe as linhas com que se cose”. Já viram algum ladrão dizer: “Coloque aqui as notas neste saco, para ajuda das vítimas do tornado do Mississipi !”? quanto muito um “Enche já essa mer…, senão levas um balázio na fronha!”…é mais sério, não está a enganar o funcionário vendendo-lhe a ideia de que não é um cavalgadura.&lt;br /&gt;Acompanhando essa estratégia do roubo à descarada, as gasolineiras vão mudar a imagem dos seus postos. Os bonés dos funcionários vão ser substituídos por máscaras encapuçadas e, nas bombas, estarão inscrições sugestivas do género: “Mão ao ar… e a outra na mangueira”; “A bolsa ou a penantes”; “Abasteça já, porque amanhã vai ser pior”.&lt;br /&gt;Mas não me sai da cabeça o sistema de segurança anti-roubo que os tipos que nos roubam todos os dias vão instalar. Nós é que somos roubados, caramba. Temos de criar o nosso próprio sistema anti-roubo. Um sensor aplicado no veículo que, quando o sinal da reserva acende, se oiça uma voz: “Atenção! É hora de regressar a casa o mais rápido que conseguir!”. No caso do carro não conseguir chegar a casa e se comece a engasgar com falta de combustível, outra voz se fará ouvir: “Atenção! É hora de regressar a casa a pé, o mais rápido que conseguir!”…é que poderá sempre existir uma bomba de combustível pelo caminho, que o faça cair em tentação...de ser roubado sem remissão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-5995435216491116986?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/5995435216491116986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=5995435216491116986' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5995435216491116986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/5995435216491116986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/05/o-barril-de-crude.html' title='O barril de crude'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SDxGOvmLN0I/AAAAAAAAAgM/POHpWHRGHpI/s72-c/novo_simbolo_gasolineiras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-3287895087787940307</id><published>2008-05-01T13:16:00.000-07:00</published><updated>2008-05-01T13:22:23.834-07:00</updated><title type='text'>O Depósito do nosso contentamento</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SBomZREQJxI/AAAAAAAAAdU/hFqEaYljE4c/s1600-h/gasolina.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195507335645112082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SBomZREQJxI/AAAAAAAAAdU/hFqEaYljE4c/s320/gasolina.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comemorei o dia 25 de Abril a meter gasolina em Espanha. Também eu pensei que não seria muito patriótico, num dia tão representativo para nós portugueses, estar ali a encher os bolsos dos espanhóis. De mangueira na mão e a ver o líquido castelhano escorrer para o gargalo do depósito do meu carro, senti que deveria estar, ao invés, a escutar uma melodia do Zeca Afonso com um cravo na lapela e exaltar gritos de liberdade. E a agravante de tudo isto é que não meti gasolina de forma circunstancial por estar a passear em Espanha. Fui propositadamente a Espanha para encher o depósito num acto premeditado e sem escrúpulos. Mas que terra de Espanha visitaste?...Nenhuma! Passei a fronteira, abasteci e vim-me embora todo contente. E isso ainda é mais grave. Depois de atraiçoar a pátria eu ainda vinha contente. Tentava purgar a minha culpa “Bem vistas as coisas, com a gasolina 30 cêntimos mais barata, já me dá para dar umas voltitas ali pelo Alentejo à borla…”, mas a culpa continuava a perseguir-me. Enquanto pressionava no manípulo da mangueira com algum constrangimento, aproveitava para olhar para trás. Via uma fila de carros, todos portugueses, à espera, para também eles encherem os seus depósitos; chegavam cada vez mais e mais. Atenuavam um pouco o meu fardo. Já não me sentia tão só. E depois comecei a vê-los entrar na estação de serviço a abastecer que nem uns alarves de tudo o que os seus braços conseguiam abraçar. “Eu ao menos só encho o meu depósito. Agora estes tipos, no dia 25 de Abril, traírem o país desta forma, grandes malandros!...” sentia-me quase absolvido perante a gula desenfreada dos meus compatriotas. Gritava um para a mulher “Ó Matilde já viste aqui um saco de 20 quilos de batatas por 6 euros?”… “E as cebolas?...” É incrível, até por uma saca de cebolas estes indivíduos se vendem aos espanhóis. Ainda por cima no dia 25 de Abril? “Eu ao menos é só gasolina…” , vem a minha mulher muito contente acenando com um gel de banho na mão que custava metade do preço do que em Portugal e tive de lhe dizer “Leva!” . E já agora aquelas bolachas de 1 euro e os chocolates Milka que lá são um balúrdio e aqui em Espanha só custam… “Leva!”. Saímos de lá com os braços cheios de pequenas coisas que valiam a pena, o depósito cheio de gasolina que valia a pena e na mala do carro esteve perto de entrar aquele saco de 20 quilos de batatas …que pena eu não o ter levado. A minha consciência?...nada que um breve cantarolar de uma música do Zeca não redimisse. Mas ao invés de trautear qualquer melodia interventiva como forma de terapia redentora, deixei a minha mente vaguear por factos muito concretos : “Mas porque raio os espanhóis ganham quase o dobro do que nós e pagam menos pela gasolina , pelas batatas, pelo gel de banho e pelos chocolates Milka?” Não encontrando uma resposta concreta para estes factos concretos apenas me ocorreu um sentimento “Que se lixe!”. Ainda bem que tinha ido abastecer a Espanha naquele dia 25 de Abril. Que bem me sentia depois de ter enchido o depósito com menos uns valentes euros. E que bem se deve ter sentido a Matilde ao descascar aquelas batatas. Passei assim o peso das minhas dúvidas para os tipos que taxam os combustíveis em Portugal de forma alarve e até me apeteceu musicar um poema de Ary dos Santos . Voltei a Portugal e, lá do alto do Marvão, olhando para as ameias construídas sobre aquele abismo de rocha, pensei na trabalheira que um grupo de empreendedores portugueses tiveram para nos proteger dos invasores espanhóis. Uma curiosa ironia; agora somos nós, que invadimos Espanha em busca de víveres mais baratos.&lt;br /&gt;Foi sem grandes preocupações energéticas que percorri muitos quilómetros no Alentejo. Ao encher o depósito do meu deslumbramento com o cheiro da paisagem alentejana, ia pensando que não se pode ter tudo. Eles Ganham mais e pagam menos, e nós,…bom,…nós temos o Alentejo para nos encher o ego. Shiuuuu, não contes a muita gente, mas parece que os espanhóis estão a comprar o Alentejo. Com alguma sorte, pode ser que quando plantarem os seus olivais, também coloquem postos de combustível na banda de cá ao preço da margem de lá. E já agora não se esqueçam das batatas, das cebolas e dos chocolates Milka.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-3287895087787940307?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/3287895087787940307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=3287895087787940307' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3287895087787940307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3287895087787940307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/05/o-depsito-do-nosso-contentamento.html' title='O Depósito do nosso contentamento'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/SBomZREQJxI/AAAAAAAAAdU/hFqEaYljE4c/s72-c/gasolina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-7342404686347637718</id><published>2008-04-10T15:36:00.000-07:00</published><updated>2008-04-10T15:53:11.141-07:00</updated><title type='text'>Um Regalo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/R_6aQq2EdaI/AAAAAAAAAaU/P0_ws1dtIJw/s1600-h/touros-~-u13883880.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187753431947048354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/R_6aQq2EdaI/AAAAAAAAAaU/P0_ws1dtIJw/s320/touros-~-u13883880.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Li no Jornal Torrejano uma nota de indignação manifestada por um senhor perante a nossa revolta enquanto professores no panorama actual. Escrevia ele que sempre trabalhou no duro e nunca teve as nossas abissais regalias. E eis que, qual cruzado a dar no toutiço dos infiéis, chegou finalmente alguém com coragem para retirar as tais regalias desses malandros, que esbanjam o dinheiro dos nossos impostos e não fazem quase nada. Ora aí está uma mente lúcida! A função dos bons governantes não é criar mais regalias, mas sim retirá-las. Há que nivelar as regalias, para a malta não se queixar. E se não é possível nivelar por cima, nivela-se por baixo que está muito bem. Até acho que eu próprio daria um óptimo governante; hoje fiz a experiência de dar menos ração aos meus cães e eles nem se queixaram muito. Isso de tirar privilégios instalados até parece fácil…O caminho terá forçosamente de passar por esta ideia chave: “Queres regalias? O Tanas!” . Estou a imaginar o inquérito a preencher pelo candidato a um emprego onde aparecerá naquele campo das doenças: 1. sofre de epilepsia?, 2. tem problemas de visão ou audição? 3. deficiências respiratórias? 4. Tem sífilis? 5. Aspira a algum tipo de regalia?. No caso do infeliz responder positivamente à última questão recebe o carimbo com “O Tanas” estampado. Mesmo aquele indivíduo mais maneirinho que responde com um pouco ambicioso “Se possível…sabe… gostaria de ter uns diazitos de férias, mas poucos está claro…” lá via o seu formulário ser borrado com o implacável “ Tanas” do carimbo. Será esta a sociedade que nos espera, em que todos sonham com um emprego onde possam usufruir do menor número de regalias possível. O trabalhador ideal dá o litro 60 horas por semana, não tem férias para ir apanhar uma corzita à praia da Vieira e apenas se queixa daqueles que trabalham menos horas e têm mais dias de férias. Trabalha que nem um moiro e fica extremamente contente se, os que são menos moiros, ficarem tão moiros quanto ele. Caminhamos na direcção da moirice colectiva; uma massa de moiros que não descansa e que não descansa enquanto não tiver a seu lado todos os que tinham algumas regalias. Aliás a palavra regalia, soa tão mal nos ouvidos de um moiro como a voz esganiçada da Catarina Furtado soa nos meus. Basicamente o moiro é um invejoso do catano. Entre darem-lhe mais dois dias de férias ou retirarem quatro dias de férias a um privilegiado, prefere claramente a segunda opção. No entanto, existe algo que eu ainda estou a ver se entendo. Supostamente, com tanto moiro a produzir, com tanta regalia retirada aos quase moiros, seria suposto que se estivesse a gerar mais riqueza. E eu pergunto: para que é tanta riqueza? Se os moiros não se importam de ser moiros e forçam os quase moiros a ser moiros, quem usufrui da produção?...do tempo livre?...do repouso?..do dinheiro?..das reformas mais cedo?....Estão a pensar em quem?...&lt;br /&gt;Mas o golpe de génio foi de quem pensou em retirar as faraónicas regalias dos professores. Os chorudos ordenados, o interminável tempo de ócio, a progressão automática, as turmas pequenas, os alunos que estão lá para aprender. O professor que não se revolta por lhe retirarem regalias, será um indivíduo conformado. E a grande vantagem da transformação de professores em seres resignados e apáticos, é que também ensinarão os seus alunos a ser resignados e apáticos, ou seja, moiros em potência. E é disso que esta sociedade necessita. Da proliferação de cada vez mais moiros resignados a uma sorte de trabalharem que nem uns condenados para conseguirem sobreviver…sem regalias.&lt;br /&gt;Hoje a minha mãe viu a enormidade que teria de pagar de IRS. Ficou a perceber que perdeu as enormes regalias por ser deficiente motora. Estarão a esta hora muitos moiros esfregando as mãos de contente e comentando com o colega moiro do lado: Estava a ver que nunca mais retiravam as regalias a estes malandros que vivem às custas do nosso trabalho. Se não têm dinheiro para pagar os impostos como nós, vendam as cadeiras de rodas, despeçam a empregada, esqueçam a reabilitação, não tomem medicação, fiquem na cama! Querem regalias? O Tanas!...quanto muito um “regalo”,…daqueles espanhóis mais baratuchos. Olha, até pode ser um dos toiros em miniatura que fazem muuuu quando lhe apertam o dorso. É que o bicho pode ser pequeno mas não é lá muito resignado...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-7342404686347637718?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/7342404686347637718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=7342404686347637718' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7342404686347637718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7342404686347637718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/04/um-regalo.html' title='Um Regalo'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/R_6aQq2EdaI/AAAAAAAAAaU/P0_ws1dtIJw/s72-c/touros-~-u13883880.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-1876029466638120195</id><published>2008-03-06T12:26:00.000-08:00</published><updated>2008-03-07T14:43:30.209-08:00</updated><title type='text'>Movimento Pela Propagação da Virose</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/R9BT-GoBYjI/AAAAAAAAAZI/96uUfFsHpZU/s1600-h/423px-Influenza_virus_research.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5174728298244170290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/R9BT-GoBYjI/AAAAAAAAAZI/96uUfFsHpZU/s320/423px-Influenza_virus_research.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A minha mulher disse-me que “andava” com um vírus esquisito. Se eu fosse um tipo ciumento, ainda poderia fazer perguntas confrangedoras do género   “quem é esse tipo?”, “não tens vergonha?”, “e ainda por cima um indivíduo esquisito?” ,   “ao menos tem bom hálito?”. Ela descansou-me acrescentando: “Dói-me o corpo todo e tenho arrepios de frio!”. Depois de me elucidar, saiu e foi  dar aulas…(?).  “Mas vais dar aulas nesse estado?” perguntei incrédulo. “Vou!” respondeu de forma seca. “Mas espera aí! Não faz nexo. Não estás em condições…”, fui interrompido por um “Entre dar aulas e passar todo o meu dia no centro de saúde para me passarem um atestado médico…”. Hesitei. Fez-se uma pausa, e lá foi ela cambaleante e trémula para a sua paliativa leccionação. Na manhã seguinte o vírus parecia ainda mais alegre e a  portadora ainda mais atordoada. Depois de vomitar, desmaiar e ter batido com a nuca na mesa da cozinha, a vítima lançou o desabafo: “olha tenho um galo relativamente grande na cabeça, estou a ver tudo à roda e passa-me aí as calças para eu ir dar aulas”…?...Desta vez, eu tinha de me impor e gritei: “Ai isso é que não vais!”. Felizmente ela estava demasiado débil para ripostar.  Depois de a levar ao centro de saúde percebi que ela teria alguma razão quando me pediu as calças para ir dar aulas. Mandaram-na para o hospital por não haver médico disponível e, depois de 3 horas na urgência, lá voltou ao centro de saúde para solicitar o tal do atestado médico. Esperou mais 3 horas com o vírus pululando de alegria por estar ali em ameno convívio com outros primos virais e, lá conseguiu mendigar  o papel que o médico passou em 30 segundos. E eu pus-me a cismar na mente iluminada que criou esta obrigatoriedade. Só um ser assolado pela acção de um vírus raro e fulminante se lembraria desta lei,  de apenas ser possível obter um atestado médico válido num centro de saúde. Sim, porque os ditos centros, antes desta inteligente medida, funcionavam céleres e fluidos. Estavam mesmo a precisar de mais uns milhares de viroses em ameno convívio nas salas de espera.   E foi nesse momento que percebi que se calhar tudo isto fazia parte de um plano estratégico, mais profundo. Vamos lá ver se entendemos o raciocínio.  Muito se tem falado do complexo sistema de avaliação a que se vão sujeitar os professores. No entanto, existe mais um parâmetro que poderá ser acrescentado nas fichas de avaliação designado por “Propagação Viral”  . Assim, um professor que queira obter a classificação de “excelente”, vai ser avaliado pela forma como propaga vírus aos seus alunos e depois os recupera. Antes de tudo, criam-se condições facilitadoras para o professor ir dar aulas doente. A perspectiva do dia inteiro em busca do atestado num centro de saúde, juntando à penalização avaliativa no caso de faltar mesmo na posse desse atestado, por si só, motivarão  a que o professor partilhe o seu estado gripal com os alunos sem grandes problemas. As grelhas criadas para quantificar essa capacidade do professor propagar eficazmente o seu vírus à classe discente, consagrarão três momentos fundamentais: 1. O acto da propagação; 2. O resultado da propagação; 3. a Recuperação da propagação. No ponto um, irão ser medidas as formas encontradas pelo professor para propagar a doença aos seus alunos . As classificações variam entre o fraco espirro sem alvo específico, até ao forte ataque de tosse direccionado para as vias respiratórias do aluno quando este abre a boca. O ponto dois é dos mais objectivos e fáceis de avaliar. Basta a contabilização dos alunos que ficarão em casa doentes depois da acção planeada do professor.   Assim, um professor verdadeiramente competente, aspirará a arrumar pelo menos mais de metade da turma numa só semana. Um professor que não possua a capacidade de espirrar decentemente para o caderno dos alunos e não consiga propagar o seu vírus a um único corpinho, deverá escolher outra profissão, porque a docência não é feita para tipos sem fôlego.  Mas o professor brilhante, será aquele que para além  de tossir à bruta para cima dos alunos, de pôr de cama mais de metade deles, conseguir colocar em prática planos de recuperação eficazes para a enfermidade de cada um deles. Temos assim, no terceiro ponto de avaliação de competências, a nota mais fraca, para um professor que apenas pergunta de forma displicente ao aluno se está melhor e a nota mais elevada para aquele que vem munido com uma mochila de primeiros socorros e se prontifica a espalhar uma pomadinha de Vick Vaporub  na peitaça do aluno.  A médio prazo, a escola pública, caminhará na senda do conceituado MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts), nomeadamente na descoberta e tratamento de múltiplas estirpes virais e bacterianas. Isto porque o professor irá ser avaliado também pela magnitude da patologia que guarda dentro de si e a sua resistência à mesma. Assim, não poderá ter a mesma nota, um professor que aguenta a dar aulas um insignificante adenovírus durante 4 dias, àquele que suporta um mês de pneumonia sem se queixar. Para o professor que consiga criar dentro de si uma nova variante de vírus ou bactéria, existirá uma pontuação extra, por entrar no domínio da inovação.&lt;br /&gt;            Depois de um dia de convalescença na calma revigorante do centro de saúde, a minha mulher lá foi leccionar no dia seguinte. Ao resistir a mais umas quantas aulas com o vírus a fazer tropelias no seu sistema imunitário, pensou se não haveria forma de acrescentar na grelha de avaliação, um parâmetro da “Propagação do Vírus aos responsáveis pela Propagação do Vírus”. Talvez aí não tivesse de se preocupar tanto em colocar a mão à frente da boca  sempre que soltasse um espirro mais intenso.  Pelo sim pelo não, já temos um frasquinho de Vick Vaporub aqui em casa…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-1876029466638120195?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/1876029466638120195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=1876029466638120195' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/1876029466638120195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/1876029466638120195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/03/movimento-pela-propagao-da-virose.html' title='Movimento Pela Propagação da Virose'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/R9BT-GoBYjI/AAAAAAAAAZI/96uUfFsHpZU/s72-c/423px-Influenza_virus_research.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-7360743117399519551</id><published>2008-02-23T02:38:00.001-08:00</published><updated>2008-02-23T02:42:06.691-08:00</updated><title type='text'>Pelo canto do olho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170123423413327602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/R7_33HF6VvI/AAAAAAAAAZA/KrTK74MF5As/s320/nat.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;A natação é das actividades mais estranhas que existem. O que nos dá a nós, seres terrestres, a mania para nos metermos com as ventas no líquido e esbracejar que nem uns condenados de um lado para o outro? O mais bizarro é assumirmos que até nos dá algum prazer aquele aparentemente desconexo esforço aquático . No outro dia deu-me para nadar, e lá fui eu ao castigo. A água estava um poucachinho a puxar para o frescote e tive de acelerar a braçada logo desde o início optando pela canseira em vez do enregelamento. A arfar e com a cara na água, pus-me a pensar como é possível encontrar um motivo de entretenimento numa actividade que nos faz apanhar frio nos artelhos e nos obriga a manter o olhar no azulejo azul durante a maior parte do tempo. Pensei, pensei e cheguei à conclusão: não penses mais nisso e põe-te mas é a nadar! Mas nem só de azulejo vive o nadador. O nadador anseia pelos ténues momentos em que consegue pôr um olho de fora, em busca de ar e imagens novas. São pequenos momentos de luz que surgem após vários períodos de trevas. Esta alternância entre a imagem turva e a luminosidade, será similar ao que sentiria alguém que visse o filme “Branca de Neve” de João César Monteiro entrecortado por anúncios de carros desportivos. A pasmaceira versus o entretenimento. O grande mal é a pasmaceira representar o dobro do tempo do entretenimento.&lt;br /&gt;          Bom, mas voltando às minhas esforçadas braçadas, lá continuei empenhado e, depois de dez piscinas a esbracejar, a saída do olho da água vislumbrou nas cadeiras da bancada um casal de namorados adolescentes. À falta de um anúncio de carros, de um jogo de futebol, de umas Cheerleaders com as proeminências aos saltos, restavam-me aqueles personagens para quebrar a monotonia do fundo azul. Como apenas os conseguia ver por breves períodos ao fim de 50 metros, dei comigo a fazer conjecturas de como os iria encontrar após duas passagens. E não era um exercício de Voyerismo tarado; era antes, um exercício antropológico do comportamento humano em situação de pré-acasalamento. Na primeira passagem estava cada um na sua cadeira agarrados …pela boca . Na segunda, ela estava por baixo e ele por cima, ambos agarrados pela boca e fazendo afagadoras festas no couro cabeludo do parceiro. Na terceira passagem,… não percebi bem aquilo(?). Pus a hipótese, para salvaguardar a privacidade do casal, de fechar o olho durante a breve passagem pela emersão. Não consegui. A curiosidade pelo desfecho da novela falou mais forte. Na quarta vez que o meu olho contactou com o casal, a coisa felizmente estava mais amena. O rapaz, fatigado, deitou-se com a nuca no colo da moçoila, que se entretinha a espremer o pus das suas borbulhas. Na quinta passagem, voltei a não entender aquele exercício de contorcionismo. Tinham voltado à carga em grande. De quem era a cabeça de quem, de quem era aquela mão agarrando a coxa do outro, de quem era o pé no ar?...Será que eles aguentam aquilo muito tempo? Tinha de ver se aquilo terminava sem nenhum ferimento e nadei mais rápido. Eu vi logo. Não suportaram aquilo mais do que duas piscinas e o rapaz voltou a deitar-se em cima do colo da moçoila enquanto esta mandava um sms à mãe, provavelmente a dizer que estava a fazer os TPCs com uma amiga. Quando voltei ao azulejo e à minha reflexão pensei: Espera aí, e se fosse a minha filhinha que estivesse ali com aquele marmanjo ao colo? Fiquei danado e nadei ainda mais rápido. O malandro, ali a aproveitar-se dela; e ela deixa??? Ela que está ali também a espremer-lhe o acne e a fazer festinhas na crista do galináceo? Já estava a ser preconceituoso e … “Não sejas assim tão retrógrado! Tens de acompanhar a modernidade, compreender a exteriorização desinibida do amor!...” Mas não consigo deixar de pensar naquele tipo que irá buscar a minha criança adolescente com a sua moto e a crista levantada, que lançará uma frase do género: Ó cota, diz aí à tua miúda que estou aqui à espera dela p’á levar à discoteca? ...O quêêêê?...Os meus pensamentos sobre tal cenário não os posso exteriorizar aqui,…mas não eram muito católicos. Nadei ligeiro para ver o que aquele crápula estava a fazer à pobre da miúda. Mas é a miúda que está agora em cima dele, espalmando-o contra a cadeira?...Não pode ser. Seria o cloro a enevoar a visibilidade, e qual torpedo, dei em bater pernas freneticamente para tirar o tira-teimas sobre a forma utilizada pelo malandro para aprisionar ali a pobre rapariga indefesa. Quando o meu olho saiu da água em busca da resposta, não viu nada. Rodei o periscópio e continuava sem nada ver. Já não estava ali ninguém. Senti um alívio enorme por ter terminado o indecente assédio à frágil menina. Mas senti sobretudo, uma enorme dor de braços por ter nadado tão rápido naquele dia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-7360743117399519551?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/7360743117399519551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=7360743117399519551' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7360743117399519551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7360743117399519551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/02/pelo-canto-do-olho.html' title='Pelo canto do olho'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/R7_33HF6VvI/AAAAAAAAAZA/KrTK74MF5As/s72-c/nat.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-7163155263936977682</id><published>2008-02-11T14:35:00.000-08:00</published><updated>2008-02-11T14:39:12.068-08:00</updated><title type='text'>Tem de ser...</title><content type='html'>Um amigo emprestou-me um livro de Luis Veríssimo, cronista brasileiro, que animou os meus momentos de tédio. Numa das suas crónicas, ele descreve um encontro com alguém que não se conhece mas cuja simpática abordagem nos deixa sem coragem de assumirmos a total incapacidade de o reconhecer.   Ao longo da conversa, o amnésico sofre de um arrependimento profundo por não ter dito logo no início que não conhecia o seu “comparsa”, revelação que se vai tornando cada vez mais improvável de se concretizar à medida que o diálogo progride. E esta progressão transforma-se num surto de proporções totalmente imprevisíveis em termos de final, mas claramente previsível quanto à magnitude do constante tiro no escuro. &lt;br /&gt; Depois desta crónica pus-me a pensar nas tristes figuras que podemos fazer nos encontros esporádicos de rua. Pensemos, por exemplo, nas repetidas situações em que encontramos alguém que conhecemos mas não sabemos o que dizer. Veja-se bem a estupidez associada  a esta sequência de diálogo:&lt;br /&gt;- Há quanto tempo pá!&lt;br /&gt;- Pois é!&lt;br /&gt;- Então, como é que isso vai?&lt;br /&gt;- Vai andando!&lt;br /&gt;- Tem de ser, não é!&lt;br /&gt;- É a vida!&lt;br /&gt;- Pois é...&lt;br /&gt;- Então vá...&lt;br /&gt;- Tchau!&lt;br /&gt;Se analisarmos estes sons percebemos a completa figura de parvos que conseguimos fazer em tão curto espaço de tempo. O mal está precisamente em querer dizer tão pouco e tão rápido, para nos vermos livres daquele pesadelo. Mas o pesadelo agudiza-se... quanto mais rápido um náufrago quer nadar, mais rápido vai ao fundo. A conversa inicia-se com um fulgurante “há quanto tempo pá”. Apesar do outro geralmente perceber que está implícito o tempo verbal “não te via”, a característica sintética da afirmação poderia dar azo a outras interpretações. Se fosse uma conversa de taxistas por exemplo, poderia entender-se de outra forma: há quanto tempo não és assaltado pá! Ou conversa de pescadores : há quanto tempo não vimos um bom cardume de chaputas pá! Ou entre senhoras finas: há quanto tempo não vêm cá os fotógrafos da caras pá...pá ou direi antes quiqui? &lt;br /&gt;Depois deste dúbio início surge o “Pois é!”. O “pois é” constitui uma espécie de apoio linguístico incondicional. Diz-se “pois é” como se poderia dizer “porra”; sai-nos pela boca sem darmos por isso; é um tique, um automatismo. É uma praga verbal ao nível do “portanto”, do “efectivamente” ou do “tás a ver”.   Aplica-se distraidamente e é simpático. Faz o outro pensar que concordamos com ele, quando na realidade apenas dissemos qualquer coisa para substituir o silêncio. Responde-se “pois é” quando a professora de matemática nos questiona se entendemos a explicação sobre os logaritmos; responde-se “pois é” a um discurso de Jorge Sampaio sobre o dever cívico.  É um termo agradável mas perigosamente inconsciente. Corre-se o risco de se responder afirmativamente a algo que deveríamos negar. Pensemos se ao invés se ter iniciado a conversa com um “há quanto tempo” tivesse começado por “andas com a minha mulher!?” , o desconfortável que seria para ambos um distraído “pois é”.&lt;br /&gt;No meio de todo este pântano de equívocos existe a ilha redentora do “como é que isso vai?”. É a única questão que não soa mal. E tal acontece por causa do “isso”.  Mesmo que não se veja a pessoa há muito tempo, se não se particularizar, não existe margem de equívocos. O “isso” é abrangente, não compromete. Confrangedor será perguntar-se “como é que a tua tia vai?” e termos de ouvir “a minha tia morreu há 8 anos” . Quando perguntamos “como é que isso vai” podemos esperar dois tipos de respostas. O chato, que encara o “isso” como toda a sua vida afectiva, profissional e social, obriga-nos a permanecer passivos ouvintes durante 2 horas ; o simpático, responde simplesmente “vai andando!”.  Apesar de poder parecer uma associação com  um qualquer exercício de pedestrianismo, ao responder-se “vai andando”, não se comete  um grande equívoco, isto porque concede ao “como é que isso vai” a característica dinâmica do “ir” a qualquer lado.&lt;br /&gt;Chegamos às duas pérolas do absurdo comunicativo: o “Tem de ser” e o “É a vida”. Não faz nexo respondermos com um “Tem de ser...”  a alguém que nos diz contente que a sua vida “vai andando!”. “Tem de ser” soa a penitência, a obrigação de trabalhador contrariado. É aplicável a perguntas como “ainda vais ter de cavar todo este batatal?”, “vais-te levantar às 5 da manhã?” ou “vais ver televisão a noite toda?”. Não se responde à questão “vais de  férias à Patagónia?” com um “Tem de ser!”. Como se não bastasse esta total verborreia, o outro reage ao “tem de ser” com “É a vida!”. É a vida? De mal a pior... pressupõe-se que a vida apenas nos traz momentos de “tem de ser”. Não! A vida não tem de ser; a vida vai sendo. Reparem bem como uma conversa que se pretendia bem disposta e descontraída se transforma num muro de lamúrias, ainda por cima sem razão aparente. Afinal “isso” até ia “andando” mas o “tem de ser” e “é a vida” deitam por terra toda a alegria...,bom...nem toda,... isto porque surge o “Então vá...”.  O “então vá” é o “gongo” que nos salva do imbróglio aparentemente insolúvel.  É o convite para encerrar a conversa; a deixa para virarmos as costas e esquecermos aquele traumático momento. O “então vá” deveria ter sido dito logo após o “há quanto tempo”. Juntava-se a saudação à despedida, evitando-se qualquer paragem na caminhada, mas sobretudo o prolongamento de algo que nunca se deveria ter iniciado.  Correcto seria começar a conversa por um “Desculpa lá mas não sei o que te dizer e antes que comecemos ambos a fazer figuras tristes ...  então vá!”. Seria rude, mas sincero; seria antipático, mas frontal. Não conseguimos. A sina do ser social será a de conviver com esta total incapacidade de abolir aquele sorriso amarelo acompanhado do “pois é”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-7163155263936977682?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/7163155263936977682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=7163155263936977682' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7163155263936977682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/7163155263936977682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/02/tem-de-ser.html' title='Tem de ser...'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-8161280756027860721</id><published>2008-01-27T15:28:00.000-08:00</published><updated>2008-01-27T15:33:20.862-08:00</updated><title type='text'>Palhacinhos...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/R50UrOr4Q4I/AAAAAAAAAW4/sTnqEf8oMHU/s1600-h/01.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160303480945525634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/R50UrOr4Q4I/AAAAAAAAAW4/sTnqEf8oMHU/s320/01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Olhe, não quer ajudar as crianças desprotegidas?... A pergunta é feita para um tipo não conseguir fugir. Se respondo “Não” é o mesmo que dizer que “não quero ajudar as crianças desprotegidas”, sou um crápula insensível, digno de ser votado ao desprezo público e deixar a consciência entregue a uma carga de 6 sacos de cimento. Se respondo sim, lá tenho de comprar mais um daqueles bonecos de borracha que ficam sem braços à primeira esticadela e que custam 5 euros. Mas é por uma boa causa,… O pior é que a qualquer lado que vá, lá estão mais boas causas para a malta despender umas massas para a protecção de alguém desprotegido. Antigamente sabíamos que existia a Caritas, a Unicef, a Liga Portuguesa contra o cancro, a Cruz vermelha, que até tinham umas latas onde púnhamos a moedita e recebíamos um autocolante na lapela. Era um peditório anual e já estávamos à espera, contribuindo sem reservas. Agora, multiplicam-se organizações de recuperação de tóxico-dependentes, de protecção de menores, de vítimas de furacões, de sapadores de bombeiros, de portadores de doenças raras, de refugiados em África. E agora já não acham muita piada à moedita; agora é mais nota, senão ainda fazem aquela cara de quem está perante um crápula quase sensível mas forreta. A solidariedade é louvável desde que nos deixe respirar um bocadito entre cada contribuição. Na semana passada penso que todos os voluntários dos peditórios combinaram entre si, e, decidiram perseguir-me até à exaustão contributiva. A qualquer loja que fosse, qualquer esquina que virasse, qualquer café que frequentasse, lá estavam eles com bonecos, porta-chaves, blocos, prontos para receber um contributo a favor de uma qualquer causa nobre. Nem no descanso do lar estava a salvo de um toque de campainha e da frase já batida “Não quer ajudar…..?”.&lt;br /&gt;Entrei numa loja, e reparei numa senhora com um nariz de palhaço a pedir a sua contribuição a um casal desprotegido. Afastei-me um pouco, mas fiquei atento à abordagem insistente da senhora. Entre “sorrisos de crianças”, “apoio voluntário”, “oferta solidária”, o casal lá conseguiu ripostar com um “hoje não obrigado!”. A senhora com nariz de palhaço virou-lhes as costas e olhou para outra senhora que passava, fazendo aquela cara de reprovação onde transparece a expressão “olha-me bem estes malandros, que vêm aqui estoirar dinheiro em fatos de treino e não têm uma nota para dar ao palhacinho!” . E o sentimento de culpabilização é tão grande, que eu próprio comecei a pensar “pois é, não custava nada dar uma notita à senhora do nariz vermelho,…” quando caí em mim e percebi “se calhar os tipos estão a ser perseguidos por palhacinhos há uma semana, tal como eu; e estão fartos, tal como eu”. A senhora estava agora livre para um novo ataque e eu, vi-me ali desamparado, à mercê da sua implacável abordagem. Tinha três hipóteses: ou ia ter com ela , dava-lhe a nota em jeito de Hara-kiri e despachava logo a questão; ou passava eu ao ataque com um “Não posso contribuir e veja lá se tira essa bola ridícula do nariz”; ou optava pelo caminho da fuga airosa camuflada entre duas secções de roupa desportiva, esperando que o seu faro felino tapado pelo bola vermelha não descobrisse o cheiro da presa em perigo. Optei pela fuga airosa, para não correr o risco de me sentir um crápula insensível e forreta, porque naquele dia eu não conseguiria dizer que sim, nem que não, a uma senhora simpática com nariz de palhaço.&lt;br /&gt;Mas se existem peditórios organizados por instituições de solidariedade social, também proliferam aqueles realizados por entidades de solidariedade… individual. Estou-me a lembrar daqueles personagens que nos vêem vender pensos rápidos. Mas porquê pensos rápidos? Por serem úteis? Deixa cá ver,…eu não uso um penso rápido há,… ora bem, …mais ou menos… 30 anos. Depois a escolha nem é muito inteligente; augura um sentimento de flagelação a quem os compra do tipo “Ó senhor, compre estes pensos, que vai precisar deles quando tropeçar no degrau do passeio ali da frente e fazer uma ferida na cabeça!...”. De qualquer das formas, pela multiplicação de tanto palhacinho à espera da nota, qualquer dia aparece, com a lata ao pescoço, um voluntário da Associação de Vítimas dos Peditórios, entidade que visa recuperar indivíduos que se empenharam financeiramente para responder ao empenhamento manifestado por todos os palhacinhos à cata do ofertório. Esses indivíduos necessitam de uma terapia específica no sentido de os conseguir pôr a dizer “Não! Hoje não contribuo mais! Deixem-me em paz!...E já agora, não acha que esse nariz lhe dá um ar um pouco ridículo?”&lt;br /&gt;Lembrei-me agora daquele senhor velhinho, sem nariz de palhaço, com corpo magro e rugas vincadas por uma vida dura. Lembrei-me agora da cara de felicidade e do abraço que deu ao meu filho quando recebeu aquela lata de atum, o chocolate com nozes e um pacote de leite. Aí, sem intermediários mascarados, podemos sentir genuíno alcance de uma insignificante acção solidária...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-8161280756027860721?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/8161280756027860721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=8161280756027860721' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/8161280756027860721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/8161280756027860721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/01/palhacinhos.html' title='Palhacinhos...'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/R50UrOr4Q4I/AAAAAAAAAW4/sTnqEf8oMHU/s72-c/01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-3760019127310827157</id><published>2008-01-22T12:01:00.000-08:00</published><updated>2008-01-22T12:05:56.213-08:00</updated><title type='text'>Desenrascanços</title><content type='html'>É impressionante como só hoje dei por ela. Aquela palavra que ouvi dezenas, centenas de vezes sem nunca ter parado para pensar no seu conteúdo. Sinto-me como aquele calhau que levou com tanta água mole que acabou por ver violada a sua impenetrável estrutura.  A minha estrutura cerebral finalmente cedeu ao ser atingida por mais uma gota de água em cheio nos canais auditivos.&lt;br /&gt;O dia fatídico começou como começam todos os dias fatídicos: com uma avaria. Para solucionar o problema telefonei ao técnico. Ouçamos a sua resposta: - Tenho de arranjar um tempinho para ir aí  desenrascá-lo!   Aí está ela. Que palavra tão subtil e singela. Geralmente é empregue por prestadores de serviços com muitos serviços para fazer. Canalizadores, Mecânicos, Bate-chapas, técnicos de Ar Condicionado, Pedreiros, empregados de mesa, electricistas e afins. O trabalho é muito, o tempo é pouco e todo esse tempo é utilizado para desenrascar alguém que se enrascou primeiro do que nós. Mas é isso que se pretende com o desenrascar. Pressupõe que haja alguém à rasca; nas últimas; no ponto de ruptura; no limiar do abismo. Quando chega o técnico para desenrascar geralmente já ultrapassámos o estado de à rasca e estamos em plena queda no abismo prontos para entrar em decomposição. Não é em vão que o termo “desenrascar” se parece com “desenroscar”, uma vez que a sofreguidão inerente ao primeiro tem grandes afinidades com o acto de desenroscar a rolha comprimida de um qualquer espumante francês. Só à custa de um grande esforço conseguimos ver a rolha sair disparada e danificar o estuque. &lt;br /&gt;Finalmente chega o desenrascador e pensamos que vamos ser salvos com a calma e eficiência exigidas à nossa ansiedade...puro engano. Outro dos pressupostos do desenrascanço é o “tempinho” disponível, o mesmo será dizer, a falta de “Tempão”. O conceito de disponibilidade causa alergia a este indivíduo. Tudo tem de ser rápido, a despachar, a abrir,  para se ir desenrascar rapidamente mais tipos enrascados. É chegar, ver, bater, apertar e ir embora. O Desenrascanço nunca é definitivo. Desenrasca-se hoje para voltar a desenrascar amanhã.&lt;br /&gt;Pensem bem naquele dia que levaram a família ao restaurante económico à uma da tarde num Domingo. Estão na mesa mais afastada de tudo, à espera que vos tragam a ementa e as azeitonas. Olham à procura de alguém que vos sacie o voraz apetite e o que vêem? Um empregado em passo de corrida tentando servir o prato do dia às 30 mesas sem deixar cair nenhuma batata. Levantam o braço repetidas vezes à procura de auxílio e nada.  Aquele Bip-bip de bandeja não olha para a vossa mesa (um bom desenrascador não pode olhar para ninguém para não se distrair). Ao fim de vinte levantamentos de braços, para além de se sentirem empenhados frequentadores de aulas de cardio-fitness, percebem que estão a ser completamente ignorados por alguém que apenas chegará para  vos desenrascar  quando já estiverem muito à rasca p’ra comer. Depois de o conseguirem agarrar pela camisola , mesmo apresentando sinais de hipoglicemia avançada, têm de tentar manter a lucidez necessária para o momento do pedido. É que, se por um acaso se esquecerem de pedir algo antes de soltarem a fera, saberão que muito dificilmente o apanharão tão cedo. &lt;br /&gt;O desenrascanço apenas serve para quem não se importa de conviver com o rápido e mau. Fortalece-se à medida que se vai cultivando esta coisa da “última da hora”. O IRS acaba hoje? Vou lá amanhã! O teste é daqui a uma hora? Deixa-me ler os apontamentos! A inspecção do carro deveria ter sido feita há dois meses? A ver se a faço daqui a um mês!  Enquanto houver este gosto pela pressão e enquanto se alimentar esta sensação do estar à rasca, sempre existirá alguém pronto para nos desenrascar...quando tiver um tempinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-3760019127310827157?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/3760019127310827157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=3760019127310827157' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3760019127310827157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/3760019127310827157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/01/desenrascanos.html' title='Desenrascanços'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-106026935857169934</id><published>2008-01-03T07:34:00.000-08:00</published><updated>2008-01-03T07:38:19.890-08:00</updated><title type='text'>E ainda temos de gramar com as passas?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/R30BOq645zI/AAAAAAAAAUc/PE6m8KDYw-8/s1600-h/passagem%20de%20ano.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5151274900332799794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/R30BOq645zI/AAAAAAAAAUc/PE6m8KDYw-8/s320/passagem%2520de%2520ano.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nunca dei grande valor à passagem do ano. Mas todos os anos oiço as pessoas planear de forma efusiva o que vão fazer naquele marcante momento. Combinam-se rebuscados destinos, originais aventuras e caros reveillons para se passar a… passagem(?). Porque é isto que a passagem significa: a ligação rápida entre dois estados: aquele onde se estava e o outro para onde se vai. A minha grande dúvida é porque carga de água se dá tanto valor à passagem do ano e tão pouco valor às pontes? As pontes são também elas uma passagem (para a outra margem como cantavam os Já-Fumega) e a sua existência poderá significar a diferença entre ir-se a pé ou a nado; entre chegar seco ou molhado; entre conseguir ir e ter de se ficar. Mas apesar da sua enorme importância, ninguém lhes liga nenhuma; ninguém come passas ou abre champanhe sempre que passa por cima destas magníficas obras de engenharia; ninguém dá abraços e deseja boa estada na outra margem quando termina a sua transposição. Outra das coisas que me deixa descrente na passagem do ano é o facto de existirem tipos que a passam antes de nós. O que é que os australianos, os alemães ou os espanhóis têm a mais do que nós? Será que tem a ver com as diferenças económicas ou a nossa falta de pontualidade? Toda a gente deveria passar na mesma altura. Saber que só passamos o ano depois dos espanhóis, deverá ser a sensação que o Tiago Monteiro tem sempre que se senta no seu Fórmula Um: Serei o último ou o penúltimo? E já pensaram que basta o nosso relógio estar atrasado dois minutos para já não passarmos para o novo ano no momento certo? Arriscamo-nos a apanhar o novo ano em andamento, mas pior, é contar aos berros aqueles que pensamos ser os últimos dez segundos do velho ano e serem já os quinquagésimos segundos do novo ano. Para o próximo ano vou adiantar o relógio uma hora e dois minutos só para dar o golpe nos espanhóis.&lt;br /&gt;Mas então, qual a causa que levará milhares de pessoas a acreditar que se comer 50 passas de uma só vez naquele último segundo satisfará a maioria dos seus desejos? O que fará alguém pagar 500 euros para ir ver o Paul Anka ao casino do Estoril, ir ao banho à praia da Nazaré todo nu, pedir um empréstimo para ir duas noites à Madeira ver o fogo de artifício que custou 1 milhão de euros? Só um momento de loucura despoletado por algo grandioso como uma…passagem do ano. Sou assim obrigado a pensar naquele momento como uma passagem gloriosa para um estado totalmente novo e desconhecido; uma ruptura abrupta com o ano que findou. Daí se falar em Ano Novo! Mas depois daqueles derradeiros segundos, em que o companheiro do lado nos rega a camisa nova com champanhe, tudo permanece lamentavelmente… igual, ou quase. A passagem ideal seria, em sentido figurado, como separar com um enorme portão o deserto de Marrocos e um frondosa floresta no coração do Oregon. Ao estarmos prestes a deixar para trás o calor tórrido e insuportável para entrarmos por fim no apelativo paraíso natural, faz todo o nexo comemorarmos. Agora, voltemos à nossa realidade e pensemos a surpresa e alívio adjacente à entrada no ano seguinte. Quando todos gritam “Viva o Novo Ano!” apercebem-se que a única coisa nova que se tem, é a camisa estar agora toda pegajosa e com cheiro a espumante. Está ali toda a malta ansiosa, encostada ao portão, com as garrafas na mão a dançar o Kizomba, à espera de ver o paraíso do outro lado do muro, até que finalmente alguém abre ruidosamente o portão. Quando se passa para o outro lado começa-se logo por pisar o faisão com couve lombarda vomitado pelo amigo de reveillon. Depois tem de se gramar com o discurso optimista do Presidente da República sobre as grandes linhas de acção do governo e sobre a floresta do Oregon que existe, mas no continente americano, e por último constata-se que a única coisa que não aumentou com a abertura do novo ano foi a nossa conta bancária. A grande vantagem de se passar o portão embriagado é não se incomodar com os restos de faisão no sapato, é achar que a gravata do Cavaco lhe fica bem e é apetecer dar um beijo na careca do portageiro quando nos pede mais 25 cêntimos pela viagem entre Estarreja e Torres Novas. Um indivíduo sóbrio pergunta logo: -Olhe se faz favor, acha que posso voltar atrás, devolver o champanhe, reaver a massa do jantar e fechar o portão à espera de melhores cenários? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4534026155445809797-106026935857169934?l=devaneioscronicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/feeds/106026935857169934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4534026155445809797&amp;postID=106026935857169934' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/106026935857169934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4534026155445809797/posts/default/106026935857169934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://devaneioscronicas.blogspot.com/2008/01/e-ainda-temos-de-gramar-com-as-passas.html' title='E ainda temos de gramar com as passas?'/><author><name>Miguel Sentieiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02398819404690957462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Jj59h8flGw8/R30BOq645zI/AAAAAAAAAUc/PE6m8KDYw-8/s72-c/passagem%2520de%2520ano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4534026155445809797.post-8555161785325551274</id><published>2008-01-02T10:43:00.000-08:00</published><updated>2008-01-02T10:46:51.647-08:00</updated><title type='text'>O olho da senhora Yang</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não podia escrever uma crónica de natal sem fazer uma referência especial à loja Lin Pin Yang. Os leitores estarão decerto desapontados por nesta quadra não falar do espírito  natalício, de Jesus Cristo, do bacalhau com couves, da árvore cheia de bolas e estrelinhas, do senhor que entra pela chaminé, do discurso do Primeiro- Ministro, mas só me ocorre a importância que a loja Lin Pin Yang teve no meu Natal.&lt;br /&gt;Estávamos nós no momento mais emocionante do dia, aquele em vimos as nossas crianças transformarem-se em rasgadores compulsivos de papel de embrulho, quando, dentro daquela prenda volumosa, saiu u
